Sobre nós

Seja bem-vindo! Conheça um pouco sobre o blogue.

Legado da Adaga Negra

Leia tudo sobre o novo livro da nova saga da IAN: "Beijo de sangue"

The Fallen Angels

Conheça a série Anjos Caídos.

sábado, 26 de março de 2016

IMMORTAL - Gostinho 16 e 17

Saudações Amantes da Irmandade!

Aqui estou eu de novo, com mais docinhos. Desta vezes o capitulo 16 e 17 de IMMORTAL. O famoso livro que está a dar tanto que falar.

Como assim Nasan? Dar que falar?
Ora minhas Amantes da Irmandade, está a dar que falar porque é o ultimo e que não será editado não é?

Pois é, é tão mau, é triste, é deprimente. Bem sei. E agora é aquela parte em que vocês me dizem. Mas Nasan, só publicas-te o Cap. 1; Cap 2; Cap 3; Cap 4 e Cap 5, onde anda os outros? 
Meus amores, eu avisei que o livro não seria todo traduzido aqui no blog. Nós queremos que a Leya edite o livro, e eu não quero levar com um processo em cima. Então sim, serão apenas 5 capítulos do inicio, meio e fim. Vi que vocês propuseram uma ideia mirabolante, um baixo assinado para que seja editado o livro. Mas aqui entre nós? Acham mesmo que isso resultaria? Duvido, depois imaginem o que era isso entrar na moda? As editoras [e falo em todas aquelas que iniciam e cancelam series] matavam-nos. No entanto proponho algo, O Que me dizem de me enviarem aqui, por email ou mensagem no facebook o pedido para a edição do livro? Eu junto TUDO e envio para a Leya, para tentar uma vez mais fazer pressão visto ser apenas o ULTIMO livro da serie. Podemos contudo, publicar na pagina do facebook a capa do IMMORTAL e lá vocês partilharem, comentarem que querem o livro, até podemos partilhar no mural da LEYA. Vamos chatear a LEYA ao maximo, vamos fazer com que eles nos oiçam e respeitem-nos como leitores de The Fallen Angels. Apenas um livro que falta, uma edição desse livro não será o fim do mundo. Digo eu com os nervos lol

Obrigada Nighshade pela tradução.

Mas vamos ao que interessa!

Anjos Caídos # 6

Immortal

Capítulo 16

As mãos de Devina estavam a sangrar.
Ao sentar-se aos pés da cama, ela repara no sangue quando tenta arrancar a manga rasgada do seu fato de cabedal.
Também havia algo no seu olho. Esfregando os dedos na colcha, ela descobre que uma das suas pestanas falsas tinha-se descolado e estava pendurada no canto do seu olho. Ela puxa a coisa e deixa-a cair no chão.
Aterrou num monte de pó cor de pele... ao lado do Compact Powder de Estée Lauder, cujo espelho estava rachado ao meio.
Respirando fundo, o seu nariz formigou com o cheiro intoxicante da cave: uma mistura de Ysatis de Givenchy, Paris de YSL e Coco Chanel e Chance Eau Tendre. Ela imaginou quanto tempo demoraria o sistema de ar condicionado a limpar o ar destes cheiros.
Muito tempo.
Especialmente considerando que aqueles frascos de perfume não foram os únicos que ela estilhaçou. Os vestígios da sua destruição na mesa de maquilhagem estavam rodeados de vidro partido e doseadores mutilados com os seus mecanismos de spray. Ela deve ter destruído uns quinze frascos diferentes.
Mas não se comparava com o que ela fez à sua colecção.
Olhando à carnificina de maquilhagem, malas, sapatos e roupas, ela não era capaz de acreditar que o tinha feito. O resultado da sua explosão de raiva deixou-a espantada com ela própria.
Nada de novo, excepto que isto não era nada de ficar orgulhosa.
O que ela arruinou era o que mais estimava, quando o que devia ter arruinado era o estúpido e arrogante Jim. Pior? Não se conseguia lembrar como tinha sido deitar tudo cá para fora. A sua raiva tinha sido cegante e feroz e só foi quando se sentou e reparou nas suas mãos ensanguentadas que ficou pasmada com ela própria.
Pelo menos, o Criador engoliu a sua história sobre o portal. Bolas, a confrontação depois de ter deixado Jim foi um bocado decepcionante, quase como se Ele já tivesse à espera.
Depois, ela tinha ido para ali e...
Deus, como é que ia limpar aquilo tudo? Havia centenas de cómodas e arquivos com as gavetas abertas, o seu conteúdo espalhado no chão de cimento. O seu complexo sistema de catalogação, com a sua lógica interna que fazia sentido para ela, era uma memória distante com os seus preciosos objectos misturados, tudo fora do lugar.
E havia coisas que tinham sido esmagadas pelos pés dela, também.
Vidro pisado, relógios esmagados, botões de punho e fivelas distorcidas e amolgadas.
Devina flecte as mãos e analisa as feridas nas suas palmas. Era evidente que ela tinha feito mais carnificina com as próprias mãos do que com magia.
Recompondo-se, ela levanta-se e dá um passo em frente para tropeçar e cair de lado, atirando uma das suas mãos cortadas para uma caixa vazia de sapatos que estava retorcida e deformada.
Ah, sim, havia um problema com os sapatos que ela usava. O sapato direito tinha perdido o salto-alto, por isso não havia como suportar o seu peso daquele lado. 
Pensou tirar ambos os sapatos... mas não havia como encontrar um par naquela confusão. Então, arrancou o salto-alto do outro sapato e fez deles sapatos rasos.
Bolsa. Ela andava à procura da sua bolsa, a sacola Dior que ela tinha usado antes de Jim se ter perdido no Purgatório. Ela tinha-o trazido de volta, e como resposta ele tinha feito uma grande festa ao reunir-se com aquela virgem de merda.
O facto de a sacola ser de prata metálica iria ajudar na sua localização. Deveria ajudar.
Poderia ajudar.
Pelo amor de Deus, ela tinha demasiados padrões de animais, pensou quando começou a passear pelos destroços. Zebra. Tigre. Chita. Engraçado, quando tinha organizado as suas bolsas pela cor, ela não tinha, realmente, visto o tipo de rotina em que se tinha metido.
Mais réptil, decidiu. Pele de crocodilo. Talvez alguma patente antiga de cabedal, e Hermès...
- Como a Grace Kelly.
Deus, a voz dela soava a desamparo, até para os seus ouvidos.
Mas porra, alguém como a Grace Kelly não teria o seu amante embrulhado com uma cabra magricela.
Ela podia pintar o cabelo de loiro. Sim, isso poderia resultar.
- Porquê, porquê...
Empurrando uma Birkin azul-céu para fora do seu caminho, ela dá um pontapé numa velha LV Manhattan para um monte de material acolchoado da Chanel.
Nada seria suficiente para ganhar esta batalha e ter a Sissy de volta. Ela teria que...
Devina olha em redor para as suas coisas.
... fazer isto àquela virgem de merda.
«Pony» de Ginuwine começou a tocar suavemente e ela vira-se seguindo o som, abrindo caminho através de cinquenta mil dólares de Prada antes que pudesse descobrir o que procurava, apesar de, quando encontrou o seu telemóvel, quem quer que fosse ter ido para o voice mail.
Limpando a sua mão, que ainda sangrava, no seu fato de cabedal arruinado, ela selecciona o contacto da sua terapeuta e liga-lhe.
Um toque. Dois toques. E depois aparece a voz irritantemente calma e sensibilizada da mulher, «Olá, entrou em contacto com o consultório de...»
Blá, blá, blá. Beep!
- É a Devina. - Ela teve que trocar de mãos e limpá-las outra vez. - Eu tive... - Ao engasgar-se, ela pensou em acabar a chamada e começar novamente, mas quem se importava. A senhora estava habituada a ouvir pessoas que perderam as estribeiras. - Tive uma recaída. Uma recaída séria. Não vou conseguir esperar até... - Quando é que era a sua próxima consulta? Não se conseguia lembrar. - Preciso de ir aí o mais cedo possível. Por favor... ligue-me.
Quando acabou a chamada, ela rezou para que a mulher tivesse uma vaga durante a manhã. Da parte da tarde, o mais tardar.
Porque ela não fazia ideia como seguir em frente.
Como uma perdedora patética, ela deixa-se sentar no chão e assim fica, rodeada pelas provas de como a sua vida imortal era uma porcaria. Ela estava demasiado esgotada para entrar em contacto com o seu ódio e a sua raiva, demasiado traída para arquitectar uma vingança, de coração partido para pensar sequer em Jim.
Devina deixou pender a cabeça e perguntou-se se isto seria, talvez, um castigo do Criador. Ela não passaria por cima Dele se imaginasse este tipo de tortura.
Ele tinha-lhe dito que a tinha criado para equilibrar o Seu mundo e as suas variadas criaturas e humanos. Ele sempre tinha lhe dito que ela servia um propósito importante. Mas ela sabia, melhor do que ninguém, que acreditar que Ele era imparcial era uma loucura. A verdade era que... Ele preferia o bem.
Sempre preferiu.
E isso não a aborrecia, necessariamente. Na verdade, ela gostava de ser a excepção... a maior parte do tempo.

Não neste momento. Não neste momento quando ela se sentia mais sozinha do que nunca.

Anjos Caídos # 6

Immortal

Capítulo 17

- Entãããoo, acho que vou para cima e tomar um duche antes de ir para a cama.
Sissy, ao falar casualmente, impressionou Jim com o seu subterfúgio: como se ela não tivesse objectivos e tivesse todo o tempo do mundo. Ela amassou o papel que tinha embrulhado o hambúrguer que comeu, colocando-o no saco mais próximo, forçando o papel contra uma caixa vermelha vazia de batatas fritas. Depois espreguiçou-se e abriu a boca com sono.
Mas Jim sabia melhor do que envolver-se... especialmente quando ela lançou-lhe um olhar capaz de derreter a pintura de um carro. Felizmente, Adrian estava concentrado nos seus Filet qualquer coisa, ou já tinha começado com os Big Macs?
Como se Jim se ralasse com isso.
- Boa noite, Ad. - Quando Sissy se aproximou o outro anjo olha para ela e oferece a cara. - Dorme bem.
- Tu também, Sissy.
O beijo que ela deu ao sacana não demorou mais do que um nanosegundo e o que Adrian fez foi inteiramente inocente, mas mesmo assim, Jim teve que chamar os seus cães interiores para não abrir a garganta do seu asa-direita.
Possessivo demais?, pensou.
Sissy inclinou-se e pegou no seu lixo, e para evitar que a comesse com os olhos, literalmente, ele concentrou-se em desembrulhar o seu próximo hambúrguer.
 - Espera - disse-lhe. Depois olhou para Ad. - Tens o teu telefone?
O anjo apoiou-se numa nádega e tirou a coisa do bolso.
- Sim. Perdeste o teu da Terra das Cinzas?
- Não. Ah... Importas-te de tirar uma fotografia.
- Queres uma foto? Pensei que já estivesses a tua carta de condução com a tua carantonha.
- Não, minha e... - Jim tossiu para a mão e interrompeu-se.
Que merda estava ele a dizer?
- Da destruição da sala. - Concluiu ele.
- Como se fosses fazer algum pedido de seguro?
- Só para que não se estraguem as coisas com o senhorio.
Ad olhou para a destruição.
- Sem ofensa, mas acho que isso já aconteceu.
Excepto o anjo começou a obedecer, levantando o seu iphone e a tirar fotos à medida que continuava a comer. Passado um momento, Sissy disse adeus com a mão e saiu.
Deus, ele podia ouvir cada um dos passos dela, imaginou-a ir até ao hall para o quarto, entrar na casa de banho, lavar os dentes - talvez a tomar um duche. Ele viu-a...
Bem, porra, ele viu-a nua. Realmente, muito, totalmente nua.
De volta ao hambúrguer. Que agora sabia como cartão e não porque vinha dos arcos dourados.
Ele olha para Ad quando o anjo acaba com as fotos. E imaginou como seriam as coisas se o tipo não o tivesse ajudado a regressar do Purgatório.
- Então... obrigado - disse Jim.
Ad enfia o telemóvel no bolso, e enfia mais umas batatas fritas na boca.
- Tu não viste o quão horríveis estão. E acho que tenho gordura no óculo da câmara.
- Sabes do que estou a falar.
Houve uma longa pausa.
- Não precisas de o dizer.
- Preciso.
- Bem, como queiras. Eu não tinha intenção de deixar a Devina levar-te. Eu já perdi o Eddie... portanto, acabei com essa treta do imortal-excepto-não-verdadeiramente. - O outro anjo olhou para o lado. - Além disso, tu farias o mesmo por mim.
- Fico feliz por saberes isso. E é verdade.
- Sim, percebi que se estavas na disposição de ir até ao Purgatório resgatar o finório do Nigel, tu farias o mesmo por mim, também.
Comeram em silêncio por um momento. Depois Jim teve de perguntar:
- Como vamos saber se o Criador vai fazer alguma coisa?
Ad riu-se.
- Na minha experiência, e tenho alguma no que diz respeito em irritar o manda-chuva, o que quer que seja, acontece depressa.
- Então, estás a dizer que deva guardar uma parte disto - ele segura no hambúrguer - para o Cão.
- Penso que seria uma boa ideia.
Jim acena na direcção das cortinas que fecharam, ocultando os vidros partidos.
- O meu feitiço de protecção só actua até um certo ponto. Continuamos a ter que fazer um melhor trabalho a manter os elementos lá fora.
- Chama-se Home Depot, amigo. Vou até lá amanhã. Arranjo algum contraplacado, martelo e pregos. Eu costumava trabalhar na construção, lembras-te?
Jim pensou na altura em que conheceu o gajo... e Eddie. Meu, o par havia sido uma boa combinação, sal e pimenta. A morte podia mesmo ser cruel, pensou.
- Sabes onde está o Eddie? - Perguntou.
- Sim, lá em cima no sótão.
- Não, quero dizer... onde é que estará?
- Estás a pensar em ser um herói outra vez? - Ad abana a cabeça. - Acho que tentarmos a sorte com um portal é mais do que suficiente.
- Podia ir até ao Criador, sabias?
- Achas que eu já não fui?
Jim pensou no quanto teria sido difícil para Ad.
- Desculpa. Em relação...
- Vamos mudar de assunto, está bem?
- Sim. Okay. - Jim acabou o jantar e bebeu um grande gole da sua Coca-Cola. - Bem, temos que encontrar a próxima alma. Isto é missão crítica. Tens algumas ideias?
- Parecem que elas vêm sempre ter contigo. - Ad encolheu os ombros e focou-se na sua segunda porção de batatas fritas. Ou era a terceira? - Pessoalmente, acho melhor que seja assim do que irmos à caça de gambozinos.
Jim pensou na primeira batalha... a de Vin diPietro, e as pistas subtis que os aproximaram. Essa tinha sido a única altura em que lhe tinham sido dado indicações. O resto das batalhas têm sido «sorte»: Matthias. DelVecchio. Depois Matthias outra vez. E finalmente os gémeos. Adrian provavelmente tinha razão, se se pensasse nisso.
Talvez ele devesse ter confiado mais no sistema desde o início.
- Bem, vou-me deitar, se não te importares - disse a levantar-se. - A não ser que precises de ajuda a limpar isto?
Ad riu-se.
- Isto é enfrentar sacos de papel, não a sala. Acho que consigo dar conta do recado.
- Fixe. Boa noite.
Ele estava quase a atravessar a porta quando Ad falou pausadamente:
- Mantém a Sissy quentinha, companheiro.
Jim congela e olha por cima do ombro. Antes que pudesse dizer alguma coisa, o outro anjo encolhe os ombros.
- Vá lá, ela não te disse boa noite. Achas que sou estúpido?
- Não é disso que se trata.
- Não te preocupes. - Ad abana a cabeça. - Tu estavas pronto a deixá-la para reaver o Nigel. Tu pões tudo a favor para a guerra. Sei que estás de volta ao jogo, e que vai continuar assim. E ouve, se eu tivesse um abrigo nesta tempestade... eu também o utilizaria. Portanto, aproveita enquanto podes, mas... mantém os sons do sexo baixos, okay? É demasiado frustrante.
Jim franziu o sobrolho.
- Sinto que tenho de dizer isto. Eu não irei ficar distraído por nada nem por ninguém.
Novamente, se ele jogasse isto correctamente? Ele e Sissy poderiam resolver as merdas depois.
Entretanto, ele não tinha intenção de manter as mãos só para si.
- Compreendido - disse Adrian. - Mas vou comer o teu sundae, que é a única satisfação que me resta.
***
Uma boa meia hora mais tarde e Sissy não era a única que tinha tomado um duche antes da «cama».
Provavelmente ela não desperdiçaria vinte minutos a fazer a barba, pensou Jim ao inclinara-se para o espelho por cima do lavatório.
Verificou duas vezes o seu maxilar, o objectivo era ficar com cara de bebé, e ele fez da sua Gillette de cinco lâminas a ferramenta que prometia ser. Nenhum risco de a barba a arranhar, pelo menos nas próximas duas horas.
Havia tanto vapor na casa de banho que ele teve de limpar o espelho com o seu braço, mais uma vez, para inspeccionar o outro lado da cara. Não se conseguia lembrar da última vez que fez isto para uma mulher... e depois reparou que, tal como «eu amo-te», era a primeira vez.
Dando um passo atrás, ele decidiu que a sua aparência estava o melhor que era capaz de fazer. A ferida da facada no seu ombro estava praticamente curada, e as olheiras nos seus olhos já não se notavam tanto, desde que não estivesse directamente debaixo de uma luz. Será que ela gosta de água-de-colónia?
- Não que tenha alguma - murmurou a pegar nas suas roupas e a abrir a porta.
O ar mais frio e mais seco foi mais eficiente que uma equipa de limpeza depois de uma festa, desumidificando e dissipando o vapor de tudo. Fez o mesmo à sua cabeça, e a dose de realidade que se seguiu, o choque duro da clareza em relação ao que ele estava prestes a fazer, fê-lo hesitar.
Okay, está bem. Ele estava nervoso.
Por cima dele, passos fizeram ranger o chão do sótão, indicando que Adrian se estava a deitar, outra vez, junto de Eddie, provavelmente numa cama feita de velhas roupas vitorianas e uma caixa de sapatos a servir de almofada. Não que o anjo se fosse importar com isso. Ele era duro de roer.
O filho da puta havia sacrificado tanto para ganhar. E o que recebeu de volta?
Perdeu um bom amigo. E comida de plástico nesta noite.
Uma compensação do caraças.
Com uma imprecação, Jim foi para o seu quarto, colocou as roupas na pilha da roupa suja, e escolheu uma versão de roupa limpa igual à da suja: uma T-shirt Hanes branca, calças de ganga azuis. Deixou os pés descalços. Com alguma sorte, ele estaria nu dentro de pouco tempo, portanto, quem precisava de meias e sapatos?
Ele não conseguiu resistir de dar uma última olhadela ao espelho e alisar o seu cabelo. O corte dele estava crescer, e o facto de já não ser um requisito obrigatório, fazia-o sentir comichão.
Velhos hábitos de ter sido um militar eram difíceis de matar.
Quando estava prestes a virar-se, ele semi-cerra os olhos e pensa em Devina. Durante o jantar, Sissy e Ad tinham partilhado com ele pormenores de como haviam criado o portal para o Purgatório, e isso fê-lo pensar nos dois que o Criador havia criado.
Um era o espelho de Devina.
Ele tinha visto a coisa feia uma vez, quando descobriram o apartamento dela no distrito. Ad, ou teria sido Eddie? Provavelmente Eddie, havia dito que ao se apropriarem daquilo era a única maneira de atingir Devina de forma brutal. Roubar as propriedades de transportação dela, e ela ficaria presa no Inferno ou neste lado. Mas tinha que se ter cuidado ao fazê-lo. Se se estilhaçasse a superfície da forma convencional, segundo o que ele se conseguia lembrar, a pessoa também era destruída, rebentada em mil pedaços junto com o espelho.
Sem salvação possível.
A tentação de eliminar a cabra quase que o consumia, mas ele tinha que se perguntar o que existiria no outro lado de tudo aquilo. Alguma coisa pior? A maneira mais segura era ganhar a guerra e deixar as regras do Criador tomarem conta dela.
Excepto, que se foda a segurança. Para ele, existia a lei da equidade que exigia que ela perdesse a coisa que lhe era mais querida, relacionada pelo facto de ter arruinado Sissy e de ter arrancado Eddie do alcance de Adrian.
E mais, já estava farto de se desculpar por referir Sissy desta maneira.
Ela, sem dúvida, que se sentia tal como ele.
Com isso em mente, ele deixou o quarto e fechou a porta silenciosamente, mesmo que não houvesse motivo para fingir que estava a dormir na sua própria cama.
Se calhar ele queria proteger a virtude dela, mesmo se fosse hipoteticamente.
Mesmo que ele tivesse prestes a tirá-la.
Quando começou a percorrer o hall, atrás dele, na escada principal, o relógio de pêndulo começou a tocar, as badaladas sincronizadas com as suas passadas.
Como se a maldita coisa o estivesse a perseguir.
Parando, ele vira-se, e pondo a palma da mão no ar, cria uma parede de moléculas.
Funcionou perfeitamente. Independentemente do que aquele relógio estivesse a aprontar, ele já não era capaz de o ouvir.
A porta do quarto de Sissy era igual às outras do segundo andar: dois metros de altura, um metro de largura, dois conjuntos de painéis erguidos que eram mais largos em cima, e mais pequenos em baixo. A maçaneta era de cristal e cortada num padrão de raios de sol, e à medida que via a sua mão a aproximar-se, ele pensou no filme O Sexto Sentido, em que as maçanetas que importavam tinham sido todas vermelhas.
Com essa teoria, então esta maçaneta devia de ter sido feita com um rubi gigante.
Ele não bateu à porta, limitou-se a abrir e a entrar, e na escuridão, a primeira coisa que ele cheirou foi a champô. Era diferente das coisas que ele e Adrian partilhavam, e ele apostava que tinha vindo daquela viagem que fizeram ao Target.
- Sissy?
Quando ela não respondeu imediatamente, uma injecção de puro pânico foi até ao seu córtex cerebral, mas depois ouviu barulhos por entre os lençóis. Indo até aonde ela estava, ele colocou a sua palma mais uma vez no ar.
À medida que um suave brilho emanava da sua mão, ele descobriu-a virada de frente para ele, o seu cabelo loiro espalhado na almofada, as suas pestanas fechadas, os seus lábios abertos parcialmente.
Por um longo momento ele ficou ali, a olhar para ela a dormir. Engraçado, ao vê-la a descansar, ao estar ali para a proteger... foi muito melhor do que a pretensão de vir a ter sexo. Aliás, era mais correcto.
No fim de contas, as pessoas tinham uma maneira de fazer más decisões após o drama de vida ou morte. Não significava que eram fracas, bem pelo contrário. Significava que tinham sobrevivido e que estavam contentes de estarem vivas.
Ele tinha pensado muito assim no passado.
E, bolas, se ela queria usá-lo? Estava mais do que na disposição de fazer o que quer que ela necessitasse, ir para onde ela quisesse ir.
Excepto na luz da manhã, ela poderia ter uma visão diferente das coisas. E quem a podia censurar se a tivesse?
Portanto, sim, um pequeno sono para recarregar baterias era provavelmente uma coisa boa... mas ele não regressou ao seu quarto. Ele percorreu a cama, levantou os lençóis e os cobertores, e deslizou para junto dela. Ele pretendia estar só ali deitado a ouvir a respiração dela, mas quase imediatamente, ela vira-se para ele sabendo que estava lá, e aconchegou-se para junto dele.
Santa merda, ela estava extremamente nua.
Mas isso não mudou o seu plano.
Compondo-a nos seus braços, ele aconchegou a cabeça dela por baixo do seu queixo barbeado e fechou os olhos.
No espaço de um ritmo cardíaco, ele já estava a dormir.

IMMORTAL - Gostinho 5

Saudações Amantes da Irmandade!!

A nossa Sunshine e a nossa MorCeGo, têm trazido até vocês coisinhas boas. No entanto, eu e a nossa linda Nighshade, também temos algo delicioso para vocês. 
E não, não pensem em culpar a demora das traduções, a culpa não é da Nighshade. Mas sim minha. 
Mas aqui está, o capitulo 5 de IMMORTAL, e os próximos serão os capítulos 16 e 17, que já estão na minha posse. E que irei tentar fazer a publicação dos mesmos aqui, se a minha net ou portátil deixarem.  
Aqui entre nós? Eu não sei já de onde será que vem o problema, a minha net e lenta como já referi algumas vezes. E para ajudar a festa o meu portátil está numa tentativa de suicido *choro* e o mais grave, estou sem euros para comprar um portátil novo. Mas aceito um como prenda de pascoa, é na boa. Desde que trabalhe e não seja lento ahahha estou a brincar.

Bem vamos lá ao que nos interessa realmente.


Anjos Caídos # 6

Immortal

Capítulo 5

- Precisamos dela. Que mais posso dizer?
Enquanto Adrian esperava que Jim respondesse, ele mudava a distribuição do seu peso para o outro pé, na tentativa de aliviar a sensação de carne triturada da sua perna magoada. Sem êxito.
Jim lança um olhar para as escadas que acabam de ser usadas por Sissy.
- Eu não a quero envolvida nisto.
- Sim, já o tinhas dito.
Adrian olha em volta para a ausência total de sofás e cadeiras no salão principal.
A coxear através do espaço vazio, ele caminha até à sala de estar que se encontrava do lado esquerdo. Quando é que se tinham mudado para lá? Há uma semana? Quinze anos? Sem dúvida que a casa tinha entrado no final da sua vida, com o papel de parede a enrolar nos cantos, os tectos manchados e descascados, velhos orientais vitorianos desgastados e desfeitos.
Agora? Quando entrava na sala de estar, o veludo dos sofás, a seda dos cortinados, o bolor à volta das estantes e os topos das mesas envernizadas estavam todos num brinco, como se ele tivesse entrado num museu cuidadosamente preservado, cujas peças tinham mais de oitocentos anos. O mesmo acontecia com a cozinha que utilizavam, os electrodomésticos dos anos quarenta, de repente, a trabalharem como se fossem novinhos em folha, os móveis de fórmica a brilhar de fresco. No piso de cima era a mesma coisa, toda a renda dos cortinados e as colchas a terem os seus buracos remendados e os seus fiapos arranjados. Assustador como o caraças. Primeiro assumiu que era porque alguém, e não ele, que estava a limpar os objectos. Mas nenhum trabalho Dyson poderia restaurar uma carpete, reparar o revestimento de uma cadeira, substituir o estuque de uma parede.
Mas, para dizer a verdade, existia muito mais com se preocupar.
Ao respirar, o cheiro a fumo persistia no ar e ele olha para a lareira. O detrito carbonizado à volta dos troncos queimados parecia papel, como se alguém tivesse tentado queimar uma colecção de enciclopédias. Mas não, não tinha sido isso. Aquela merda eram os restos dos lençóis que tinham protegido as mobílias velhas. Sissy tinha arrastado tudo para a lareira e acendido o fósforo.
O fumo danificou e chamuscou as paredes à volta da lareira, e a carpete com dois metros de largura e um metro de comprimento, apesar de ser a versão Botox com o seu tratamento anti-idade, tinha sido bem queimada num semi-círculo.
Graças a ela, provavelmente, perderam o depósito inicial da casa.
E porra, mas talvez Jim tivesse razão. Se Sissy andava numa de incendiária... com a viajem que Jim teria que fazer, tê-la tresloucada não iria ajudar em nada.
- Porque é que lhe contaste? - Disse Jim da porta. - Que porra de merda foi essa?
- Contar-lhe o quê?
- Sobre a Devina e eu.
Ad vira-se para ele.
- Eu não...
- Tretas.
Ad inclinou-se para a frente apesar da sua anca protestar.
- Vou falar claramente, eu não contei porra nenhuma sobre ti e a Devina. Achas que quero piorar ainda mais a situação?
Jim entra na sala, movendo-se como um animal enjaulado.
- Então, como é que ela soube...
- Já o tenho.
À medida que Sissy aparece com o livro, Jim congela e olha só para ela, e no silêncio tenso, a única coisa que surgiu na mente de Adrian foi: porque caralho é que estes dois, só por uma vez, não tinham uma oportunidade? Porque a junção parecia mesmo má neste momento. Jim, evidentemente, não tinha dito nada sobre o seu amante demónio. E Ad até podia ser um parvalhão, mas ele ainda sabia as palavras que saíam da boca, e com toda a certeza que não tinha deitado nada cá para fora.
Só havia mais uma fonte de informação com tal conhecimento.
- Agora, vão-me falar sobre o Purgatório - disse Sissy -, ou vão tentar descobrir as instruções sozinhos?
Jim deitou para fora uma extraordinária corrente de asneiras e nada fez para partilhar alguma informação, mas deu a entender que alguns objectos inanimados estavam em perigo eminente de serem derrubados.
Quando o salvador, finalmente se acalmou, Ad só lhe apetecia esfregar a cara com um pedaço de lixa. Porque, de certeza, seria menos doloroso do que tudo o que estava a testemunhar.
Obviamente, era ele que teria de discursar.
- Okay, nós temos um chefe...
- Deus - interrompeu Sissy.
- Não. Apesar do Criador ser uma grande parte de tudo. - Bem, 'duh' para isso. - A brilhante ideia de Jim é ir até lá e trazê-lo de volta.
- Ele está morto? Pensava que éramos imortais.
Ele não tinha entrado ali para se sentar? Escolheu um sofá e sentou-se com a graça de uma mochila a cair de uma mesa para o chão.
- O nosso chefe já não se encontra na existência. Que tal assim?
- Então, existe uma maneira de sair daqui? Quero dizer, desta vida... ou o que seja?
- Não. - Ele pensou em Eddie, mas dada a expressão intensa de Sissy, ele decidiu ficar quieto sobre isso. Já havia muita coisa com que se tinham de preocupar. - O nosso chefe está no Purgatório, e isso é só uma forma diferente de inferno imortal.
- Tem de haver uma maneira de fazer isto sem ela - rosnou Jim de um canto.
Sissy encara-o com um olhar capaz de perfurar um cofre bancário.
- Preferes perguntar à tua namorada? Talvez ela possa ajudar.
O olhar de Jim queimou a atravessar a sala. Mas não disse nada, os nervos em franja a calá-lo.
Ad sacudiu a cabeça. Meu, agora percebia como Eddie se tinha sentido quando ele e Jim se tinham atirado um ao outro.
- Esse livro - disse Ad a apontar para o maldito -, tem alguma coisa sobre o Purgatório? É disso que precisamos de saber. Eu não consigo ler, o Jim também não. Eddie até poderia, mas esqueceu-se dos óculos de leitura no Céu.
Sissy aproximou-se e sentou-se no sofá oposto, colocando o antigo volume na mesa baixa de café. O livro estalou quando o abriu, e um brilho subtil pareceu sair das páginas de pergaminho, como se tivessem luz própria.
Okay, eis um livro que nunca iria para a lista do New York Times. Existia apenas uma cópia, e não era suposto estar nas mãos de anjos. Feito com a pele dos pecadores, a «tinta» supostamente provinha da ejaculação dos lacaios de Devina. Quem sabe como teria sido feito? O objecto era puro mal, por dentro e por fora.
Se a Devina soubesse que tinham aquilo? Não seria muito divertido.
- Não tem índice - Sissy murmurou ao virar as páginas. A escrita era muito densa, era como se cada página tivesse levado com uma pincelada preta, de fazer doer a cabeça quando se olhava. - E, também não existe uma organização interna. Passei horas a lê-lo... e não tenho a certeza quão útil será em relação ao quer que seja.
- Sinceramente, surpreende-me que consigas lê-lo de todo - murmura Ad.
- Bem, tive Latim no secundário.
- Isso é Latim?
- Ou uma derivação. As boas notícias?! Quanto mais eu me debruço nisto, mas fácil se torna. - Sissy olha para Jim. - Portanto, diz-me o que queres e eu talvez possa descobrir alguma coisa.
Jim parou numa das janelas que iam desde o chão até ao tecto e olhou para fora. Com a luz do sol matinal a bater na sua cara, ele parecia esgotado em vez de revigorado. E isso não abonava nada a favor deles. Ad aclarou a garganta.
- Eu consegui sair porque fui libertado pelo Criador... graças ao Nigel ir ter com Ele.
- Falas do Purgatório? - Perguntou Sissy.
- Sim, falo.
- Santíssima... espera, tu estiveste lá? - Sissy abanou a cabeça. - Caramba, de todas as coisas que pensava que eram inventadas... Devia de ter prestado mais atenção à catequese.
- Como já disse, fui libertado pela vontade do Criador, e não tenho conhecimento de ninguém que tivesse saído de lá por conta própria. - Ad vira o olhar para o salvador. - Mas vou dizer isto... não terás muito tempo, Jim. No momento em que estiveres lá, começas imediatamente a ter sarilhos. O verdadeiro desgaste leva algum tempo, mas começas a perder-te logo ao entrares. Quando o Eddie me encontrou, estava perto de ser um caso perdido. Mais tarde, descobri que só tinha lá estado um curto período de tempo.
- Foi assim que o Inferno foi para mim. - Disse Sissy calmamente. - Foi uma... eternidade.
A sobrancelha de Jim começou a tremer e ele passou um dedo por ela.
- Então, vais até lá para o trazer de volta, porquê? - Ela perguntou.
- Não tenho escolha. - Murmurou Jim a remexer nos bolsos. Tirou um Marlboro e acendeu-o. - Ou trazemos o Nigel de volta, ou fico com o lugar dele. E depois disto tudo? Quero ser aquele que vai derrubar a Devina. Mas mais importante, é a coisa certa a fazer.
- Porque dizes isso?
- Eu matei-o. Não directamente, mas a sua morte é culpa minha, e mesmo sendo um soldado profissional, é algo com que eu não posso viver.
Sissy encarou-o durante um longo momento. Depois mergulhou a sua cabeça no livro e voltou à primeira página.
- Alguém tem um bloco de notas e uma caneta?
***
Horas mais tarde, ao folhear as páginas do antigo livro, Sissy sentia alívio por descobrir que as palavras escritas no denso texto eram fáceis de ler como um romance de Nancy Drew. O que não era tão bom, apesar da compreensão aumentar, era o facto de não encontrar nada sobre o Purgatório.
A maioria das passagens pareciam ser divagações de uma mente perversa, os argumentos fracamente integrados e a focarem-se na natureza e composição das almas, nas origens da vida física, no esquema do Céu, no equilíbrio entre o pecado e a virtude.
E as estatísticas eram, pura e simplesmente, esquisitas. Porque haveria de alguém se preocupar com o número de pedras de algum castelo no Céu? Com o nome de Mansão das Almas?
E com isso, o bloco de notas de papel amarelo permanecia em branco ao lado do livro, a Bic azul por escrever. Mas mesmo assim, os «não chegar a lado nenhum» eram, de alguma forma, úteis. Desde que ela tinha estado concentrada no livro, que não tinha pensado em incendiar nada.
Deixando sair um gemido, ela espreguiçou-se para trás e deitou um olhar para a lareira. Quando um ressonar suave se fez ouvir, ela olha para Ad. Ele estava apagado como uma luz, a cabeça para trás sobre as almofadas do sofá de veludo, a perna magoada esticada num ângulo errado com a bota virada de lado, como se os ossos se tivessem fundido de forma errada.
Jim tinha saído uns dez minutos antes, levando consigo o seu mau humor.
Sissy coloca o livro de lado, levanta-se e estala o seu ombro direito. Depois sai da sala de estar, com intenção de ir para a cozinha e comer qualquer coisa, mas os planos mudam quando apanha um lampejo vermelho na janela do outro lado da porta da frente.
- Mas que...?
Na verdade, o brilho vermelho emanava, aparentemente, de cada pedaço de vidro ao redor da casa.
Ao correr para a porta, quase que arranca os pesados painéis ao abri-la.
Era como se alguém tivesse lançado uma bomba de tinta na propriedade, e esta tivesse ficado congelada no local durante a queda-livre, formando uma cobertura à volta de tudo. Do outro lado da cortina vermelha de luz, ela conseguia ver o relvado feio, o sol do meio-dia, o passeio e a estrada... bem como Jim parado no lado esquerdo, a palma da mão dele levantada para cima e a brilhar ainda com mais intensidade, como se fosse a fonte da iluminação.
- Jim? - Disse ela.
Ele ergueu a cabeça e os olhos abriram-se. Depois de um momento, ele baixa o braço e atravessa a direito a barreira que tinha criado.
- O que é isto? - Ela perguntou com admiração.
- Mais protecção.
- Do quê? - Como se ela precisasse de perguntar.
- Devina. Ela já entrou aqui, pelo menos uma vez.
Um arrepio trespassou-a.
- Quando?
- Na outra noite.
Enquanto ele caminhava para o alpendre, ela pousava a mão no antebraço dele.
- Em casa? Como?
Jim afastou-se dela e riu-se amargamente.
- Ela transformou-se em ti. Fixe, não?
- O quê?
- Ela era como tu, desde o teu cabelo, aos teus olhos, à tua... - O olhar azul dele foi até à boca dela e assim ficou até ele se desprender. Depois inclinou-se, o seu tamanho a superar o dela, os seus olhos cansados nada mais do que facas aguçadas. - Ouve, quando disse que não te queria envolvida nisto, foi por uma boa razão, okay? Não te quero perder de novo, e principalmente, não me quero distrair deste jogo por me preocupar contigo.
Sissy franziu o sobrolho, pensando na...
- Quando fui bater à tua porta - disse ela, completamente assustada. - E tu em estado de choque por me veres. Foi quando ela o fez. Não foi? Foi quando ela se transformou em mim.
Ele afasta-se e começa a caminhar na direcção da casa. Ela agarra no braço dele novamente.
- O que fez ela?
No silêncio tenso que se seguiu, ela lembrou-se da forma estranha com que ele a tinha olhado quando abriu a porta, como se ele nunca a tivesse visto antes. E agora, ele estava a fazer o mesmo.
Ela recusou-se a desistir.
- O que foi que ela...
- Queres saber? Aqui vai. - Ele inclina-se mais uma vez, o ar entre eles a ficar carregado. - Ela tentou seduzir-me. Estava semi-nua na minha cama, com o teu corpo, a tua pele, o teu aroma. E quase resultou, que pensas disso?
Sissy piscava os olhos várias vezes à medida que o seu corpo registava calor, mas não de raiva. Não, desta vez era uma coisa inteiramente diferente.
Desejo sexual. Do tipo que só tinha lido em livros, ouvido falar, visto no grande ecrã, mas que nunca, nunca havia sentido. Nem de perto. E ela compreendeu muito bem o que ele estava a tentar fazer. Estava a tentar assustá-la. Só que tinha falhado, pois sem se aperceber... tinha feito uma valente confissão.
Ela pensou em Bobby Carne e no seu jeito engatatão. Jim estava longe dessa produção triste, ele era um homem, não alguém do secundário com ilusões de ser o Ryan Reynolds. E a ideia de que alguma vez Jim pudesse ter estado atraído por ela, mesmo que fosse mentira...
Mas, o demónio transformou-se nela, não foi?
Jim desviou o olhar primeiro.
- Não me olhes dessa maneira.
- De que maneira? - Disse ela numa voz rouca.
- Oh, Jesus - ele murmurou. - Tu não sabes...
- Jim...
- Não, nem pensar, eu tenho de ir... Eu tenho mesmo de ir.
Com pés pesados, ele caminhou até à porta aberta e marchou escada à cima, o enorme corpo dele a mover-se rapidamente e com poder. Momentos depois, ele estava fora da sua visão e ela ouve uma porta a bater no segundo andar.
Houve uma tentação de persegui-lo. Abrir aquela porta. Descobrir... o que estava por detrás daquele olhar quente. Mas ela teve a sensação de que tudo o que conseguiria seria uma discussão.
Ou talvez, algo que ela se calhar não conseguiria lidar.
Ela pensou no demónio no cemitério, tão cheia de si, tão confiante. Ora, isso é que era uma mulher... entidade, o que fosse... que tomaria conta de um homem como Jim...
Bestial, agora apetecia-lhe encontrar um isqueiro e pô-lo em bom uso.
Em vez de ir atrás dele, ou dar numa de Stephen King e ceder à sua incendiária interior, ela foi até à barreira de protecção e colocou a mão. Como se o brilho fosse um ser vivo, avançou para ela, envolvendo a sua mão, continuando a avançar, ficando conectado até ela retirar a mão.
Depois de brincar com a conexão mais uma vez, ela volta para casa e fecha a porta reforçada. Em circunstâncias normais, ela ficaria impressionada com o tamanho e altura daquele carvalho, mas nada mais era normal, e ela tinha a sensação de que podia confiar naquilo que Jim tinha feito, mais do que qualquer outra construção humana.
Parada ao pé das escadas, ela perguntou-se que estaria ele a fazer no quarto. A única forma de obter uma resposta era descobrir por ela própria, e que embaraçoso seria se ela entrasse pelo quarto adentro e ele estivesse a despir-se... a fazer a cama... a dobrar a roupa.
Oh sim, até porque ele tinha tempo para se preocupar com essas duas últimas tarefas.
Além disso, não significava que ela fizesse alguma coisa que fosse mudar a conversa entre eles.
Enquanto ficava onde estava, uma parte dela lhe dizia que, por acaso, até havia outras coisas que ambos podiam fazer, coisas que estavam relacionadas com aquele olhar dele. Porra, talvez estivesse na altura de perder a virgindade. E assumindo isso como verdade... ela não conseguia pensar num único homem, vivo ou morto, a quem se dar do que Jim.
- Merda - suspirou.