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quarta-feira, 21 de junho de 2017

A minha teoria do que se passa nos bastidores da IAN by Nightshade

 Saudações Amantes da Irmandade!

Hoje é dia das teorias, não minha, nada disso. Mas da nossa Nightshade.

Boas Leituras e já sabem. Deixem os vossos comentários para a nossa menina.

A minha teoria do que se passa nos bastidores da IAN



(Tudo o que escrevo aqui é somente a minha opinião e pontos de vista, qualquer opinião contrária é aceite e respeitada, o mesmo vale para mim ;))



Todo este universo do IAN, adoro e amo cada vez mais. Mas as semelhanças das sagas: IAN e AC fez voar a minha imaginação e deparei-me com uma teoria.



O que será que se passa nos bastidores deste universo complexo e espectacular?



O problema com todo o universo de Caldwell é que eu gosto de todo o enredo, de todas as personagens, sim, não detesto nenhuma, até o Lash tem um lugar na minha adoração. E sim, até o detestável Havers. Sei que há pessoas que acham que os minguantes são ridículos como vilões, mas eu, sinceramente nem por isso.



A Ward além de ter reinventado vampiros (mortais, okay duram mil anos, mas... mortais) conseguiu inventar várias sub-espécies de vampiros que não existiam na literatura até então: Sombras, symphaths, doggen. Depois, os minguantes podem ser comparados a zombies (mortos-vivos). E aparentemente mais uma espécie vai ser apresentada: wolfen (é assim?) que pode ser também uma sub-espécie de vampiro e não necessariamente lobisomens. Os symphaths lembram répteis, por exemplo.



Depois há uma imortal, anjos caídos, uma fantasma, demónios, seres poderosos... ela conseguiu reunir quase todas as personagens humanóides da fantasia e místicas numa só saga e inventou mais. Só faltam mesmo os elfos e as fadas, as bruxas e as feiticeiras, mas duvido que ela vá por aí. É surpreendente. As personagens são tantas e cada uma com a sua complexidade, admiro muito o trabalho dela, não é fácil gerir isto tudo, daí às vezes haver os tais erros graves. Mas enfim...



Aviso: tenho uma imaginação muito fértil, acho que nem a Ward 'reparou' nisto:



O Criador cria um mundo dos humanos, mas antes disso criou no seu mundo místico os arcanjos, anjos, demónios, e dois grandes 'generais', os seus filhos: a Virgem Escrivã e o Ómega. Como tudo depende do equilíbrio com o livre-arbítrio - a um foi dada o dom da criação e ao outro não.



Mas essa criação teria algumas limitações: só poderiam andar de noite, o dia era exclusivo só para os humanos. Então a Virgem Escrivã cria os vampiros, mas ela tem um defeito muito grande, é orgulhosa e arrogante e daí, ao contrário do seu Pai, ela dá longevidade à sua criação, porque gosta de ser adorada e de ser obedecida, sem perguntas. O Ómega, amargurado fica com inveja da irmã e, sabendo dos defeitos dela, não cria, porque não pode, mas força sobre a espécie humana (uma vingança ao Pai por não lhe conceder o poder de criar) um upgrade (digamos assim) do mal. Faz da vida uma morte com vida falsa, feita exclusivamente para atacar vampiros, criação adorada da irmã. Dois coelhos numa cajadada só.



Coisas que achei existirem em comum entre as duas sagas IAN e Anjos: os escravos de Devina (sombras pretas oleosas) são as mesmas usadas pelo Ómega. O céu  e o outro lado vivem no mesmo plano de existência mas em realidades paralelas, o mesmo para o inferno de Devina e o inferno do Ómega. 



Ambas as criações vivem em conjunto mas são geridas por entidades diferentes, que se conhecem todas umas às outras e que não podem interferir nos mundos umas das outras, só mesmo as criações: os humanos e os vampiros é que são ignorantes a isto. Só os Irmãos é que são excepção.



Tendo a saga IAN chegado onde chegou, penso que agora é a altura de todas as entidades se misturarem de vez. O Lassiter a comandar os vampiros, a Devina a comandar um exército de escravos, através de Throe e, quem sabe, Lash a comandar uma nova espécie de minguantes. Afinal tem de haver sempre o bem e o mal, e no lado do bem, além de Lassiter, há os anjos caídos.



 Lassiter e Devina são os novos generais. O Criador fartou-se dos seus dois 'filhos', e tal como a aposta com as almas nos Anjos Caídos para ver se a humanidade era boa ou não, está na altura de se saber se a criação da Virgem Escrivã merece ou não continuar a existir, daí ter 'destituído' os filhos e dar as rédeas aos novos 'generais'.



Para mim a Virgem Escrivã cedeu lugar a Lassiter, mas o Criador está por detrás disso, está por detrás de tudo, até na  lenda do Dhestroyer, porque o Criador é o yin-yang, é a dualidade, Ele é o livre-arbítrio.



A humanidade passou na prova de fogo nos Anjos Caídos e agora é a vez dos vampiros e suas sub-espécies no IAN.



Fiquem bem,
Nightshade

terça-feira, 20 de junho de 2017

IMMORTAL: Gostinho 50, 51 e 52

Saudações Amantes da Irmandade! 

Hoje, para relaxar e fugir da realidade, deixo-vos três gostinhos de IMMORTAL, traduzido pela nossa maravilhosa Nightshade.




Anjos Caídos #6

Immortal

Capítulo 50

Foi a queda que durou uma eternidade.
Em princípio, Devina pensou que estava presa na zona de sucção, mas quando as paredes da sua Parede das Almas apareceram, ela percebeu que estava, na realidade, a descer para o Inferno a alta velocidade.
Aquilo ia doer.
Ela teve razão.
O impacto foi dilacerante, o tipo de coisa que quebrava a alma; fê-la perder o fôlego, a visão, o batimento cardíaco... bem como a ilusão da beleza que exigia do seu apoio consciente. Mas ela não morreu. Mesmo com todos os receptores de dor que tinha a gritarem em agonia e a sua pele podre estar contorcida e torcida contra o tapete, ela ainda estava «viva».
Portanto, quando o cintilar começou acima dela, ela pode testemunhar.
No início, ela pensou que fossem estrelas a dançar à frente dos olhos dela por ter um ferimento na cabeça, mas depois percebeu... não.
Era um tipo de neve cintilante.
Só que, não...
Era a colecção dela, todas as peças de metal que coleccionou ao longo de milénios a flutuarem, a descerem como se o objectivo fosse ficar com ela apesar de ela agora estar numa espécie de prisão eterna.
Sentada, ela estendeu os braços, pronta a tomar um belo chuveiro enquanto chovia...
Nenhum dos objectos foram alcançados. Das paredes viciosas da prisão, que agora também era a dela, as mãos torturadas dos malditos alcançaram e retomaram o que era deles, reivindicando os objectos; pegando-os de volta, restabelecendo a propriedade.
A roubarem-na.
Foi quando a perda da guerra atingiu-lhe a casa. E o demónio chorou lágrimas que se transformaram em diamantes negros, escapando e saltando pelo chão de pedra até à sua mesa de trabalho.
Ela deixou-se envolver pela emoção porque não tinha escolha. Tinha perdido a sua oportunidade de dominar. Tinha sido enganada pela eternidade que era sua por direito. A sua colecção desapareceu. Só Deus sabia se ainda tinha lacaios disponíveis que lhe pudessem ouvir.
Colocando o seu crânio nas suas mãos de osso, ela chorou com tanta força que pensou que ia estilhaçar, tal como fez o seu adorado espelho.
Mas não.
Eventualmente, os sôfregos e as lágrimas pararam e ela fungou e tentou limpar-se, apesar de ser difícil de fazer com o osso do seu braço.
Reunindo alguma força, ela invocou a ilusão na qual tinha confiado para se tornar bonita, a pensar que talvez isso a animasse. Mas não aconteceu nada. A sua pele não se reestruturou, nem reactivou a cor e o calor. O seu cabelo moreno luxuoso não nasceu do seu crânio careca. As suas pernas não apareceram suaves e deliciosas.
Neste ponto, ela chorou outra vez.
Um som de alguma coisa a cair perto dela fê-la levantar a cabeça. Era um sapato... um dos seus cintilantes. O outro par dos Loubous caiu mesmo ao lado dela.
Fungando, ela alcançou-os e juntou-os, a limpar os vestígios das lágrimas negras dos cristais cor de creme... dos quais estavam todos embutidos em metal.
Prova positiva que se comprares com qualidade, vai resistir a tudo. Incluindo um portal para o Inferno.
A olhá-los, a ver como a luz ambiente incidia naquelas facetas diminutas e como reflectiam de volta, ela estimou-os ainda mais porque eram os últimos da sua vida lá em cima, os últimos da sua preciosa colecção. Como estava agora? Tudo o que tinha era a sua mesa de trabalho manchada e o seu corpo quebradiço e podre.
Ela esticou-se e calçou um, depois o outro. O facto de serem um tamanho abaixo funcionou bem, porque agora havia pouca carne nos seus pés.
Ao virar os tornozelos para um lado e para o outro, os sapatos cintilaram apesar do quão feia estava agora, as solas vermelhas ainda vibrantes porque ela mal os usou.
Mas logo perdeu interesse em admirá-los.
Parecia que a terapêuta, que agora estava convencida que não era humana, mas sim o Criador em pessoa, estava certa. Os saltos-altos eram só objectos. E tudo o que realmente interessava estava agora fora de alcance: o seu trabalho a praticar o mal, o seu amor por Jim, a liberdade de ir e vir quando quisesse.
Apenas os sapatos.
O Criador tentou com que ela visse a realidade que aprendeu tarde demais.
Os objectos? Não eram o principal.
Mas, vá lá, ela era maléfica. Que mais é que uma rapariga podia fazer?
Inclinando a cabeça para trás, ela olhou para cima, mais acima, e mais acima... e imaginou o que estaria Jim a fazer.
Provavelmente a celebrar com aquela Sissy.
Deus, ela odiava-o, odiava mesmo.
Talvez, algum dia, se ela alguma vez saisse dali... ela pudesse encontrar um verdadeiro homem, alguém que a apreciasse pelo o que era e quem era. Alguém que fosse doentio e preverso, mas que tivesse bons valores tradicionais, uma boa conta bancária, e um sentido de humor.
E que pudesse roubar durante horas.
Provavelmente, alguém assim não existia. Mas considerando que ela não tinha mais nada para fazer... bem, merda... talvez para sempre... mais valia viver uma fantasia.
Memórias e a mente dela eram tudo o que lhe restava agora.




Capítulo 51

Na tarde seguinte...

No Céu, Nigel andou com o carrinho de chá até um pequeno monte ao pé da Mansão das Almas. Normalmente, a mesa podia ir por ela, mas como ele não tinha nada com que se ocupar, ele quis fazer as coisas manualmente.
Foi ele quem desdobrou a toalha de damasco das suas dobras delicadas, quem dispôs os pratos, as chávenas e os pires. Foi ele que arranjou o bule do chá e o açúcar e o creme, e também o expositor redondo que continha uma variedade de scones e biscoitos.
Está bem, okay, ele tinha conjurado os consumíveis... mas ele não era nenhum pasteleiro.
Inclinando-se para baixo, Nigel alinhou os talheres junto com os guardanapos. Ajustando para que as coisas ficassem perfeitas. Arranjou as flores...
- Isso é para mim?
Ele escondeu um pequeno sorriso, virou-se e viu Jim.
- És bem-vindo para te juntares a nós, salvador.
O anjo parecia estranho, como se ele não soubesse como lidar com o facto de ter feito bem o seu trabalho.
- Não precisas de me chamar mais assim.
Nigel respirou profundamente. Endireitou o seu fato branco e andou à volta da mesa. Sem introdução ou artifício, ele abraça e diz roucamente:
- Acredito que te iremos chamar isso por toda a eternidade.
Jim retribuiu o abraço e eles ficaram assim por um momento. Depois, ambos afastaram-se, enquando os outros arcanjos apareceram com Tarquin... que se atirou a Jim quase derrubando-o.
À medida que o grupo falava da vitória e louvava, Nigel ficou na periferia e testemunhou a troca de parabéns. Byron e Bertie atiraram os braços sobre o salvador quase como o cão deles fez, e até Colin se juntou, o arcanjo guerreiro a ir ao ponto de mostrar um sorriso que chegou aos seus belos olhos.
Sem conseguir aguentar aquela visão, Nigel olhou para a muralha. Haviam sete bandeiras e esvoaçar com a brisa. A vitória final de Jim a reclamar todas as batalhas, até mesmo as que Devina tinha ganho. As cores eram várias e pareciam um arco-íris no céu.
- Nigel?
- Lamento imenso - disse ele, voltando a concentrar-se. - O que foi que disseste?
- Posso perguntar-te algo em particular? - Perguntou Jim.
Nigel olhou por cima da mesa. Os três arcanjos tinham-se sentado, Byron e Bertie a falarem como pássaros a cantar numa árvore de Primavera, a sua energia inata a transbordar com o facto do medo ter desaparecido. O stress tinha desaparecido, e tudo o que permanecia era o sítio e o trabalho que eles tanto adoravam.
- Não é preciso - murmurou Nigel. - A resposta é sim.
Jim fechou os olhos e desequilibrou-se nas botas.
- Estás bem, companheiro? - Perguntou Colin.
O salvador disse que sim com a cabeça e esfregou a cara. Depois olhou para Nigel.
- Tens a certeza?
- Achas que eu faria alguma coisa que colocasse as almas dos justos em perigo?
- Então, okay. Obrigado.
- Não fui eu, foste tu. - Mas depois ele cedeu. - Mas eu estou... tão feliz por ti. Muito feliz por ambos.
- Obrigado. - Jim hesitou. - Uma última coisa... as almas como Sissy? Os inocentes que foram assassinados durante séculos por Devina para proteger o espelho dela...
- Eles juntaram-se ao reino dos justos. O Criador encarregou-se logo disso depois de Devina ter sido banida junto com a sua Parede das Almas.
- Então, é aí que ela está.
- E é onde permanecerá.
- Belo trabalho. Isso... é bom.
O salvador foi-se embora um momento depois, e Nigel olhou para o local onde ele esteve. Havia tanto por que estar grato, tanto para celebrar... e no entanto ele estava triste ao ponto do desespero.
- Se me dão lincença - ele disse sem olhar nos olhos de ninguém. - Vou-me retirar para os meus aposentos.
Byron sorriu.
- Mas claro. Há muito para recuperar.
Bertie anuiu enquanto dava um biscoito a Tarquin.
- Com certeza, nós olharemos tudo por ti.
Nigel concordou e virou-se. Não havia razão para esperar qualquer resposta de Colin, apesar de ser desse arcanjo que ele mais queria uma resposta.
Ao atravessar a relva, ele pensou nos humanos, a viver, a morrer, a apaixonarem-se, a ficarem com os corações destroçados. Eles eram mais fortes do que ele alguma vez pensou, ele apercebeu-se que durante todos aqueles milénios ele sentiu, de forma errada, pena da mortalidade deles.
Agora, ele via-os como triunfantes.
Eles não tinham só que temer a morte, mas viver com essa realidade... e a vitória que houve não vai mudar isso. Eles ainda tinham que lidar com a morte, e como ele os respeitava pela sua resiliência.
Quando chegou à sua tenda, ele abriu o fecho e entrou para o luxo que dantes tinha achado intrínseco para o seu bem-estar. Agora, era tudo simplesmente decorações coloridas.
Os seus olhos foram até à espreguiçadeira onde ele tinha cometido aquele acto horrível, e apesar de odiar a coisa, ele manteve-a por uma razão. Era necessário lembrar-se da sua arrogância e da sua falta de julgamento.
- Sabes quem sou?
Nigel deu meia volta. Colin estava parado dentro da tenda, com os olhos distantes, o corpo a preencher a entrada.
- Eu-eu-eu... - Nigel precisou de um momento para lidar com a sua surpresa. - Desculpa, o que queres dizer?
Colin entrou e deu uma pequena volta, esticando os seus braços fortes para fora do seu corpo.
- Sabes quem sou?
És o amor da minha existência, pensou Nigel.
- Tu és o Colin. - Acabou por dizer.
O outro arcanjo fez um som imperceptível com a garganta, tanto que não se conseguia perceber se o inquérito tinha sido respondido correctamente.
- Existe uma expressão, ali na Terra sobre alguém como eu. Tenho a certeza de que já a ouviste.
- Receio que não consiga ler mentes. - Nigel tocou na sua própria cabeça. - Isto não funciona tão bem como dantes.
- Colin aproximou-se mais um pouco, e mais. E depois, fez a coisa mais milagrosa. Ele estendeu a mão e tocou na face de Nigel, percorrendo a sua bochecha.
- A expressão que tanto é dita pelas almas lá de baixo é... «Errar é humano, mas perdoar é divino».
O coração de Nigel começou a bater com força. E depois ficou com a cabeça zonza.
- Sim, sim, eu já a tinha ouvido.
Por favor, não me partas o coração, pensou Nigel. Mesmo que eu tenha partido o teu.
- E então, quem sou eu? - Perguntou Colin.
- Tu és - lágrimas fizeram as coisas toldadas. - Tu és um arcanjo. O guerreiro favorito de Deus, protector da Terra e do Céu. Tu és...
Ele não conseguiu dizer a última palavra, então Colin acabou por ele.
- Eu sou divino. E eu perdoo-te.
Nigel não foi nada galante quando se atirou aos braços do seu amante. Ele sabia que não ia questionar o dom desta reunião. Ele não se importava com as conclusões a que Colin chegou para mudar tudo. No passado, ele teria insistido com os pormenores. Agora? Ele tomou o que lhe foi oferecido e manteria por toda a sua vida. Houve outra expressão humana que lhe surgiu na mente, uma que envolvia «felizes» e «para sempre». Mas à medida que acalmava nos braços de Colin, ele avançou com a expressão humana mais poderosa de todas.
- Eu amo-te - disse Nigel suavemente. - Eu amo-te...
***
Enquanto Adrian se deixava entrar na parte de trás da velha casa, ele tinha cerca de trinta e cinco mil calorias do Dunkin ‘Donuts entre os três sacos e a caixa de vinte e quatro sortidos que eles acabavam de comprar. Eram cerca de quatro horas da tarde, e mesmo que alguns pudessem considerar ser apenas uma carga de pequeno-almoço, ele era mais brando a julgar... e porque ele era um rapaz porreiro, ainda provou para ver se o lote continha veneno, comendo duas gelatinas e um doce de chocolate no caminho para casa. E a falar de estímulo para o apetite, ele estava deserto para atacar mais uns doze, bebendo o café dele, e depois então ir dormir com Eddie para se recuperar da noite anterior.
- Tens o meu café? - Disse ele por cima do ombro.
Eddie olhou-o estupidamente por um segundo. E depois seguiu com o programa.
- Sim... sim. Sim, tenho.
Yup, Eddie tinha o cérebro fodido. Ad sorriu e foi directo para a mesa. Eles tinham feito um trio de mulheres durante a madrugada... ou tinham sido quatro? Eram os velhos tempos de volta... da forma mais intensa devido ao «quase-que-perdi» que tinha acontecido.
Agora? Por uma vez nas suas vidas imortais, ele e o seu companheiro iam tirar umas férias. Talvez ir para algum lugar quente, onde as senhoras usavam fio-dental e nada mais, a cerveja era fresca e o peixe espectacular...
O som de uma coisa a arranhar na porta de trás fê-lo virar a cabeça. Eddie abriu a porta e o pequeno cão despenteado que coxeava foi uma visão bem-vinda.
Cão tinha desparecido nesta última batalha.
Mas agora o pequenito tinha voltado, a fazer círculos nos tornozelos de Eddie e a saltar para o colo de Ad.
- Queres partilhas? - Perguntou Ad. Quando ele recebeu um latido como resposta, ele abriu a tampa da caixa e andou à caça de alguma coisa que não tivesse nozes. Apesar de, considerando que Cão não era realmente um cão, provavelmente não importava. - Que cheiro é este? - Disse a encolher-se.
E foi quando ele viu fumo a sair da superfície da mesa. Cão tinha saltado para lá ao sair do seu colo, e tinha uma pata... sobre o padrão que queimava.
Ad saiu disparado da cadeira.
- Não! Népia! Precisamos de uma pausa!
- Oh, foda-se - disse Eddie sem fôlego.
Quando Cão acabou a sua pequena imagem, ele vira-se para eles e ladra duas vezes. Depois, baixa a pata naquilo como se tivesse a apontar.
Ad, ao inclinar-se, sente o sangue a fugir-lhe da cabeça.
- Não! Todos menos ele!
- Onde é que ele está? - Perguntou Eddie. - Pensei que estava no Purgatório...
Cão interrompeu-o com um latido.
- Bem, merda - disse Ad a colocar a tampa da caixa para baixo. - Não há donuts para ti.
Cruzando os braços sobre o peito, ele amuou e não se importou se estava a aparecer um idiota.
- Por favor - imlorou Eddie. - O Lassiter pode estar em qualquer lado do planeta, a fazer sabe-se lá o quê!
Cão apenas nivelou o olhar com os dois.
- Podemos, pelo menos, tirar o fim-de-semana? - Murmurou Ad.
- Em contrapartida do quê? - Disse Jim da porta.
O salvador entrou na divisão, tinha tomado um duche e por uma vez ele não tinha círculos negros debaixo dos olhos. Aliás, ele por acaso, parecia um quarto de século mais novo do que na noite passada. Mas isso era o que doze horas de amor podiam fazer a um gajo. Ad já devia de saber isso.
Cão saltou da mesa para os braços de Jim, a cauda a ir a mil à hora, língua a lamber, a parecer-se mais como um canino a mostrar admiração. E Jim retribuiu, a baixar a cabeça, a falar suavemente e a dar festas... Quando Jim o pôs no chão, os dois olharam-se durante muito tempo, e depois Cão latiu suavemente... antes de se virar e ir para a porta como se tivesse dito um difícil adeus.
Ao passar, o filho da puta encarou Ad e Eddie como se dissesse:
Despachem-se, rapazes... Vão buscar o idiota que acabei de queimar na mesa.
Com Cão a ir-se embora, Ad percorreu as linhas da cara que tinham sido feitas na mesa. Ainda estavam quentes.
- Quem é esse? - Perguntou Jim.
- Um pesadelo - murmurou Ad.
- A nossa próxima missão - interveio Eddie.
- Já? Tão rápido? Vocês não têm férias?
Ad apontou com a cabeça para a caixa que ele tinha fechado.
- Temos donuts...
Houve um momento de silêncio. E depois Eddie disse suavemente:
- Vais-te embora, não vais?
Ad olhou mesmo a tempo de ver o olhar de Jim ir para a janela por cima do lava-loiças. Ele parecia estar a imaginar coisas ao olhar para fora, coisas que não estavam nas traseiras.
- Para começar, foi tudo sobre ela - disse o tipo. - E não estou a falar da Sissy.
- Sim - Eddie assentiu. - Eu sei, mas e em relação...
- Tudo tratado. - O salvador olhava de um para o outro, e ficou quieto por um bocado. Depois disse: - Sabem, quando tudo isto começou, eu não vos queria envolvidos, sempre fui de operar sozinho - ele olha para Ad -, e o teu cantar mexia com a merda dos meus nervos.
- Eeeeeeee finalmente o meu trabalho chegou ao fim - Ad respondeu com um aceno de cabeça.
- Mas sabem, quando estávamos a tentar tirar o mal de dentro de Sissy, eu não o consegui fazer sozinho... vocês os dois estavam lá. Se não estivessem? Eu teria-a perdido. Vocês os dois... salvaram-na comigo.
Okay, agora era Ad quem baixava os olhos. Era apenas demais, ele não era de ficar triste, realmente não. Ele só... Foda-se, os olhos dele choravam, Jim ainda falava, mencionando coisas como sacrifício e pôr o bem-estar primeiro, tudo que, na sua opinião, Eddie e Ad tinham aparentemente feito.
Oh, meu. O cabrão tinha que parar. Tinha mesmo.
Adrian foi até um dos sacos e tirou alguns guardanapos de papel... e, pelo menos, Eddie teve que tirar um para se limpar também. Então, ele não era o único maricas na cozinha.
- Portanto, obrigado - disse Jim novamente. - Eu devo-vos a minha vida.
Ad saiu disparado da mesa e apreciou a falta de dor que houve com o movimento brusco.
- Já chega de conversa. Continua assim e ainda ganhamos um conjunto de ovários ou algo parecido.
Ad abraçou Jim com força, com muita força e depois desviou-se para que Eddie pudesse fazer o mesmo.
- O que é que se passa? - Disse Sissy ao entrar. - Está tudo bem?
Ad olhou para baixo para a mulher. Ela brilhava da cabeça aos pés, apesar de estar vestida com as roupas simples que ele lhe tinha arranjado do Target. Ela era só... uma beleza sem maquilhagem e com o cabelo esticado.
- É hora de dizer adeus, Sissy - ouviu-se dizer.
- Vais algum lado?
Não, pensou Adrian tristemente. Tu é que vais.




Capítulo 52

Por alguma razão, ver Sissy a abraçar cada um dos anjos foi difícil. Mas também, Jim não gostava de ver a sua mulher a ficar chorosa, e era óbvio que ela amava os tipos, mesmo que não os tivesse conhecido durante muito tempo. A guerra, no entanto, podia unir pessoas de forma forte e rápida.
- Irei ver-te algum dia? - Ela perguntou a agarrar um dos guardanapos que Ad lhe oferecia.
- Não sei, talvez - Ad murmurou enquanto ela limpava os olhos.
Houve uma longa pausa, e Jim soube que tinha mesmo que sair dali antes que se fosse abaixo também.
- Anda - disse ele roucamente a puxar o braço dela.
- Para onde vamos?
- Apenas... vem comigo.
Ele guiou-a até à porta da frente, a parar só para um último adeus a Eddie e Adrian, que estavam na cozinha com todos aqueles donuts.
- Jim? O que foi? Estás a assustar-me.
Quando emergiram no vestíbulo, o relógio de pêndulo começou a tocar, e ele fechou os olhos.
Oh, não! Não contes... não interessa... não contes...
Um, dois, três...
- Jim? Estás bem?
... quatro, cinco, seis...
- Jim?
... sete, oito, nove...
- Okay, é oficial - disse ela. - Estou assustada.
Ele apontou o indicador no ar.
... dez, onze...
- Jim?
... doze.
Depois de um momento de nada, a não ser puro e maravilhoso silêncio, ele abre os olhos e vê apenas ela.
- Oh, obrigado Deus.
- O quê?
- Conto-te mais tarde.
Levando-a para a luz do sol quente de Primavera, ele dirigiu-a às escadas da frente e fê-la sentar-se, exactamente como tinham estado antes. Meu Deus, que longa distância que percorreram até chegarem ali, lado a lado novamente.
- Jim?
- Lembras-te quando passámos por tua casa na minha mota?
Ela assentiu com a cabeça, e penteou o cabelo para trás. Os seus olhos eram uma mistura complicada de tristeza e paz.
- Sim, agradeço-te por isso. Disse-te obrigada?
- Sim, disseste.
- Foi bom ver a minha família a dormir profundamente, sabes? Deu-me alguma esperança que, talvez com o passar do tempo...
- Quero que passes a eternidade comigo.
O sorriso que ele recebeu em troca foi grande e instantâneo.
- Estás a pedir-me para casar contigo no sentido imortal? Porque, se tiveres, a minha resposta é sim. - Ela inclinou-se e beijou-o nos lábios uma vez, duas vezes. - Um grande sim.
- Mesmo que signifique... talvez não veres a tua família?
- Queres dizer, algo como ir contigo para oeste? - Sissy suspirou profundamente. - Bem, a verdade é que, não posso realmente ver mais, pois não? Não é como se... estivesse com eles. De facto, é quase tão doloroso como permanecer em Caldwell. Portanto, sim. Não acredito que estou a dizer isto... sim, acho que gostaria de sair da cidade.
- Tens a certeza?
Ela ficou silenciosa por um momento. Depois olhou para ele:
- Eu aguento tudo desde que esteja contigo.
Por um longo momento ele memorizou o rosto dela, a forma como a luz da tarde caía sobre a sua testa e faces, a beleza dos olhos azuis, a curva da boca que ele tinha beijado durante horas.
- Okay - ele murmurou. - Fecha os olhos e segura a minha mão... - Um grande girar, e um segundo depois ele disse-lhe: - Abre-os agora.
As pálpebras dela abriram-se lentamente e ela encolheu-se com o facto da paisagem ter mudado completamente, sendo um choque.
- Onde é que... aquilo é um castelo?
- Sim, é. Anda.
Ele ajudou-a a levantar-se e guiou-a através da relva verde brilhante do Céu, apoiando-a à medida que ela esticava o pescoço para olhar para cima, para o céu azul brilhante.
- Isto é o sítio mais bonito que já vi.
Engraçado, ele não tinha realmente reparado nisso... até ter chegado ali com ela.
Ele pararam ao chegarem a um fosso que percorria toda a antiga fortificação, a água tão transparente que se conseguiam ver as carpas, nadavam com as suas barbatanas de borboleta a acenar para trás e para a frente nas correntes invisíveis da água.
Houve um retubante som a vir de cima, e de seguida, o barulho de grandes ligações de correntes a passar por um sistema de roldanas.
A ponte sobre a água desceu lentamente, como se lhes desse tempo para reconsiderarem. E ele pensou que deveria avisá-la do que estavam prestes a fazer... só que, quando ele olhou para ela, lágrimas caíam das suas faces.
- Isto é o Céu, não é? - Ela disse com voz embargada.
- Sim. Quando atravessarmos... não há como voltar. Tens que esperar que a tua família venha até ti.
Ela limpou o rosto com as mãos.
- Mas eu pensei que não tinha permissão.
- Nigel disse que és bem-vinda. És pura... agora. Tirámos o mal de dentro de ti. De dentro de mim, também.
Sissy começou a rir-se por cima do choro.
- Estás a falar a sério? Tu vais...
- Sim. - Ele sorriu para ela. - Então, o que dizes? Queres dar o salto comigo?
Ela olhou para cima, para ele.
- Eu amo-te.
- Vou considerar isso um sim. - Com a ponte a aterrar com um som surdo de um peso pesado, ele indicou-lhe o caminho com uma mão galante. - As senhoras primeiro.
Sissy hesitou por um momento. E depois, explodiu em risos e dança, o espírito dela a ressoar ao atravessar as tábuas, anciãs e bem gastas, com tanta alegria que ela o aqueceu por dentro, também.
Jim sacudiu a cabeça e teve que sorrir quando deu o primeiro passo. Um segundo passo. Um terceiro passo. Não foi assim que ele tinha imaginado o fim, mas meu, ele aceitava isto sobre qualquer tipo de sonho que tivesse tido.
Andando sem parar, estando a alguns metros da sua mulher, descobriu que quanto mais atravessava a ponte, mais longe o destino parecia ficar, como um tipo de distorção que começava a trabalhar. Excepto que, de repente, ele olha para trás e a erva verde e o céu azul e as árvores pareciam estar a mil quilómetros de distância.
Ao virar-se, ele...
Pára completamente.
Sissy estava andar mais devagar... e depois parou com algum tipo de névoa iluminada a ameaçar eclipsá-la. Com uma súbita explosão de puro terror, Jim atravessou as tábuas para alcançá-la...
Só que ela não estava em perigo.
Na verdade, ela parou porque havia uma figura parada no ar espesso e giratório à sua frente.
Uma mulher.
E Jim sabia exactamente quem era.
Fechando os olhos, ele afunda-se na própria pele, todos os ossos a cederem. Quando ele abriu os olhos e descobriu que a presença ainda ali estava, ele sentiu-se como se não fosse capaz de andar. E, no entanto, ele o fez.
Ele teve que manter a mão na boca para evitar o pranto.
Finalmente, ele também estava à frente da figura.
Baixando a mão, ele disse numa voz apertada:
- Mãe.
A sua mãe não chorava. Ela sorria, o sorriso brilhante como o sol que ele e Sissy tinham deixado para trás... ela sorria, e ela estava inteira e saudável, o corpo dela reparado, o cabelo brilhante, os olhos cintilantes.
- Tenho estado à tua espera, Jimmy. - Com isso, ela envolve os seus braços em torno dele e abraça-o com força, ainda que fosse ele a ter o corpo grande. - Oh, filho... está tudo bem. Tu estás bem... tudo está bem.
Ele perdeu-se por completo.
Mas ela amparou-o, e Sissy também ali estava, a massajar-lhe as costas, dando-lhe apoio.
E depois, a coisa mais milagrosa aconteceu.
Numa assentada, todo o sofrimento desapareceu, toda a tristeza e a dor a serem tiradas dele, e ele tornou-se leve e flutuante como a névoa à sua volta.
Afastando-se, ele toca no rosto da mãe, no ombros, nas mãos... só para ter a certeza de que ela era real. E ela era.
Depois, virou-se para Sissy e puxou-a para perto dele.
- Ah, mãe. Esta é a minha Sissy.
- Olá - disse Sissy a oferecer a mão. - Estou tão...
A sua mãe foi como sempre tinha sido. Puxou Sissy para ela e abraçou-a.
- Sei que estás separada da tua família, mas quando perceberes que isto é para esperares por eles? Torna a distância mais fácil de suportar.
Pela primeira vez em cerca de trinta anos, Jim respirou profundamente.
- Vocês os dois, vamos lá - disse a mãe dele, indo para o seu outro lado. - Vamos vos acomodar. Vão adorar estar aqui.
Com a mãe a insistir, ele e Sissy caminharam para a bruma. E ao avançarem, ele olhou para  a sua mulher, dando-lhe um aconchego antes de a beijar na boca... e quando ela lhe sorriu de volta?
Bem, agora era como se dizia lá em casa: prova de que Deus realmente existe.
- É tudo sobre o amor - estava a mãe dele a dizer. - Não interessa de que lado estejas; é tudo sobre o amor.
Ámen, ele pensou ao entrar no Céu com as duas pessoas que mais importavam para ele.
Ámen para isso.


Fim




Pois é, chegou ao fim. Mas acredito que haverá mais coisinhas boas vinda da nossa Nightshade.

Até à próxima sombra...

*Nasan