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Leia tudo sobre o novo livro da nova saga da IAN: "Beijo de sangue"

Anjos Caídos " The Fallen Angels"

Aqui podes espreitar alguns capitulos traduzidos. Esperemos que gostes

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

IMMORTAL - Gostinho 27

Saudações Amantes da Irmandade!

A nossa Nighshade referiu em comentário, que o próximo cap. seria o 28. Contudo ela mencionou que se enganou e que na realidade é o 27.

Por isso fica aqui então o aviso, antes que venham perguntar onde anda o 28 ou afins, hihi.


Indo a mais um assunto. Apenas posso dizer que tenho pena de ter estes pequenos pedacinhos de IMMORTAL, que são aqui publicados, gostava mesmo de poder ler toda a historia seguida, saber cada pormenor, e muito mais. 
Resta-me apenas dizer, e desejar que a editora reconsidere e publique este ultimo livro. É tão injusto não o ter, é tão injusto ter apenas estes pedacinhos para aguçar a nossa curiosidade. 

A nossa Nighshade tem sido o nosso anjo, sim isso mesmo, anjo. Porque sem ela não haveria estas maravilhas e nos deixam ansiar por mais. Mas é tudo o que podemos fazer, é dar estes pedacinhos. E tudo o que podemos fazer é pedir a vossa ajuda, na divulgação de IMMORTAL, na divulgação de The Fallen Angels, para que assim que sabe, a editora nos dê ouvidos e lance este menino cá.




Immortal 6

Capítulo 27


- Posso ajudar.
Não foi uma pergunta. E a atitude encontrava-se mais na linha do «Que está aqui a fazer?»
Jim, ao parar no chão de mármore brilhante do vestíbulo do hotel Freidmont, olha para o Sr. Oficioso que comandava a recepção. O tipo vestia um fato preto discreto com uma identificação dourada, uma camisa branca brilhante e uma gravata preta, como se fosse o maître de uma casa funerária.
- A entrada de serviço é nas traseiras - foi a indicação.
Eeeeee é por isso que era melhor ficar invisível.
- Estou aqui para ver um hóspede - murmurou Jim avançando para os elevadores.
- Desculpe - disse o homem, apressando-se para fora do balcão.
Jim esticou o braço e com a mão fez o sacaninha ficar quieto. Depois, com um giro rápido e um empurrão metafísico, enviou o engravatado de volta à sua estação.
Jim toma e elevador em vez das escadas.
Por um lado, porque o conjunto de portas ornamentadas abriu-se de imediato, como se soubesse que precisava de boleia. Ha-Ha. Por outro lado, quanto mais perto ficava do demónio, mais atrapalhado se sentia e isso limitava os seus poderes ao ponto de ficar susceptível como o cabrão da recepção.
Entretanto, ele carrega no botão que diz PH e olha para a linha de números por cima das portas, com uma série de dings suaves. O progresso da subida do edifício antigo era lento e estável.
O seu temperamento subia também.
Havia espelhos em todo o interior do elevador e ele evitou olhar para si mesmo. Não queria pensar em mais nada a não ser na mensagem clara que daria a Devina… e o reflexo da sua barba por fazer e do seu ar exausto lembrava-o demais do quão perto estava do esgotamento.
Olhando para cima, de forma a ficar a olhar para as esculturas da madeira ornamentada do tecto, murmura:
- Nigel, espero bem que me apoies.
Com um ding final a coisa parou com um balanço e as portas abriram-se silenciosamente. O corredor em frente era feito com o mesmo material sombrio, castanho e dourado como o vestíbulo, a carpete em remoinhos, as paredes listradas, os acessórios em cristal.
Ele estava a cagar para aquilo.
No fim do corredor, ele faz um punho e bate na porta com força.
Com um clique, a coisa desbloqueou-se e abriu-se sozinha. A sala do outro lado com o seu imobiliário elegante, bar e vista sobre o rio, estava iluminada por velas que flamejavam. R&B tocava em colunas escondidas e um tipo de cheiro sensual enchia o ar.
E lá estava ela.
O demónio estava sentado numa cadeira, completamente nu, com as pernas à Sharon Stone, recostado para trás e apalpando os seios.
- Saudades minhas - disse Devina, arrastando as palavras.
Ele fechou a porta com um pontapé.
- Que merda estás a fazer?
- Estou à espera que digas um «olá» como deve ser. De preferência com alguma penetração. - Uma das mãos dela foi para o centro das pernas. - Estou à espera.
- Precisas de te afastar da Sissy.
O demónio exalou uma imprecação.
- Ela outra vez. Olha Jim, não há razão para fingir, não é como se o Adrian estivesse aqui. Ou aquela rapariguinha idiota.
Ele caminhou até ao mal, mas não chegou muito perto.
- Tu não me vais querer desafiar nisto. Sissy está fora do teu alcance.
Devina fechou os olhos. Depois cruzou as pernas.
- Está mesmo? Desde quando é que és tu a definir as regras?
- Queres-te atirar a mim, porreiro. Mas deixa-a em paz.
O demónio saltou ficando de pé e desfilou até ao bar, os seus sapatos vermelhos altíssimos a fazerem barulho no mármore e a ficarem silenciosos nas áreas atapetadas.
- És um verdadeiro filho da puta, Jim. - Ela derramou um líquido claro de um shaker de prata para um copo de martini. A azeitona que atirou era da cor verde-tropa. - Achas que sou maléfica? O que chamas a um homem que é infiel, directamente na cara da sua amante, huh?
Ele riu-se duramente.
- Como se tu e eu estivéssemos numa relação.
- Nós estamos numa relação.
- És louca. Quero dizer, realmente, és como… és completamente louca.
Devina ficou quieta e desperdiçou algum tempo num longo gole do copo cuja borda era afiada como uma faca. Os seus olhos negros brilhantes sempre colados em Jim.
- Tenho outros planos para nós esta noite - ela murmura -, mas parece que vamos ter que fazer isto da maneira mais difícil.
- Se estás a falar de sexo, isso não vai acontecer.
- Já disseste isso antes. - O seu tom era de aborrecimento quando pousou o copo e contornou o bar. - Só quero que saibas que tudo isto é culpa tua.
- Desculpa? De que puta de merda é que estás a falar?
- Isto tudo é por tua conta. - Num sofá coberto de seda, ela abaixa-se até uma mala enorme e começa a vasculhar. - Ah sim, aqui está.
Quando ela se vira para ele, segurava numa mão o ornamento do capô do Mercedes, e na outra, uma faca de cozinha.
- Que caralho é que estás a fazer? - Exigiu ele saber.
- Não reconheces isto? - Ela mostra o círculo com as três partes divididas. - Pertence ao meu carro.
- Então, mostra-o ao teu mecânico. Que me importa isso?
- Estás a ser, seriamente uma decepção agora, sabias disso? - Ela regressou ao bar e colocou o objecto num cinzeiro. - Não te lembras da outra noite?
- Desculpa. Tenho andado a tentar esquecer todos os momentos que passei na tua presença.
Ela fechou os olhos como se lhe doesse o peito. Mas depois pareceu recompor-se.
- Tu e eu tivemos alguns arrufos e fui algo agressiva com o meu carro.
- Sim, tentaste passar-me a ferro.
- Sim, tentei. E acontece que, tu foste simpático o suficiente para me deixares uma pequena lembrança.
Sons de alerta começaram a ressoar na cabeça dele quando começou a juntar dois mais dois e o resultado ser igual a fodido para ele.
Mas era tarde demais.
- E isto já provou ser bastante útil.
Antes que ele pudesse reagir de forma proactiva, ela derrama um pouco de álcool no topo da peça de metal prateada e cospe uma bola de fogo para a coisa.
Instantaneamente, Jim ficou em chamas. Mesmo com a pele a permanecer intacta, ele sentiu-se a queimar até aos ossos, a dor incapacitando-o e levando-o até ao oriental falso.
- Como podes ver, Jim, não fui eu que fiz com que Sissy fizesse parte disto. Foi o Criador. Portanto, a culpa não é minha e não há nada que possas fazer para mudar isso.
Contorcendo-se numa bola, ele não encontrou alívio, então endireitou-se, tentando diminuir a agonia. No fim, tudo o que podia fazer era cerrar os dentes e tentar não gritar, especialmente quando ela se aproximou, aqueles saltos-altos vermelhos-sangue a pararem bem perto da cara dele.
Ajoelhando-se, ela atira alguns dos seus cabelos para trás do ombro e coloca o cinzeiro no chão ao pé dele.
Se ele, pelo menos, lhe conseguisse chegar…
- Oh, não - disse ela, afastando o fogo do alcance dele. - Não, isto é o meu brinquedo. Tal como tu.
Como a cabra doentia que era, ela começou a masturbar-se, vendo-o a sofrer, indo até ao ponto de se deitar ao lado dele, os seus seios perfeitos a arfarem, o seu corpo a ondular, enquanto se tocava na carpete com ele a grunhir e a praguejar com dor. E depois, antes de se vir, ela agarra no pénis dele, apalpando-o como se isso o fosse excitar ou alguma merda assim.
Enfraquecido pela agonia, com a cabeça à roda devido à dor, ele não conseguia coordenar os braços e as pernas para a tirar dali.
Quando ela se veio, gritou o nome dele em plenos pulmões, quase como se esperasse que Sissy a conseguisse ouvir por magia.
E, de seguida, houve um momento de calma e ela olha para ele como se fosse uma sobremesa. O que quer que fosse, ele estava quase a desmaiar quando ela coloca o braço dela sobre a cara como se não conseguisse acreditar a quão bom tinha sido.
Merda, era a oportunidade que ele estava à espera. Sacudiu-se na direcção do cinzeiro…
- Não é para ti - disse ela com um sorriso. - Não, não, isso é meu.
Esticando os lábios, ela inclina-se para o cinzeiro… e sopra as chamas de uma só vez.
O alívio foi instantâneo, a sensação de queimar a deixar o corpo dele no segundo em que já não havia nada para além de um fio de fumo sobre o emblema do Mercedes. Excepto que, o estrago já estava feito. Apesar da pele dele não estar pendurada em pregas, ele era uma vítima de fogo, os seus membros com fortes espasmos e a sua visão a focar e a desfocar.
- Oh Jim, eu amo-te.
O tom de voz dela era fodidamente delirante, como se ele lhe tivesse oferecido um conjunto de pérolas ou um casaco de vison, em oposição de ele se ter tornado numa queimadura de terceiro grau, à medida que ela se armava em YouPorn.
Ele estava vagamente consciente quando ela se sentou e ajeitou o cabelo.
- Portanto, esta coisa dá-me bastante controlo sobre ti. Foi uma pena como acabou, se bem que, não tenho a certeza se conseguiria manter a mentira se fodesse com o corpo de Sissy. Mas pronto… - Ela agarra no cinzeiro e depois olha em volta. - Isto vai tomar conta de tudo.
Esticando um braço, ela puxa um lenço de papel da caixa da mesa de café.
- Sei muito bem que isto não te vai fazer ficar parado, por isso, vou ter alguma precaução. - Trazendo o lenço de papel à boca dela, ela fala para a coisa, depois sopra as camadas de papel uma vez, duas vezes… três vezes. - Aqui vamos nós.
No instante em que ela cobre o emblema com o lenço de papel, um peso enorme cai sobre Jim, imobilizando o seu corpo já fraco, mantendo-o no chão, mesmo que, aparentemente, não houvesse nada sobre ele.
Devina pôs o cinzeiro na mesa de café e olhou para baixo, para ele.
- Onde está o teu telemóvel, Jim?
Não havia maneira de responder à pergunta, pois ele não podia abrir a boca ou usar a sua língua. A única coisa que parecia ser capaz de fazer era respirar… isso e ter pulsação.
- Bem, vou ter que te revistar.
Ela montou-o naqueles saltos-altos e inclinou-se para ele, os seios cheios dela a balançarem à medida que ela o vasculhava com as mãos no corpo todo, e não apenas em torno dos bolsos das calças de ganga que ele tinha acabado de mudar.
- Sem telemóvel, bolas. Mas isto… é melhor eu tirar-te esta pequena faca. Só no caso de…
Com um gesto floreado, ela desembainhou a adaga de cristal do sítio onde ele tinha nas suas costas. Trazendo a arma até à cara dele, ela sorriu como um tubarão.
- Estavas a planear usar isto contra mim? Merda, devia de ter mantido o sutiã e as cuecas vestidas, assim tu poderias tê-los cortado. Isso teria sido escaldante.
Ele só podia piscar os olhos, mas o ódio que o consumia devia ser perceptível, porque ela fez aquela merda da rotina do beicinho.
- Oh, vá lá, Jim… temos que manter as coisas apimentadas na cama. Faz os casais aproximarem-se. Li isso num artigo qualquer no Facebook.
Jesus Cristo, esta puta é…
- Okay, então sem telefone, alguma hipótese de o teres deixado com a tua miúda? Porque isso seria tão conveniente, não fazes ideia como.
Endireitando-se, ela foi até à mala novamente e tirou de lá um iPhone. Depois de marcar, coloca o objecto na orelha.
Quando a chamada foi atendida, ela disse sombriamente:
- Olá, Sissy.
Os olhos dela fixaram-se nele enquanto ele tentava lutar contra às barras inexistentes que o mantinham no chão.
- Penso que precisas de me ver.
Jim cerrou os dentes e lutou com tanta força que os seus ossos doíam, e a única coisa que aconteceu foi o lenço de papel no cinzeiro mover-se ligeiramente.
- Penthouse. Hotel Freidmont, no centro… Vou deixar a recepção saber que te espero. Porquê? - Os olhos dela semicerraram-se. - Porque o Jim está a chegar aqui a qualquer momento, e eu acho que já chega de palhaçadas. Precisas de ver isto com os teus próprios olhos. E antes que perguntes, não, não é uma armadilha. De facto, aposto contigo em como Jim te disse que tinha que sair esta noite, não foi? Por isso, arrasta o teu rabo até aqui e sê a mulher forte que eu sei que queres ser.
Devina terminou a chamada e abanou a cabeça com espanto.
- Tu estás tão danado agora, não estás? Mas não podes dizer nada, não podes fazer nada. Sabes, eu devia de ter tentado atropelar-te com o meu Benz semanas atrás. Isto é tão bom para o nosso relacionamento.
Ela atirou com o telemóvel de volta para a mala e olhou para o corpo dele de cima a baixo.
- E agora, uma mudança de roupas.
Com um aceno da mão dela, ele ficou nu, os seus tecidos a desmaterializarem como fumo com a brisa de ar fresco.
E depois, algo horrífico aconteceu.
Uma onda de náusea atingiu-o bem no estômago, que foi seguida de uma estranha vertigem, uma que parecia afectar a sua cabeça e o seu corpo.
- Santa… merda - suspirou Devina. - Eu sou mesmo boa como o milho.
Demorou um segundo para Jim perceber o que ela estava a fazer. Oh… Foda-se…
- Tenho que te permitir alguns movimentos. Não quero parecer morta. - Ela redireccionou um olhar para o cinzeiro… e subitamente ele podia, se tentasse a sério, levantar a cabeça cerca de dois centímetros da carpete. - Para além disso, quero que admires a minha obra de arte.
Jesus Cristo, não…
Ele havia-se tornado na Devina. Ele tinha o corpo nu dela e o cabelo dela, as suas longas pernas, aqueles malditos sapatos.
Não! Gritou ele sem fazer qualquer som.
- E agora, o meu disfarce.
Num piscar de olhos… ela tornou-se nele. Tudo, desde os seus ombros largos às suas pernas pesadas.
- O que é que achas? - Ela pergunta com a voz dele. - Devemos de nos lembrar disto para o Halloween, não achas?


E o que acharam ein? Aiiiiii meu coração....

Obrigada uma vez mais Nighshade.

Beijão fofo e até a próxima Sombra....

*Nasan

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Nasan na area!

Saudações Amantes da Irmandade,

Sim, estou aqui!! Bem, antes de mais queria pedir desculpas por só agora aprovar comentários, responder a e-mails e afins. É que fiquei sem portátil e já o tenho de volta. Ou seja, ele começou aquecer muito, a bloquear bastantes e pufff, pouco ou nada podia fazer.
Contudo o problema foi resolvido, era a ventoinha que estava hiper mega suja, e então o meu bebe aquecia e desligava-se.

Irei tentar responder a todos os e-mails, desculpem esta ausência. Assim que finalmente estiver tudo organizado, irei tentar estar mais presente e com ideias meio crazys.

Sei também que ainda tenho o video para fazer do encontro da IAN em Lisboa. Como referi o meu portatil estava meio estupido e eu não conseguia fazer nada.

Será que poderiam dar algumas sugestões de musica para o vídeo? Se sim, deixem em comentário meus amores.

Beijo fofo

*Nasan

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Sinopse: The Chosen

Olá pessoal!!!

Tudo bem? Como podem ver pelo título do post já tive acesso à sinopse do livro The Chosen através do site Goodreads, por isso vim-vos entregar a tradução. ;)


----V.P.----
A Irmandade da Adaga Negra teve uma grande vitória em relação à Sociedade Minguante, mas a ameaça ao seu modo de vida está sempre presente e a vida para a irmandade é tão caótica como sempre. Xcor, uma alma torturada e um membro do grupo rival à irmandade, está em custódia a aguardar para ser batido e interrogado. Eles acreditam que ele é uma grande ameaça, mas a Layla sabe a verdade.

Apesar de ela ter acabado de dar à luz dois filhos, pensamentos sobre o Xcor consumem-na. Ele apaixonou-se pela Layla, mas ambos sabem que é impossível estarem juntos, a não ser que a irmandade dê a Xcor uma chance para ele provar o seu valor. A sua conecção pode acabar com a vida de agonizante solidão do Xcor ou destruir tudo o que a Layla tem de importante.


----V.O.----
The Black Dagger Brotherhood has won a major victory over the Lessening Society, but the threat to their way of life is ever-present and life for the brotherhood is as chaotic as ever. Xcor, a tortured soul and a member of the brotherhood’s rival group, is in custody waiting to be beaten and interrogated. They believe he is a major threat, but Layla knows the truth.

Although she has just given birth to two infants, thoughts of Xcor consume her. He has fallen in love with Layla, but they both know it is impossible to be together unless the brotherhood gives Xcor a chance to prove himself. Their connection could end Xcor’s lifetime of agonizing loneliness or tear apart everything Layla holds dear.
----

Que acharam da sinopse pessoal? Por algum motivo parece-me ter uma pitada de novela mexicana. xD

Estou a brincar... Mas acho que vai ter drama a dar com o pau... Vamos lá ver o que sai daqui e como é que isto acaba... Será que as minhas "previsões" vão dar certo, ou será que o tiro foi tão ao lado que foi parar ao espaço sideral?... :P

Por hoje é tudo.

Até à próxima publicação,
Sunshine ;)

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

The Chosen - Capa e excerto

Olá pessoal!!!

Tudo bem?

Viram a ligação que partilhei na página de facebook do blog mais cedo?

Se não, hoje encontrei um excerto do 15º livro da Irmandade da Adaga Negra que chegará às livrarias (em INGLÊS) a dia 4 de Abril de 2017 juntamente com a capa americana do livro.

O excerto pode conter SPOILERS para quem não leu o THE BEAST!!! (Que ainda não saiu em Portugal e que ainda não fomos avisadas da sua eventual chegada cá, mas se for como os outros lá para Fevereiro deve sair [previsão minha, nada definitivo]) Por isso se não querem spoilers é só ver a capa e desaparecer daqui. :)

Na minha opinião, ela não é tão "espectacular" como as outras, mas coise...

E cá está ela: 


O livro ainda não tem sinopse (já fui procurar em mais que um sítio) mas no site em que veio a capa, também veio um pequeno excerto... (Para quem tem estado desatento, ou não se lembra, este livro vai ser mais focado no Xcor e na Layla).

E vamos lá ao que interessa, está bem? ;)

Já aviso que na versão original o texto por vezes está escrito de uma maneira mais "antiga" que eu provavelmente não vou conseguir passar para aqui... (Desculpem)

----V.P.----

Ele nasceu numa noite de inverno, durante uma histórica tempestade de inverno. Nas profundezas de uma cave húmida e suja, à medida que ventos gelados ameaçavam o ventre de terra, a fêmea que o carregava tinha gritado e sangrado para o trazer ao mundo o filho que o Irmão da Adaga Negra Hharm lhe tinha exigido.

Xcor tinha sido quebrado. O primeiro dos seus muitos males e, por ventura, o único que não foi por sua culpa. E ele tinha sido querido... até a sua cara emergir.

Os seus defeitos físicos ofuscou até o triunfo do seu sexo, e dessa forma, o seu progenitor entregou-o ao cuidado do seu eu recém-nascido à sua mahmen como uma maldição, uma punição pela sua incapacidade de gerar uma prole adequada.

E esse foi o início da sua história... que o tinha levado até ali.

Noutra cave. Numa outra noite de Dezembro. E tal como no seu nascimento, o vento uivava para cumprimentá-lo, apesar que desta vez, foi um recobro de consciência em oposição uma expulsão para a vida independente que o acordou.

Tal como uma cria recém-nascida, ele tinha pouco controlo sobre o seu corpo. Incapacitado estava ele, e isso teria sido verdade mesmo sem as correntes e as barras de metal que estavam a presos sobre o seu peito, as suas ancas, as suas coxas. Máquinas, em discrepância com o ambiente rústico, apitavam atrás da sua cabeça, monitorizando a sua respiração, frequência cardíaca e pressão arterial.

A Irmandade da Adaga Negra estava a mantê-lo vivo... para o poderem matar.

E à medida que o seu cérebro começava a funcionar de baixo do seu crânio, enquanto os pensamentos finalmente se aglomeraram e formaram pensamentos racionais, ele recordou-se da série de acontecimentos que o colocaram a ele, o líder do Bando dos Bastardos, na custódia do que tinha sido seu inimigo: um ataque que lhe foi feito por trás, uma queda que provocou uma concussão, um AVC ou algo semelhante que o tornou propenso e em suporte de vida à mercê, não existente, dos Irmãos.

Xcor recobrou a consciência uma ou duas vezes durante o seu cativeiro, mas a conexão na sua arena mental tinha sido insustentável por grande períodos de tempo.

Isto era diferente. Ele conseguia sentir a mudança dentro da própria pele. O quer que fosse que tinha sido danificado tinha finalmente sido curado. Ele tinha voltado da paisagem enevoada que não era nem-vida-nem-morte.

Mesmo com os seus olhos fechados, ele não podia fingir estar inconsciente para sempre.

- ... o que me preocupa de verdade é o Tohr.

O final de uma frase proferida por um macho entrou no seu ouvido como uma série de vibrações, e a tradução delas estava com atraso. Mas o nome...

- Nah, ele é rijo. - Houve um som de um arranhar suave seguido do cheiro rico a tabaco. - E se ele falhar, eu estarei lá.

A voz profunda que tinha falado primeiro ficou seca. - Para o acorrentar de volta na linha... ou para o ajudar a assassinar o pedaço de carne?

O Irmão Vishous... sim, era ele quem era... rio-se como um assassino em série. - Que visão fodidamente sombria tens de mim.

Era de estranhar que eles não se intendessem melhor, pensou Xcor.

Mas, mais uma vez, a Irmandade e os Bastardos tinham estado em lados diferentes do reinado de Wrath. Na verdade, a bala que o Xcor tinha colocado na garganta do líder por direito da raça vampírica tinha sido um evento clarificador quando se tratava de afiliações.

Desde aquela altura, contudo, tinha existido uma força de contrária que intercedeu no seu destino.

A imagem que lhe veio à mente foi de uma fêmea alta e esbelta com as vestes brancas de uma das Escolhidas da Virgem Escrivã. O seu cabelo loiro ondulava a baixo dos seus ombros e arrastavam-se na brisa gentil, e os seus olhos eram da cor de jade, e o seu sorriso era uma bênção que ele nada tinha feito para merecer.

A Escolhida Layla tinha mudado tudo para ele, remodelando a Irmandade de alvo para tolerável, de inimigo para um inclino co-existencial no mundo.

Ela tinha tido mais efeito na sua alma negra que toda a gente que tinha aparecido antes dela, evoluindo-o uma distância maior num espaço de tempo mais curto do que ele alguma vez teria pensado possível.

- Eu quase que quero que o Tohr apareça aqui e o despedace. Ele ganhou esse direito.

O Irmão Vishous praguejou. - Todos nós ganhamos. Traidor de merda. A parte mais difícil disto vai ser garantir que haja alguma coisa que sobre no final para o Tohr ter.

E aqui estava o problema, pensou Xcor por trás das suas pálpebras fechadas. A sua evolução era desconhecida aos seus antigos inimigos... e a única maneira de sair deste cenário mortífero seria revelar o amor que ele tinha encontrado com uma fêmea que não era dele, nunca tinha sido, e nunca irá a ser.

Mas ele não iria sacrificar a Escolhida Layla por ninguém.

Nem mesmo para se salvar a si próprio...

Excerto retirado do The Chosen (A Escolhida) da J.R. Ward.
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Para quem quiser ver a versão original encontra-se neste site:

http://www.ew.com/article/2016/08/10/excerpt-jr-ward-chosen-exclusive

Isto demorou, mas consegui traduzir tudo hoje. Nem sequer estava à espera de ter "notícias" tão cedo, mas gostei do que saiu. xD

E por hoje é tudo pessoal!!!

Até à próxima publicação,
Sunshine  ;)

sábado, 6 de agosto de 2016

Uma carta da J.R. Ward - Primeira Newsletter

Olá pessoal!!!!

Tudo bem?

Desculpem o atraso.... 

Dia 26 de Julho recebi a primeira Newsletter da Ward onde ela mandou uma carta a falar sobre como se lembrou da série The Bourbon Kings e como a história foi criada... O segundo livro da série, The Angels' Share, foi também publicado passado dia 26 de Julho e teve direito a evento dia 30 de Julho. 

E porque é que eu não coloquei isto mais cedo? (Perguntam vocês)

A resposta é simples... Na altura em que me mandaram o e-mail estava a stressar porque os meus pais me iam buscar a França e tiveram uma avaria no carro em Espanha... E para compensar o carro só iria ficar pronta na sexta... e eu estava no local de estágio a "ananhar" e stressar e não tinha cabeça para mais nada... Depois lá a coisa se resolveu e estive em viagem e só voltei a casa na terça feira desta semana (2 de Agosto). Depois foi uma questão de arrumar as tralhas, estar um pouco bom os bichinhos, apanhar uns pokemons que eu já queria fazer isso há quase um mês e não podia!!!! Ir à Viagem Medieval em Terras de Santa Maria também é um must todos os anos para o pessoal daqui...

Ou seja... Estive ocupada e/ou sem cabeça para traduzir...

MAS!!! Depois de acabar de escrever a minha fanfic de Twilight (processem-me se se atreverem!!!) finalmente coloquei mãos à obra... E aqui está o resultado:


----V.P.---

Uma carta da J.R. Ward:


Eles conquistaram-me com o lago dos lírios….

O ano era algo a norte de 1980, mas definitivamente a sul dos noventas. Eu tinha doze? Treze? E era uma viciada em Dynasty*. A partir do final da primeira temporada quando a primeira mulher de Blake apareceu no tribunal (apesar de a cara dela não ser mostrada) até ao confronto matriarcal da Joan Collins nos episódios seguintes, eu estava completamente agarrada: as grandes ombreiras (vestuário), as jóias enormes, os segredos obscuros e as deslealdades… eu não conseguia ter o suficiente. Mais alguém se lembra quando o Adam pintou aquele escritório com motivos náuticos e os vapores fizerem o Jeff ficar maluco?

De qualquer modo, Alexis e Krystle acabaram no lago dos lírios, as duas mulheres abastadas e bem vestidas (uma a ex-mulher e a outra a mulher actual do Blake Carrington) atacaram-se uma para a outra como dois lutadores dentro de uma jaula, brincos perdidos na água, roupas arruinadas, o cabelo como perucas de Halloween. Foi espectacular.

Passaram-se anos… décadas também… e eu transitei da profissão de advogada para escritora a tempo integral. A Irmandade da Adaga Negra apareceu na minha cabeça, e eu escrevi também as outras séries. A vida era boa!

Eu também me mudei para sul da linha Mason-Dixon e fui exposta a todos os tipos de coisas e tradições Sulistas… incluindo o bourbon. E a fabricação do bourbon.

Algures no meio do caminho, os meus Rice Krispies# começaram a mostrar-me coisas. Elas eram imagens de uma família em desordem, onde as funções de toda a gente foram alteradas, e as fundações da sua identidade como aristocracia Americana foi abalada até ao fundo. Ao ver aquilo desenrolar-se na minha cabeça, ocorreu-me que dramas familiares mereciam um retorno, e eu lembro-me de tentar “vender a ideia” à minha editora quando ela me veio visitar. Ele ficou um pouco surpreendida porque não era paranormal, mas ela viu o potencial e foi muito encorajadora.

A série The Bourbon Kings está muito na onda da Dynasty, mas é moderno e relevante para os dias de hoje. Afinal, alguns dos conflitos na série de TV que eram tão chocantes naquela altura seriam corriqueiros agora, e uma das coisas que adoro nos livros (The Bourbon Kings e The Angels’ Share) é o quão fortes e independentes as personagens femininas são. Estas histórias são também muito sinuosas e com grandes reviravoltas na sua trama. Enquanto estou a fazer o rascunho, estou muitas vezes de queixo caído porque no instante eu penso que conheço uma determinada pessoa, saltam-lhe as rolhas e tornam-se noutra pessoa diferente! Eu espero que dêem uma oportunidade a estes livros se ainda não o fizeram; eu certamente diverti-me imenso a escreve-los. E se gostam de romance e suspense, e de serem imersos na vida Sulista, então esta série é mesmo para ti!

Melhores cumprimentos,
J.R. Ward

*Dynasty – série de televisão americana produzida pela emissora ABC, sendo transmitida de 1981 a 1989. Podem consultar mais sobre a série aqui: Dynasty wikipédia
#Rice Krispies – quadrados de cereais e marshmallows que é vendido nos EUA

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---V.O.---
A Letter from J.R. Ward:
They had me at the lily pond. . . .

The year was something north of 1980, definitely south of the nineties. I was twelve? Thirteen? And I was a Dynasty addict. From the end of the first season where Blake’s first wife appeared in court (though her face wasn’t shown) to Joan Collins’ matriarchal smackdowns of subsequent episodes, I was all in: the big shoulder pads, the enormous jewels, the dark secrets and double dealings—I just couldn’t get enough. Does anyone else remember when Adam painted that office with nautical stuff and the fumes made Jeff go nuts?

Anyway, Alexis and Krystle ended up in the lily pond, the two well-dressed, wealthy women (one the ex-wife, the other the current wife of Blake Carrington) locked on each other like a pair of cage fighters, earrings lost in the water, clothes ruined, hair like Halloween wigs. It was awesome.

Years passed—decades, too—and I transitioned from being a lawyer to writing full time. The Black Dagger Brotherhood showed up in my head, and I wrote other series, too. Life was great!

I also moved south of the Mason-Dixon line and was exposed to all kinds of Southern things and traditions . . . including bourbon. And bourbon making.

Somewhere along the way, my Rice Krispies started showing me things. They were images of a family in turmoil, where everyone’s role got shifted around, and the very foundations of their identity as American aristocrats were rocked to the core. Seeing it roll out in my head, it occurred to me that family dramas deserved a comeback, and I remember pitching the idea to my editor when she was down visiting me. She was a little surprised because it wasn’t paranormal, but she saw the potential and was very encouraging.

The Bourbon Kings series is very much in the Dynasty vein, but it’s modern and relevant to today. After all, some of the conflicts in the TV show that were so shocking back then would be dated now, and one of the things I love about the books (THE BOURBON KINGS and THE ANGELS’ SHARE) is how independent and strong the females are. These stories are also very twisty and turny with the plotting. As I’m drafting, I am often slack-jawed because the instant I think I know a given person, they corkscrew on me and become someone else! I hope you’ll give these releases a try if you haven’t already; I certainly have a blast writing them. And if you like romance and suspense, and being immersed in Southern life, then this really is the series for you!

Best,
J.R. Ward 

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Eu ainda estive a cuscar a ver se havia uma transcrição do evento de lançamento, mas até agora nada.... Por isso tão cedo não devo ter nada para vocês... :/ 

Houve, há uns tempos, um zun zun de que, a partir de Setembro, iria haver mais bocadinhos da vida do quotidiano da Irmandade e do Lassi. Espero que seja verdade, porque assim teríamos "docinhos" enquanto esperamos pelos novos livros, não é verdade?

Bem, por hoje é tudo e eu vou tentar dormir porque, apesar de ser domingo, acho que amanhã vou ter que acordar cedo para ir para casa dos meus avós...

Por isso...

Fiquem bem e até à próxima publicação,
Sunshine ;)

terça-feira, 12 de julho de 2016

The Bourbon Kings: Angels' Share e Encontro da Irmandade no Porto

Olá pessoal!!!!

Tudo bem convosco?

Desculpem a minha ausência, mas mês passado fui um bocado movimentado e ainda fiquei doente na última semana do mês e desde então ando-me a arrastar pelos cantos... Por algum milagre semana passada "animei" mas agora estou cansada outra vez... Oh vida... *suspiro* Estou a precisar de férias... O que me vale é que o meu estágio está quase a acabar e não tarde a nada estou de volta a Portugal!!!! \o/

Para o pessoal que foi ao Encontro de Lisboa deste ano fiquem a saber que já acabei de escrever a carta, tanto em inglês como em Português, já pedi a alguém para a reler (porque comigo escrever é sinónimo de erros, e por algum motivo não consigo "corrigir" isso de maneira nenhuma é frustrante como o raio!!! Mas continuando...) e já está com a Nasan! Agora é esperar que a bandeira lhe chegue às mãos para ela escrever e mandar para a Leya para seguir os EUA. :)

Esta publicação é a pedido de "algumas famílias" lá no grupo do facebook da Irmandade que pertence a este blog maravilhoso (olha eu a dar graxa às chefinhas)

Está para sair o segundo livro da saga da Ward The Bourbon Kings que terá como título The Angels' Share (A Porção dos Anjos).

O livro tem a publicação nos Estados Unidos da América prevista para dia 26 deste mês, como já foi dito numa publicação anterior. Quem a quiser ver e não quiser procurá-la basta carregar AQUI para lá aceder. Lá tem a capa, a sinopse traduzida e a data de lançamento.

O Virtual Signing do livro ainda está activo para quem estiver interessado em obter uma cópia do livro assinada. (Se estiverem interessados é melhor andarem sempre em cima do "estado da encomenda" uma vez que receberem a notificação que foi expedida porque, ao que parece, tem havido problemas com a alfandega portuguesa.) O site do Virtual Signing pode ser acedido AQUI!.

Também vai haver uma sessão de Q&A com a Ward dia 30 de Julho deste ano, no sábado após a saída do livro. Na página do evento no facebook também está lá a referência a Irmãos e aos Anjos. A Morceguinha tem estado ausente por isso provavelmente só no dia seguinte é que vou ter acesso ao que foi dito no evento. E como em principio vou estar de viagem para Portugal pode demorar a parecer por aqui. (Sim pessoal, vou de carro para Portugal. Os meus pais vêm buscar-me de carro porque, por incrível que parece, fica mais barato do que eu ir de avião para lá...) Mas vem para aqui, não se preocupem. :D

Agora quando ao Encontro da Irmandade no Porto!

O Encontro vai ser dia 3 de Setembro deste ano.  Como a nossa Katley trabalha a partir das 16h ela quase que só vai conseguir almoçar com o pessoal que estiver interessado. Eu vou ao almoço apesar de ainda não termos decidido o sítio. Vamos esperar que mais alguém diga se nos quer, ou não, aturar ao almoço para decidir o melhor local. ;)

Como o almoço vai fazer parte do encontro combinou-se a hora de início às 12h. NÃO É OBRIGATÓRIO IR ALMOÇAR CONNOSCO!!! É só para quem estiver interessado. Quem não quiser almoçar pode ir ter connosco aos jardins do Palácio.

O que precisam de fazer para ir? Nada para além de aceder à página do encontro no face, dizer que vão, responder ao questionário que lá coloquei a perguntar quem é que quer almoçar connosco e caso queiram ir mas não almoçar coloquem uma mensagem no evento a dizer isso mesmo e combinamos um local para nos encontrarmos. Simples, não?

Em baixo está uma hiperligação para a página do evento.


Por hoje é tudo...

Até à próxima publicação,
Sunshine ;)

sexta-feira, 1 de julho de 2016

IMMORTAL - Gostinho 19 e 20

Saudações Amantes da Irmandade!

Quanto a vocês, eu não sei, apenas sei que eu estou a ficar completamente apaixonada por IMMORTAL.
Obrigada à nossa maravilhosa
Nighshade.  
Dois Docinhos num só, aproveitem bem!



Immortal 6

Capítulo 19

- Devina, eu quero ajudar o melhor que posso, mas é um desafio se não falares.
Devina, sentada no sofá cor de creme da sua terapeuta, sabia que a mulher tinha razão. Afinal de contas, humanos não podiam ler mentes. Mas merda, por onde começar?
- É algum contratempo com o teu trabalho? - Murmurou a terapeuta. - Sei que disseste que um colega teu de trabalho está a tentar ultrapassar-te para ganhar a posição de Vice-Presidente. Ou é um problema com o homem que mencionaste?
Ah sim, uma feliz lembrança do quanto ela tinha que guardar para si, de forma a evitar rebentar com aquele pequeno cérebro «mestre-de-nível-social-de-trabalho» em pedacinhos: Devina havia transformado a guerra na promoção no trabalho, e Jim, a competição para o posto de VP. Depois, quando as coisas entre ela e o salvador tornaram-se quentes e pesadas, ela mudou o rumo para algo mais perto da verdade.
Que Jim era um interesse de romance que não estava a correr tão bem como esperado.
- Sabes uma coisa? É a primeira vez que te vejo assim.
Devina aclarou a garganta.
- Silenciosa, não é?
- Não, sem maquilhagem. És bonita sem aqueles auto-proclamados «melhoramentos». Já alguma vez ponderaste sair assim mais frequentemente?
Devina toca na sua cara.
- Acho que... esqueci-me.
- Tens as mãos com ligaduras, magoaste-te?
- Sim.
- Eu gostava de saber como, Devina. Eu quero ajudar-te.
Deus, a voz da mulher era tão calma como um abraço, o tipo de coisa em que se queria tirar tudo do coração cá para fora, mesmo que não fosse da sua natureza fazê-lo.
- Tive um acidente com tudo o que possuo.
As sobrancelhas da mulher subiram da sua cara rechonchuda. Hoje, mais uma vez, vestia um conjunto largo, com um casaco que caía até ao chão e uma blusa, que provavelmente, tinha sido uma tenda numa vida anterior. Tudo estava em tons de castanho, tal como as paredes do consultório, a carpete, o par de óculos de leitura à volta do seu pescoço. Até a caixa de Klennex era em tons de castanho.
Era como uma fotografia em sépia.
Apesar dos pedaços de madeira de «praia» serem mais dos anos setenta do que terem voto na matéria no que dizia respeito a épocas.
- ... que aconteceu? Devina?
Devina concentrou-se na mulher.
- Tu não sabes quem eu sou, na realidade.
- Não? - A terapeuta sorriu um pouco. - Ficarias surpreendida com o quanto eu sei sobre ti.
Uh-huh. Certo.
- Eu não... amo as pessoas. Não fui feita assim.
- Mas tens amor dentro de ti. - Quando Devina começou a argumentar, a terapeuta abanou a cabeça. - Não, tu amas as tuas coisas... tu tomas conta delas, mantém-las seguras, preocupas-te com elas. Não é saudável, pois indica um componente de vício, mas tens a capacidade de forjares ligações. Infelizmente, tu escolhes objectos, porque é mais fácil, isso é compreensível. Objectos inanimados não partem o coração, nem te traem. Objectos são seguros. Pessoas são complicadas.
Bem, sim, pensou Devina. Mas ela também não era dada a coração ou flores porque, olá!, era maligna.
- Ele ama outra pessoa - acabou por proferir.
- Esse teu homem?
- Por quem eu estou apaixonada... sim, ele ama outra pessoa. Mas ele é meu. Ele é suposto ser meu, não dela.
- Vocês os dois estão numa relação?
- Deveras, muito.
A terapeuta concordou.
- E sentes que ele te foi infiel.
- Ele agora está a viver com a outra. Quero dizer, eu estava com ele quando a conheceu. Eu só nunca esperei que... - Devina puxa o cabelo para trás. - É o seguinte, eu e ele tivemos uma noite romântica no Freidmont, certo? E foi tudo maravilhoso. O melhor sexo que já tive. - Jim tinha-a fodido com tal brutalidade por trás, que a testa dela tinha deixado uma marca no tapete aos pés da cama. - Mas na manhã seguinte? Ele segue para casa para ir ter com a outra. Deixa-me, e vai para casa... para ela. E eu digo-te, ela não é nada atraente. Meu Deus, ela é como um lápis Ticonderoga. Plana. Tão plana, sem curvas e aquele cabelo? Por favor, já vi pêlo de rato melhor que aquilo. É muito constrangedor que ele esteja, actualmente atraído por ela.
- Tinhas a impressão de que estavas a viver uma relação de monogamia com ele?
- Claro que sim. - Como podia ele querer outra que não ela? - Estamos apaixonados.
- Mas ele anda a ver essa outra mulher.
- Sim.
- Então, o que aconteceu para me ligares? Acabaste de dizer que tiveste um «acidente» com todas as tuas coisas?
Devina lutou contra a sensação de se ir abaixo quando se lembrou da confusão na sua cave.
- É bastante mau o facto de ele estar com ela depois daquela noite especial. Eu arrisquei tudo por ele. Quebrei algumas regras sérias para o salvar do... trabalho.
- Falas de mandatos cooperativos, ou estado e leis locais?
Devina considerou que as regras do Criador eram mais como as do FBI.
- Leis bastante altas. Eu salvei-o do trabalho dele... e depois vi como ele foi ter com ela, mesmo à minha frente e...
Okay, ela não queria realmente pensar em Sissy e Jim a terem aqueles sentimentos bons depois de reunidos, depois de ele ter voltado do Purgatório.
Foda-se, ela ia vomitar.
- Ela também trabalha para a empresa?
- Como pôde ele fazer-me isto? - Devina murmurou.
- Sabes, acho que seria mais produtivo concentrares-te só em ti e para onde queres ir a partir daqui. Não podes controlá-lo ou as escolhas dele. No final, as pessoas têm que ganhar o direito de participarem na tua vida, e parece que ele não o está a fazer. Poderá ser uma opção mais saudável evitares contactar com ele e fazeres uma pausa na relação. Com distância vem perspectiva.
- Vai ser impossível não contactar com ele. Pelo menos na próxima batalha.
- Batalha?
- Semana. - Dependendo de quanto tempo demoraria a ganhá-la. - Ou assim.
A terapeuta inclinou-se para a frente, os seus dedos rechonchudos a agarrar os seus óculos de leitura castanhos e dourados.
- Devina, é importante que percebas que não existe alguém para nós. Relações entram e saem das nossas vidas o tempo todo. Algumas são mais dolorosas que outras, mas é assim que aprendemos, que nos conhecemos a nós próprios, o mundo que nos rodeia, e as outras pessoas.
- Mas porque tem que doer tanto? - Disse Devina, deixando cair a cabeça para o lado. - Porquê?
As feições da terapeuta mudaram de repente, uma luz estranha a envolver os seus olhos.
- Eu lamento que estejas a passar por isto, sinceramente, lamento. Eu só acho que não existe outra forma de aprendermos as lições que temos que aprender. - A terapeuta fechou e abriu as hastes dos seus óculos. - Sabes, as pessoas estão sempre a fazer-me essa pergunta, e esta é a única resposta que tenho para dar. Eu queria que fosse diferente, mas quanto mais eu vejo, mais acredito que, tal como as crianças que têm dores no corpo para atingirem a maturidade, as almas das pessoas aprofundam e ganham ressonância da mesma maneira. Para serem desafiadas, para crescerem, para ficarem mais fortes. E isso só vem com a dureza da perda, do coração destroçado, do desapontamento. Tu fazes o trabalho que tens que fazer, Devina. E eu estou muito orgulhosa de ti.
Devina encarou a mulher durante muito tempo. Engraçado, naquele momento, a terapeuta não parecia tão gorducha ao estar sentada no sofá acolchoado. Ela parecia... magnificente... na sua sabedoria.
E ela era sinceramente empática. Apesar de Devina ser só uma das oitocentas e setenta e cinco horas de sessões num dia, a terapeuta parecia, seriamente, preocupada.
- Como é que fazes? - Perguntou Devina.
- Fazer o quê?
- Preocupares-te assim tanto? Não te consome?
Tristeza emergiu, contornando um pouco o seu rosto.
- É o fardo que carrego. É o meu crescimento e a minha maturação... o meu trabalho.
- Fico contente por não ter o teu trabalho.
A terapeuta riu-se.
- Sim, Devina, isto não é para ti.
Devina olhou para o relógio e apalpou à procura da sua mala.
- Tempo de ir. Eu passo-lhe um... raios, onde está a minha carteira?
- Não me lembro de te ver com uma quando entraste.
- Oh, posso passar-lhe um cheque de duas sessões na próxima consulta?
- Na verdade, eu encaminharei tudo para a tua companhia de seguros, agora. Eles tomarão conta disso.
- Oh, óptimo. - Devina levanta-se e hesita. - Não tenho a certeza para onde ir com tudo isto.
- Acredites ou não, isso faz parte da descoberta do teu caminho. Confia em mim. E talvez devêssemos marcar a tua próxima consulta para o final da semana. Que achas?
- Sim, boa ideia. - Mas ia garantir que se maquilhava no próximo tête-à-tête. - Até breve.
- Sê boa para ti, Devina.
Sim, claro.
Ao ir para a porta, ela pára e olha por cima do ombro. A terapeuta não se mexia, não se movimentava do seu sítio no sofá. E no entanto, entre um fechar de olhos... algo mudou. Algo...
Okay, ela estava a perder a cabeça.
Não admirava que tivesse que ser consultada três a quatro vezes por semana.
- Obrigada - murmurou Devina. - Sabes, por um momento...
- Eu sei. - A terapeuta riu-se novamente. - E quero que mantenhas algo em mente. Não parece que esse homem te ame ou te respeite. Reconheço que acreditas que o amas, mas desafio-te a teres, ou não, uma boa bússola no que é realmente correcto para ti numa relação. Eu sei que é difícil avançar quando os sentimentos são muito fortes, mas às vezes é a única forma de nos mantermos sãos. Também estou na disposição de apostar, que se fizeres o trabalho que supostamente tens que fazer, que quando o homem certo aparecer, não só ficarás logo a saber, como vais poder ter uma relação produtiva e saudável com ele.
Devina riu-se rispidamente.
- Não imagino isso, mas obrigada pelo voto de confiança.
- Vejo-te depois de amanhã.
- É um encontro.
Devina sai e deixa que a porta contígua ao consultório se feche sozinha. Ao atravessar a sala de espera, o próximo cliente mantinha a cabeça bem enfiada dentro da revista que estava a ler, como se quisesse que ninguém soubesse que precisava de um psiquiatra.
Tal que nem sequer olhou para ela. Também, ela não estava no seu melhor, nem se sentia no seu melhor.
Pelo menos, teve alguma orientação. A terapeuta estava certa. Ela podia reclamar e queixar-se com as coisas que aconteceram com Jim, e da maneira como se desiludiu com ele, mas era realmente, perda de tempo tentar mudar as coisas. Ela precisava de se concentrar no seu próximo passo em relação à guerra, e isso era ficar por cima do filho da puta, tão simples como isso.
E depois, considerando como Sissy e Jim se estavam a tornar íntimos? Ela sabia exactamente como ia ganhar isto.
Um bocadinho de «mandar à merda» para eles os dois.
Só havia uma coisa que tinha de fazer primeiro: ela teria que lidar com o que fez à sua colecção. Tinha que limpar a confusão espalhada pela cave e a dispersão na sua mente, e essa porcaria era definitivamente, real para ela. Quando estivesse tudo em ordem? Ela ficaria mais que pronta.
Muito obrigado, Jim Heron, seu cabrão.
Ao caminhar pelo vestíbulo do prédio de serviços profissionais, ela ainda sentia-se como a morte, mas pelo menos mexia-se.
Foi na rua, à luz do sol de Primavera, que ela parou por um momento e olhou para a fachada do prédio de vidro e aço de cinco andares com o sobrolho franzido.
Engraçado, ela não tinha nenhuma companhia de seguros.
***
No Céu, Nigel senta-se à mesa posta para quatro, com apenas dois dos seus companheiros arcanjos. Mesmo assim, Bertie e Byron estavam alegres, apesar da ausência crítica. Mas também, para eles, pelo menos, era uma forma de regresso à normalidade, e isso eram boas notícias mesmo na penumbra da guerra.
Nigel ao servir Earl Grey para a sua chávena de porcelana e tomar um gole, ele não se sentiu similar, apesar de aquele repasto ser uma melhoraria, no que dizia respeito à poeira constante do Purgatório.
Como é que os humanos se sentiam quando sobreviviam a doenças ou acidentes? Ele estava de novo presente entre os seus colegas, sentia a cadeira debaixo dele, o peso das suas roupas, a pega curva da sua chávena ao seu alcance... e no entanto, estava ausente, a sua mente a tentar tecer a ligação entre onde ele havia estado e onde se encontrava agora.
Até ao momento, sem sucesso.
Em verdade, apesar do seu corpo se mexer, a sua consciência estava ainda no outro lado do Céu e havia um zumbido atordoante associado à separação corpo-mente.
Ele tinha a noção que se conseguisse, de alguma forma, conectar-se com qualquer coisa vívida, iria ajudá-lo no processo da reintegração.
Mas Colin foi explícito na sua decisão quando abanou a sua cabeça naquele salão.
Na distância, no outro lado dos relvados verdes, uma figura de branco aparece, aproximando-se... e a respiração de Nigel parou na sua garganta. Alto e forte, com o andar do lutador que era, Colin aproxima-se com eficiência... e completamente destroçado, o que deixou Nigel estupefacto.
Quando o macho se senta, cumprimenta apenas Tarquin, o wolfhound irlandês, e os outros ficam quietos e em silêncio.
E no silêncio tenso que se seguiu, Nigel reparou que aquele cabelo escuro estava molhado devido a uma recente lavagem e que Colin cheirava a sândalo e especiarias.
- Agora que todos se reuniram - disse Nigel, roucamente. - Eu desejo formalmente pedir desculpa pelos meus actos.
Ou mais correctamente: Lamento tanto Colin. E eu teria preferido fazer isto em privado.
- Num esforço para envolver ainda mais o salvador, eu...
Colin intromete-se.
- Eu acho que todos podemos concordar que devido aos resultados terríveis desta guerra, a única coisa que importa é o que fazemos a partir daqui.
Lê-se: Não estou interessado em qualquer tipo de explicação ou desculpa, pública ou em privado.
Nigel demorou um momento a recuperar do murro que levou no estômago.
- Sim, com certeza. - Ele aclarou a garganta enquanto Byron e Bertie permaneceram quietos, ocupados a contar os seus scones. - Eu acredito que a questão que se coloca, é se se dizemos ou não ao salvador do seu próximo papel na guerra.
- Estás a assumir que ele vai vencer a próxima batalha - murmurou Colin.
- Ele não vai permitir a derrota.
- Talvez precise de te lembrar que se trata de um anjo que deu uma bandeira.
- Ele mudou.
- Porque foi até ao Purgatório e voltou? - Os olhos de Colin ficaram, finalmente nivelados quando se entreolharam por cima do chá e das sanduíches. - Deve ser um sítio transformador, então. Infelizmente, muito pouco, demasiado tarde, e por aí fora.
- Não é o sítio, mas a natureza dos erros que pode mudar o curso de uma pessoa. A mágoa de actos infelizes pode ser um poderoso catalisador.
- Existem muitas coisas que podem ser catalisadoras.
Lê-se: Como ser abandonado e traído por aquele que amas.
- Chá? - Pergunta Bertie, como se quisesse quebrar entrelinhas insignificantes.
- Não, obrigado. - Colin olhou fixamente para a Mansão das Almas. - Sustento é a última coisa em que penso agora.
Byron colocou a sua chávena no seu pires como, se também ele, tivesse perdido o apetite. Mas os seus olhos brilhavam atrás dos seus óculos de lentes rosa.
- Estou encorajado pelo teu optimismo, Nigel. E espero que ainda consigamos prevalecer, e no entanto, sempre respeitei o teu compromisso com as regras referentes a esta guerra. Consigo perceber o porquê de ser benéfico se Jim ficar a saber que será ele a última alma a ser disputada.
- Assumindo que não vamos perder a próxima batalha. - Atira Colin. - Visto que já perdemos três.
- Jim não vai ser vencido. - Nigel tomou um gole da borda da sua chávena de porcelana. O chá sabia a sabão, apesar de a infusão ter sido feita da mesma maneira que as anteriores. - Não com quem está em jogo.
- Tu achas que isso vai fazer a diferença? - Colin ri-se friamente. - Amor não é assim tão infalível. Pelo menos na minha experiência.
Com isto, o arcanjo levanta-se.
- Se todos me derem licença. Vou verificar o perímetro do castelo.
- Queres companhia? - Perguntou Bertie.
- Não. Obrigado.
Com Colin a ir-se embora, Bertie e Byron retomaram a ficarem ocupados com trivialidades que não incluíssem Nigel.
- Tarquin - murmurou Nigel. - Vai com ele, sim?
O wolfhound deixou sair um latido e depois, com as suas patas almofadadas, partiu seguindo o caminho de Colin, com a distância e a subtileza que um animal de 63 quilos e que se parece com uma esfregona, conseguia ter.
- Acho que me vou ausentar para descansar - disse Nigel a colocar o guardanapo sobre o seu prato vazio. - Se me dão licença.
Ele odiava ficar emocional em qualquer circunstância. Mostrar tristeza ou dor à frente de outros?
Nas palavras do salvador: nem pensar nessa merda.



Capítulo 20

Bem-vindos ao Home Depot! Em que posso ajudar?
Jim, ao olhar para a origem do som, pensava com muito carinho em facas. Soqueiras. Pé de cabras. Mas vá lá, o que dava as boas-vindas era um homem no seus setenta anos, com mais cabelo branco na barba que na cabeça... como se a pobre alma merecesse esse tipo de tratamento sem motivo algum? Bolas, ele era quase como o Pai Natal que só precisava de tomar Rogaine para chegar lá. E um fato de veludo vermelho, em vez daquele avental cor de laranja, bata, o que fosse.
- Contraplacado de madeira - disse Ad.
- Oh, muito bem! - Sim, ele provavelmente dizia isso sempre como resposta: mangueiras, grelhadores, lâmpadas, chão. - Se vai desejar ir atéééééé...
Ele estendeu os «és» ao girar e apontar para a fila de andaimes de seis metros de altura com as exposições deles.
- ...ééééééé ao fundo do corredor, pergunte por Billy. Já esteve cá antes? Porque oferecemos um especial desconto na encomenda de mercadorias de tamanhos grandes.
- Obrigado - disse Ad a começar a andar.
- E obrigado pelo serviço, jovem.
O anjo parou.
- Desculpe?
- Não se feriu na guerra?
- Ah, sim. Acho que se pode dizer isso.
Com Ad a agradecer com a cabeça ao quase Pai Natal e a coxear dali para fora, Sissy seguiu-o bem junta aos calcanhares do anjo, e Jim deixou-se ficar mais atrás deles.
 Caramba, já havia passado algum tempo desde que estivera numa loja como esta. Ou... mais correctamente, só parecia que tinha passado muito tempo.
Aquela merda fê-lo lembrar de como era desagradável antes de ter manobrado a sua libertação das operações especiais: ele só conhecia «matar-para-o-governo», nunca considerou o facto de se tornar num civil, ou na simples alegria que era entrar no seu carro com quarenta anos e deixar a sua quinta de dois hectares e conduzir cinco quilómetros até ao Home Depot local ou o Lowe's e comprar um cocktail de fertilizante para o solo, um martelo novo, e uma rede para a porta das traseiras.
Infelizmente, não teve a oportunidade de desfrutar muito dessas coisas.
Não com esta merda toda de ser o salvador lhe ter dado um pontapé no cu.
À medida que os seus olhos viam à volta da loja cavernosa, ele pretendia verificar o quiosque das lâmpadas que ficava no centro, com os seus candeeiros pendurados e candeeiros de pé, o brilho solar falso.
Em vez disso, os seus mirones prenderam-se em Sissy e sofreram um sério caso de não-vou-parar-de-olhar.
Jesus Cristo, que confusão. A única coisa que fez correcto foi ajudá-la a ultrapassar a sua primeira vez. Tudo o resto foi uma grandessíssima merda, especialmente na forma como havia acabado entre eles os dois, com ele a ir-se embora com uma desculpa esfarrapada de ter que ir tomar um duche. Ou algo assim.
Foda-se, nem se conseguia lembrar do que lhe tinha dito.
O problema foi que quando estavam a ter sexo, ele estava tão excitado que só lhe apetecia penetrá-la com força, o seu corpo uma linha ténue de perder o controlo. Com medo de a magoar, saiu de dentro dela e veio-se para os lençóis, as suas ancas a estocarem contra o colchão... que foi muito melhor do que nela. Pelo menos, foi o que pensou.
Depois disso, foi a vez do silêncio constrangedor, que piorou quando ele rolou de cima dela para se tentar controlar: mas em vez disso acontecer, o orgasmo só o fez ficar mais faminto. De tal forma, que ficou preocupado em repetir o acto. Que não é o que se faz quando se tira a virgindade a alguém.
- Temos pregos e martelos? - Perguntou Sissy.
Ad abana a cabeça.
- Importas-te de ir buscar enquanto nós vamos buscar a serradura?
- Não, na boa. - Como se tivesse andado à procura de uma desculpa para sair dali.
E embora se foi, avançando em frente e desmaterializando-se na esquina. Naturalmente, não podia deixá-la ir sozinha...
Ad agarra-o pelo braço.
- Deixa-a ir. Estamos todos sob o mesmo tecto, e talvez o regresso a casa não seja outro pesadelo, se lhe deres algum espaço.
- A viagem até aqui não foi assim tão má.
- Se se comparar com cirurgia aberta.
Com Ad a mantê-lo ali, eles passaram por mais funcionários com os aventais cor de laranja, e ponderou se podia perguntar a um deles o que podia fazer. Meu, se ao menos as mulheres fossem como as casas, o tipo de coisa que se podia arranjar com um bom trabalho manual e uma caixa de ferramentas.
- Que merda é que aconteceu entre vocês? - Ad pára e verifica tampas de extremidade da Levolors. - E faz-me um favor e não digas «nada». Podemos ser todos varridos da face do planeta num dia e meio. Não temos muito tempo, mas indo ao ponto, isto pode estar bom e ser merda logo a seguir, portanto o que tens a perder?
- Sem ofensa, mas tu realmente achas que tens algo a acrescentar no que se refere a mulheres?
Ad franziu o sobrolho e andou outra vez.
- Tens razão.
Estavam a virar a esquina para o big-boy land com a madeira quando Jim, abruptamente diz:
- Ela já não é virgem.
Ad tossiu para a mão.
- Oh, sim. Ah, é suposto dizer parabéns?
- Óbvio que não. Eu não soube o que dizer a seguir, eu limitei-me... a levantar e a sair. Bem, não exactamente. - Conseguiu dizer algo como precisar de um duche. Que em retrospectiva sugeriu que se precisava de limpar ou algo assim. - Não sei, assustei-me.
- Porque foi uma desilusão?
- Não... porque foi bom. E o meu cérebro não estava a funcionar correctamente, então fodi tudo. Quando finalmente, consegui ter ordem na cabeça, ela tinha ido para a cozinha e tudo ficou uma merda.
E existia outra verdade nisto tudo: ele ficou preocupado se iria para a «terra da distracção» mais uma vez... e todos sabiam como isso tinha resultado tão bem para eles. Nigel. Purgatório. Salão destruído.
A perder.
Parecia que precisava de um segundo para descobrir se estava a mentir a si próprio, ou não, ao pensar que podia fazer ambos: lutar e estar com ela. Não que ele tenha dado muita importância à consciência quando foi ter ao quarto dela. Aquela pequena viagem serviu mais como um ricochete, ele a ressaltar do terrível Purgatório para a única coisa que ele sabia que o podia conectar para a liberdade.
Mais, ele simplesmente, desejava-a.
O mais triste? Coloquem-no no meio da natureza e ele consegue sobreviver sozinho por semanas. Conseguia montar e desmantelar bombas. Conseguia disparar uma bala a trezentos metros... ou na cabeça de alguém.
Mas nunca havia sofrido um caso de cérebro bloqueado como aquele que teve logo a seguir à sessão com Sissy. E entretanto, ela estava furiosa e magoada... e ele não sabia o que fazer para corrigir a embrulhada.
Talvez, se respirasse um pouco, fosse bom.
Ele mentalizou-se que devia concentrar-se na guerra e só ter uma espécie de vida amorosa depois do final da meta.
Merda.
***
Sissy descobriu a secção dos martelos e ficou estupefacta. Para ela, um martelo era aquele que o pai dela tinha na velha caixa de ferramentas Sears... algo com uma pega de madeira desgastada e uma cabeça corroída. Os objectos à venda mais pareciam primos luxuosos: o ultra-deluxe, o titânio, o anti-derrapante, o brilhante.
Era como ir a uma ourivesaria para gajos.
Estava prestes a pegar num quando se apercebeu que se tinha esquecido de se tornar visível... um facto que se tornou aparente quando uma mulher, que parecia tão perdida como ela, atravessou-a com o seu carrinho das compras cor de laranja cheio de venezianas.
A sensação que teve foi algo como febre a percorrer o seu corpo, vibrações quentes e frias a embalá-la. E a mulher pareceu sentir qualquer coisa também... parando o carrinho abruptamente e olhando em volta.
Claramente, Ad e Jim haviam pensado em tornarem-se visíveis para aquele senhor que lhes deu as boas-vindas, se não, não teria falado com eles.
- Porra - suspirou.
Mas também, será que ela queria correr o risco de esbarrar com alguém que conheça? Não que os seus colegas fossem para um lugar daqueles às onze da manhã num dia de semana... mas nunca se sabia em relação a amigos ou parentes.
E Deus sabia que já tinha com o que se preocupar.
Ela não fazia a mais pequena ideia do que se tinha passado de errado com Jim. E se entrou na área do «magoada e confusa», agora estava envolvida na fase do «vai-te foder».
Aquela raiva dela voltou, supôs.
A única coisa que a impedia de atacar Jim era a realidade de eles não estarem numa relação. Ele não lhe devia nada mais do que haviam partilhado na cama. Pelo menos essa parte tinha corrido bem. Não conseguia imaginar ninguém a tratá-la melhor do que ele. Mas depois as coisas ficaram distorcidas... e assim permanecem.
Esta situação fê-la lembrar de todos os telefonemas e conversas que havia tido com colegas da escola que namoravam e que depois acabavam. Ela sempre tinha estado na periferia do drama, nos bastidores, a perguntar-se qual teria sido o problema.
E depois aquela manhã acontece.
Mais outro momento alto que desejava não ser adicionado ao reportório dela. E, caramba, era difícil não pensar o que aquele demónio e Jim teriam feito durante a noite de divertimento e jogos deles.
O que a fez ficar ainda mais enraivecida.
Pelo canto do olho, ela vislumbra um homem ao pé da secção das chaves de parafusos. Ele era alto, cabelo escuro, um olhar intenso... e tinha uma auréola. Tal como ela e Jim.
- Sissy?
Com o som da voz de Ad, ela olha por cima do ombro, e depois aponta para o tipo.
- Olha, é um de nós.
Ad franziu as sobrancelhas com muita intensidade.
- Sim. Eu conheço-o. Hum... tens o que precisamos?
- Não vais falar com ele?
- Não. - Ele estica-se e tira ao acaso dois martelos. - Jim está a tratar do contraplacado. Vamos... precisamos de pregos e de uma serra.
Sissy voltou a olhar para o outro tipo, que pareceu não notar nela ou em Adrian.
- Como é que o conheces?
- Não importa. Vamos.
- Quem é?
- É som um tipo.
Desistindo, ela segue Adrian para um corredor e espera que ele encontre alguma caixa de pregos. E depois foi para a secção das serras.
Excepto, antes que Ad fizesse a sua escolha das duas mil variedades diferentes, ele pára e olha para ela.
- Como é que tu o conheces?
Ela apontou para a própria cabeça.
- Ele tem uma auréola. Como eu e Jim.
Aqueles olhos dele subiram.
- Sem ofensa, mas não vejo nada aí.
- Um círculo dourado. Como uma linha brilhante atada em si mesma, a flutuar. Está mesmo aqui.
Ad abana a cabeça.
- Não vejo nada, mas não importa. Vamos voltar e arranjar o salão.
Quando voltaram para a secção das enormes peças de madeira, Jim empurrava uma grande plataforma rolante para retirar os itens volumosos... e ele deve ter sentido a sua presença, porque olhou por cima do ombro.
Por um segundo, ela não conseguiu acreditar que eles tinham feito sexo. Essa experiência entre os lençóis parecia distante como um sonho, algum tipo de neblina, como se fosse tudo invenção.
Mas a deliciosa sensação de dorido que sentia entre as coxas contava-lhe uma coisa completamente diferente. Tal como a raiva dela.
Como não havia razão para esperar ao pé de Jim, ela avançou e deixou-se ficar ao pé das portas automáticas. Pessoas andavam por todo lado, todos concentrados como se tivessem listas mentais e com vidas ocupadas que, se esquecessem de alguma coisa e tivessem que voltar para trás, seria uma grande chatice.
Nenhum deles fazia ideia do que se tinha passado no dia anterior naquele salão... ou que estavam a ser observados por alguém que não era como eles.
Era difícil de saber se a ignorância deles era uma boa coisa ou não. Levariam eles vidas diferentes se soubessem o que realmente se andava a passar?
Provavelmente. E fê-la lembrar de um jogo que ela e a irmã costumavam brincar: se tiveres só vinte e quatro horas de vida, o que fazias? Ela lembrou-se das suas respostas incluírem muito chocolate. Também, tinha doze anos na altura em que jogou pela última vez. Deus, ela sentia saudades dos pais. Da irmã. Dos amigos.
Da sua vida.
Sem nenhuma razão em particular, ela olha para o parque de estacionamento... e foi quando viu um carro que não se enquadrava: um grande Mercedes-Benz preto que percorria o espaço num andamento lento, as suas linhas a brilharem com a luz do sol.
Os vidros eram escurecidos, por isso não se conseguia ver quem conduzia, mas ela sabia.
Ela sabia.
Ao sair da loja, o sedan afrouxou e a janela do lado do passageiro desceu. Sem dúvida, era o demónio atrás do volante, e no instante em que Sissy prendeu o seu olhar no dela, a feliz coincidência de ambas terem estado com Jim, estalou na sua cabeça.
Ele serviu a ambas. Sem dúvida a fazer com Devina as mesmas coisas que tinha feito com ela, pouco mais de uma hora atrás.
O beijar. O tocar. O lamber.
O sexo.
Instantaneamente, ela estava de volta ao salão, a abraçar Jim quando havia regressado da sua morte imortal, tão aliviada e a sentir-se um bocado superior por o demónio ter que fazer de tudo para ter a atenção de Jim, e ele só ter olhos para ela. Mas agora? Depois de lhe ter tirado a virgindade?
- Aquele filho da mãe - silvou Sissy.
O demónio inclina-se para a janela aberta. Com uma voz obscura, diz:
- Entra.


E por agora é tudo. Beijokas e bom fim de semana.

*Nasan