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terça-feira, 23 de maio de 2017

IMMORTAL: Gostinho 48 e 49

Saudações Amantes da Irmandade! 
Dia de mais um... naaa, de DOIS gostinhos hehe 
E aproveito para vos dizer...haverá apenas mais três gostinhos a serem publicados, a nossa Nightshade já me enviou tudinho a três séculos atrás. A boa noticia, é que ainda faltam os três, não é?! A má noticia... é que está a terminar.


Aproveito também para vos recordar que a 3 de Junho as 14:30 haverá o encontro de fãs na praça Leya, vejam AQUI.  
Contamos com vocês!
Anjos Caídos #6

Immortal

Capítulo 48


Com o demónio a sair do elevador, Sissy sentiu a ser levada e depois deu-se um caso de corrida olímpica em que ela pouco ou nada teve opinião independente sobre o assunto. Eddie havia agarrado num braço dela e num de Ad e os três correram, passando filas atrás de filas de cómodas antigas, como se estivessem a ser presseguidos.
Ela tentou olhar por cima do ombro, mas não conseguiu nem um vislumbre, graças ao aperto forte de Eddie. E depois, a colecção mudou. Ela teve uma vaga noção de roupas, muitas roupas penduradas em cabides como se estivessem numa loja qualquer. E sapatos. Malas de mão. Uma cama do tamanho de uma sala, e um atelier com maquilhagem suficiente para centenas de milhares de rostos.
Eddie fê-los parar em frente de um espelho alto, com três partes onde estavam decalcados todo o tipo de arabescos franceses estravagantes.
- É... isto? - Ela perguntou entre fôlegos.
- Nem sequer estás perto. - Eddie ofegava enquanto olhava em volta. - Temos que nos proteger.
- Não. - Respondeu Ad. - Temos que encontrar esse espelho e escondê-lo. Isso vai destabilizar a Devina e talvez nos dê algum tempo com Jim.
- Então, onde diabo ela o colocaria? - Murmurou Eddie.
- Onde não há luz. - Sissy ouviu-se dizer. - Está num lugar escuro... embora, não percebo como sei isto.
Os três olharam para o canto mais afastado. Agora que o demónio tinha voltado, as luzes do tecto tinham-se acendido, iluminando tudo... excepto aquele lugar.
Os três correram até àquela escuridão, e Sissy sentiu um arrepio a percorrer-lhe a pele e os ossos.
- Está aqui - disse Eddie em voz baixa.
Com os olhos a ajustarem-se, Sissy só conseguia aperceber-se das dimensões da coisa, gradualmente conseguiu ver o vidro decrépito que parecia não reflectir nada e a moldura podre e os corpos retrocidos que pareciam ornamentar os quatro lados daquilo.
- Meu, esta cabra é doze vezes feia, e desta vez não estou a falar do demónio - murmurou Ad.
Eddie praguejou em voz baixa.
- Ela saberá se o movermos.
- Mas talvez nos dê alguma vantagem contra ela. - Adrian andou até ao espelho e preparou-se para agarrar na coisa.
- Vamos lá. Vamos fazer isto.
Eddie foi para o lado oposto e fez uma careta de desagrado quando colocou as mãos na moldura.
- Aos três. Um, dois... três!
Ambos os anjos exalaram de esforço quando moveram o peso tremendo do chão de cimento, os seus corpos grandes tensos, era óbvio que Adrian lutava devido aos seus ferimentos.
- Vou ajudar - disse Sissy, colocando-se debaixo de um dos braços de Ad e à espera de discução. Só que, não chegou nenhuma, o que lhe disse o quanto a coisa era terrível.
- Oh, isto é desagradável - ela ofegou ao agarrar na moldura e juntar-se ao içar da coisa.
O seu corpo reagiu à conecção, o estômado revoltou-se e um suor frio brotou na sua pele, e a cabeça doía-lhe.
- Vamos lá - disse ela com urgência. - Mal posso esperar para pôr este peso no chão.
***
Era o pior pesadelo de Devina tornado realidade. Sempre que ela entrava num dos seus locais protegidos, o seu medo era sempre que alguma coisa desaparecesse, estivesse fora do lugar... e o que é que ela encontra agora?
Alguém, provavelmente aquele cabrão do Jim, tinha aberto as suas gavetas antigas e atirado com as coisas dela ao chão.
E ainda por cima? Ela teve que lidar com a visão daquela não-virgem e daqueles dois anjos caídos, ali parados como se fossem utensílios que estivessem no meio das coisas dela.
Foda-se!
Foi o suficiente para ela foder com tudo isto e matá-los aos quatro.
Era o que Jim merecia, no mínimo, por lhe ter mentido.
Outra vez.
Lágrimas inundaram-lhe os olhos quanto todos, excepto o seu amor, começaram a correr pela cave adentro. O seu primeiro instinto foi chamar os seus lacaios para se encarregarem deles, mas Devina pôs isso em espera. Isto era o tipo de coisa que ela queria resolver sozinha.
Além disso, aquele trio não era o que importava, era Jim. E depois de tudo acabar? Ela ia possuir Sissy, Adrian, Eddie... juntamente com todas as pessoas do planeta... portanto, eles eram mais do que bem-vindos para se tentarem esconder onde não havia onde se esconder.
E aliás, ela queria Jim sozinho, sem distracções.
Esfregando as bochechas, ela limpou as lágrimas e secou as mãos no couro das suas calças. Ela tinha mudado a sua idumentária para ir ver o Criador, mas tinha mantido os seus lindos, brilhantes Loubous.
Meu, ela tinha ficado tão contente com a audiência que lhe foi dada e feliz por Ele ter concordado em vê-los a ambos. Tão espectacularmente excitada pela mudança que as coisas tinham levado.
No momento em que tinha regressado, ela não tinha ido para muito longe, a não ser para dar um retoque rápido de maquilhagem na Penthouse do hotel. E depois, ela soube o instante em que o seu espaço tinha sido violado.
Ela teve que limpar os olhos mais uma vez, o que era aborrecido, porque ela não queria borratar a maquilhagem.
- Jim, maldito sejas. Será que nunca vou aprender contigo?
O sacana continuava a olhar por cima do ombro, a verificar se a sua preciosa Sissy e os dois cães de companhia tinham fugido.
Era o suficiente para a pôr violenta. Mas ela precisava... Quando ele se concentrou nela, o ódio na cara dele era tão intenso, tão penetrante, tão avassalador, que lhe desfigurava as feições.
O que era algo tocante, a sério. Também um sinal de que a infecção nele atingiu um novo nível.
- Tens algo para me dizer - ela rosnou, ansiando pela luta que eles estavam prestes a ter.
Excepto, tudo o que ele fez foi dar um passo atrás. E depois outro.
E depois, correr que nem um louco.
Demorou-lhe um segundo para o seu cérebro juntar dois mais dois. E depois, ela gritou e desmaterializou-se.
O espelho dela!
Foda-se! Eles iam atrás do espelho dela...
Viajando, numa mistura de moléculas, ela guinou para o canto escuro da cave... e não conseguiu. De alguma forma, Jim tinha conseguido agarrar nela em pleno voo, e no instante em que o contacto foi estabelecido, ela formou-se contra a sua vontade, o seu corpo a tornar-se sólido e corpóreo. E ele fez disso uma vantagem. Com um puxar poderoso, ele atira-a para o chão duro e frio, e rolou com ela no chão enquanto as mãos dele apertavam-lhe os ombros, depois o pescoço.
O instinto dela foi de lutar com ele, mas depois pensou, não... isto é o cenário perfeito para o fim do jogo. Era a oportunidade perfeita para ele decidir «matá-la» e seguir por impulso. A encruzilhada dele a manifestar-se, a escolha dele a resultar numa vitória para ela.
Só que, foda-se, ela não podia perder aquele espelho.
Com um empurrão tremendo, ela saiu debaixo dele, e as coisas eram urgentes demais para se desmaterializar, então ela correu nos seus saltos-altos, passando pelo roupeiro e a cama dela...
Jim fez algum truque voador, derrubando-a de novo, atirando-a contra a sua colecção de sapatos e botas, fazendo-os irem para todo o lado. Mas isso que se lixasse. Empurrando o peso dele, ela correu mais uma vez, perdendo o equilíbrio, mas depois encontrando-o. Mesmo com os saltos-altos, os olhos dela procuravam o canto mais afastado e escuro...
Jim estava com ela de novo.
Era como se ele tivesse reservas de energia inesgotáveis, e desta vez ele não ia deixá-la ir. As mãos viciosas dele apertaram-lhe o pescoço e ele empurrou o corpo dela contra a boutique e depois o espelho normal dela, vidro a estilhaçar por todo o lado, com eles a lutarem um contra o outro, ele para a derrubar, ela para se libertar.
E, subitamente, houve um cintilar de cristal sobre a cabeça dele.
Ele havia desembainhado a adaga dele.
Estava na altura.
Apesar de ir contra o terror de perder o seu portal para o Inferno, ela forçou-se a relaxar. Lembrou-se que os anjos e a pequena cabra não iriam ter coragem de o partir. Se eles o fizessem, eles apenas matar-se-iam no processo.
Deixa-o esfaquear-te, ela disse a si própria enquanto focava os olhos azuis dele enlouquecidos e cheios de ódio. Depois, todos serão teus e desta forma, salvas o espelho.
- Fá-lo - disse ela, preparando-se.
Ao contrário da faca que tinha preparado para que Sissy usasse contra ela, aquilo ia doer como um pesadelo.
Em última análise, ia conseguir tudo o que ela queria.



Capítulo 49

Jim ia mesmo fazê-lo. Com a adaga sobre a cabeça e o ódio a gritar na sua alma, ele ia esfaquear a cabra da Devina, e não apenas uma vez. Ele ia dar uma de Hannibal Lecter e cortá-la em pedaços, triturá-la até não haver nada a não ser uma poça de sangue maligno e merdas que iam parecer como a parte de dentro de uma chouriça.
Quando ele apertou mais a adaga, tudo veio-lhe ao de cima, e foi um espectáculo de slides horríveis e tristes, a começar com a mãe no chão da cozinha na quinta e a acabar com ele e Adrian e Eddie a lutar para rasgar aquilo que tinha estado dentro do corpo puro de Sissy. E tudo, tudo tinha origem neste maléfico demónio, todo o derramamento de sangue e sofrimento, até algum do seu...
Vindo de nenhures, a imagem do rosto de Sissy apareceu e bloqueou tudo o resto. Ele viu-a aproximar-se dele do elevador, a agarrá-lo, a gritar com ele.
Não tinha havido ódio no olhar dela.
Tinha havido terror.
Jim sacudiu a cabeça para se livrar daquela imagem e voltar para o que estava a fazer. Mas a imagem dela não desaparecia, quase como se tivesse sido implantada por alguma outra fonte.
E, oh Deus, os lábios dela moviam-se. Ela falava com ele, a dizer-lhe coisas que não faziam sentido, aquilo ia contra tudo sobre como a guerra funcionava e qual o seu papel a desempenhar.
- Faz isso - grunhiu Devina. - Acaba com isto de uma vez! Seu maricas de merda!
Jim recomeçou o programa, esticando o ombro para trás...
Eu quero-te a salvo mais do que aquilo que Devina merece!
Cerrando os dentes, Jim lutou contra a voz de Sissy na sua cabeça, tentando contorná-la e fazer aquilo que estava certo, que era apropriado...
- Dá-me uma facada, seu gradessíssimo cabrão.
Jim acordou. Com toda a força que tinha ele... girou Devina às voltas uma vez... duas... três vezes e lançou-a para longe dele, fazendo-a redopiar pelo chão de cimento, os seus salto-altos a captarem as luzes e a faiscarem, o som dos passos dela a ecoar por todo o lado.
- Não me podes ter! - Gritou para ela. - Tu não os podes ter!
E depois, tudo aconteceu em câmara lenta.
Numa série de eventos, que ele sem dúvida, se iria lembrar para o resto da sua vida imortal, Devina perde o equilíbrio e não consegue recuperar, o seu corpo a cair para trás, a bracejar, cabelo moreno a esvoaçar à medida que ela atravessa o chão de cimento, prestes a aterrar de cu.
Só que, não foi aí que ela parou.
Do canto escuro da cave, como se fossem ladrões a roubarem um quadro de um museu, Eddie, Adrian e Sissy aparecem. Estavam todos numa pressa, os três a correrem através do chão com o espelho de Devina levantado pelo guindaste humano.
Foi o tudo em um que salvou a humanidade.
Apesar do facto de haver hectares de chão, espaço para Devina fazer uma venda de garagem, ela vai directa para o feio e horrível vidro do espelho. Sapateando, o corpo dela vai contra aquilo e estilhaça a superfície, o impacto a abrir uma fenda de sucção que fez do portal que eles tinham aberto no salão, uma brincadeira de crianças.
Ele nunca se iria esquecer da expressão de Devina quando ela percebeu o que tinha acontecido. O choque e o horror seriam o tipo de vingança com que ele teria ficado feliz... excepto pelo facto de que, no momento em que ela foi sugada, alguma coisa dentro dele balançou... e depois seguiu-se o impulso de sucção.
O centro do peito dele foi puxado para a frente da sua espinha, e sentiu como se a sua caixa torácica estivesse aberta. E no entanto, não era ele que o espelho queria.
Só queria aquela parte de Devina que estava com ele.
O seu tronco foi para trás com tanta força, que teve a certeza que se ia partir em dois, e depois levitou do chão. Quando ele quase desmaiava de dor...
Snap!
Como um elástico de cabelo, a substância estranha disparou livre e foi pelo ar, a nuvem preta de abelhas, tal como tinha sido com Sissy com aquela incisão metafísica.
Mas não foi só ele que se viu livre do mal.
Ao cair de joelhos, ele ficou apavorado se Sissy e os anjos fossem ser sugados, mas o espelho só queria reclamar o que era de Devina... e foi por isso que Ad se sacudiu e começou com espasmos, a sua cara contorcida com dor, o seu corpo a contrair e a levitar...
E o mal também o deixou.
A nuvem formou-se à frente do peito de Ad e depois libertou-se para entrar no rodopio do vácuo negro.
Jim, lutando para ficar consciente, ficou ciente do estranho som sob e sobre o uivo do espelho partido... e foi quando ele percebeu que as cómodas se tinham começado a mexer, ameaçadoramente naquela direcção.
- Fiquem atrás do espelho! - Jim gritou para eles. - Saiam do caminho!
Eddie desapareceu e apareceu novamente com Ad, tendo ido buscá-lo onde ele havia caído, e também com Sissy. Depois, Jim já não os via.
Tudo o que podia fazer era rezar.
Tudo na cave estava a ser arrastado para o vazio, todos os relógios e facas, a colecção de peças de metal, as roupas e os sapatos e as maquilhagens, a cama... todos os objectos que Devina comprou ou tirou foram junto com ela, a sua essência tendo corrompido tudo o que estava à sua volta.
Enfraquecido pela luta, tudo o que Jim podia fazer era observar com admiração a visão que era demasiado momental para compreender ou explicar, como algo fora de um sonho em que o que testemunhavas era possível porque não era real. Só que, aquilo estava mesmo a acontecer. A última coisa a desaparecer foi a moldura do espelho. E como todas as coisas que foram antes, os quatro lados desapareceram no vórtice e depois ouve uma explosão sónica, que mais pareceu como um soluço cósmico.
E foi assim que, na última batalha da guerra do Criador... Jim salvou o mundo.
***
Com as orelhas a estalarem violentamente com dor, a enorme explosão que se rasgou através da cave chocou-a estupidamente por um momento. Mas depois, aquilo parou e Sissy abre os olhos e...
Tudo estava vazio.
Toda a cave era nada mais do que chão espaçoso, o chão de cimento sem uma camada de pó.
Ela viu Jim, e ele parecia que estava longe, caído de joelhos, uma mão apoiada como se ele mal se conseguisse segurar.
- Jim. - Ela levanta-se. - Jim...
Ele estendeu o braço livre para ela, e quando chegou ao pé dele, ela não sabia quem é que se segurava com mais força.
- Tu salvaste-me - ele disse para o cabelo dela. - Tu salvaste-me.
- Não, eu...
- Foste tu, foi tudo tu. Eu vi-te e estavas a falar comigo e...
Como se tivesse muitas palavras presas na garganta, demasiado coisas para dizer, ele só a beijou profundamente, e...
- C’um caralho!
Ambos olharam para trás para Eddie e Adrian. Ad levantava-se lentamente, ambas as mãos no ar como se fosse cair a qualquer momento e ter que se apanhar.
- Santo... Deus!
Ele começou a mover o corpo à volta, braços e pernas a irem de um lado para o outro... e por um momento, Jim não percebeu o que se passava. Depois, apercebeu-se... ele tinha enlouquecido.
- Oh, meu Deus, ele perdeu o juízo - ela suspirou, a pensar que três exorcismos em poucos dias foram demais. Até dentro dos ideais do anjo.
- Estou curado! Estou curado!
Com um rápido movimento, Ad atravessou o chão, fez algumas acrobacias, alguns movimentos de Kung Fu, parecia que ia tentar um salto mortal, mas depois pensou melhor.
- Eu consigo ver! - Ele correu para eles, a apontar com o dedo o seu olho, agora bom. - Eu consigo ver! O que levei de Matthias... os ferimentos foram com as merdas de Devina!
- Oh, meu Deus - Jim suspirou. - Isso é fantástico.
- Eu sei, não?! E tu sabes o que isso queeeeeer dizeeeeeer! Oláaaaa, miúdas!
Sissy teve que baixar a cabeça num dos peitorais de Jim enquanto Ad rodava para trás e para a frente e depois correr mais uma vez.
- Inacreditável - Jim disse a sorrir. - Nós ganhámos a guerra!
E tudo o que ela se importava é que tinha a sua vida amorosa de volta. Sissy apoiou-se no braço do seu homem e olhou por cima da cabeça dele.
- Já não tens uma auréola.
- A sério? - Ele apalpou o espaço acima da cabeça. - Então isto acabou mesmo?
- Foste tu que o fizeste.
- Não, nós fizemos. Eu ia matá-la, eu ia mesmo... mas tudo o que conseguia ver eras tu. Tudo o que conseguia ouvir era a tua voz. Sem isso? Só Deus sabe o que poderia ter acontecido.
Eddie foi ter com eles e sorriu. Depois ofereceu a palma a Jim.
- Muito bom. Estou orgulhoso de ti.
Jim gemeu e levantou-se, levando-a consigo. E depois aceitou o que lhe era oferecido.
- Não poderia tê-lo feito sozinho.
- Acertaste nisso - disse Ad enquanto dançava o cha-cha-cha, uma mão na sua barriga lisa, a outra espetada no ar num determinado ângulo. - Mas tenho que dizer... não foi nenhum prazer. - Ad não lhe ofereceu uma palma, em vez disso ele agarra em Jim e abraça-o com força. - Mas eu não faria isto com mais ninguém.
Os olhos de Sissy lacrimejaram quando Jim deu tapas nas costas do amigo dele.
- Vale para os dois.
Ao separarem-se, Ad limpou a garganta como se tivesse a engolir todas as emoções que sentia. Depois, apontou os polegares ao peito e disse:
- Quem é que tem dois olhos e está prestes a fazer sexo? Este gajo aqui!
Eddie revirou os olhos.
- Sabes, nós não temos...
O olhar de Ad ficou astuto.
- Posso arranjar-te uma ruiva. Tu saaaaaabes o quanto gostas de uma boa ruiva.
As sobreancelhas de Eddie elevaram-se até à sua testa e ele concertou as calças na cintura.
- Eu, ah...
- Não me digas que não ias querer alguém se conseguisses encontrar.
Houve alguns embaraços. Garganta a aclarar. E depois, a líbido de Eddie, aparentemente, tinha vontade própria. Encarando Jim, o anjo disse:
- Bem, aqui estão as chaves do carro. Vocês ficam bem no regresso a casa?
- Acho que nos desenrascamos - disse Jim a rir.
- Bom. Isso é bom.
Houve um longo momento entre os três homens, como se houvesse muito para dizer mesmo que tivessem a noite inteira para o fazer.
- Vai - disse Jim com alguma rouquidão. - Divirtam-se. Vocês merecem.
- Não vás sem te despedires - disse Ad.
- Tens a minha palavra.
E depois, os anjos tinham ido embora, desaparecendo em pleno ar. Jim colocou o braço à volta da cintura dela, e os dois iniciaram uma caminhada através do vazio, os passos deles a ecoarem no espaço.
- Tens fome?
Ela teve que rir.
- Não sei. Eu não... tudo é quase demais.
- Tenho uma ideia.
- E qual será? - Ela esticou o pescoço para olhar o rosto dele. - Algo como aquilo com que Adrian ficou excitado?
- Bem, sim. - O homem dela corou. - Mas, primeiro outra coisa.
- Pizza.
- Não. Eu estava a pensar... que tal tu ires na parte de trás da minha mota e... irmos dar uma volta?
Sissy apoiou-se na força dele e riu-se.
- Isso é um verso de uma canção do Prince, sabias disso?
- Ai é?
- Sim... e a minha resposta é sim.
Ao chegarem aos elevadores, ele carrega no botão e ela teve que franzir a testa.
- O que foi? - Perguntou ele.
- Havia alguém como eu aqui, não havia? Alguém sacrificado para proteger o espelho dela.
- Sim, havia.
- Eu não cheguei a ver.
- Eu tratei dos restos mortais quando cheguei. E vou garantir que ele seja bem cuidado.
- Não podes descobrir e ter a certeza?
- Sim, eu prometo. Mas ganhámos a guerra, portanto eu imagino que os justos estejam todos no Céu. É a única coisa que é justa.
- Só... descobre se é mesmo assim.
- Eu dou-te a minha palavra.
Sissy suspirou à medida que as portas se abriam e os dois entravam juntos. Havia um espelho montado numa parede, encaixado numa moldura de aço-inoxisável. Inclinando-se para o vidro, ela viu... Sem auréola. Tudo tinha acabado de verdade.
- Ficas comigo? - Ela ouviu-se dizer. - Tu... quero dizer, eu não posso ir para o Céu, certo? E eu não quero ficar aqui sozinha.
Quando começaram a subir, Jim virou-a nos braços e olhou para baixo para ela, penteando-lhe o cabelo para trás do rosto dela.
- Eu amo-te - disse ele. - Portanto, onde poderia estar senão contigo para toda a eternidade.
Colocando os braços dela à volta do pescoço dele, ela sorriu e chorou ao mesmo tempo.
- Isso, para mim, parece o Céu.


segunda-feira, 8 de maio de 2017

Encontro de fãs na F.L.L

Saudações!!!!! 

Podem parar de chorar, porque ele já está aqui, já está ai e em breve muito em breve estaremos novamente todos reunidos para mais uma tarde a tagarelar sobre os nossos meninos! 


Vocês estão preparados? Porque eu estou completamente eufórica! Ansiosa e a roer as unhas para que chegue logo o dia 3.


Adere ao Evento AQUI e confirma a tua presença. Ela é essencial para nós, não só a tua confirmação como a tua comparência.

Nós e a Leya estamos ansiosos a vossa espera.



Até breve e fiquem atentos que vamos dando novidades.


*Nasan

quarta-feira, 3 de maio de 2017

IMMORTAL: Gostinho 43

Saudações Amantes da Irmandade!

Hoje temos mais um gostinho de IMMORTAL, como bem sabem é uma tradução livre, simpatia da nossa querida
Nightshade.



Anjos Caídos #6

Immortal

Capítulo 43

Uma hora e mais um duche depois, Sissy estava na cozinha a servir-se da última fatia de bolo de chocolate perfeitamente cozido por Eddie. Jim tinha apagado no seu quarto, porque foi até ali que eles tinham ido. Mesmo que o dela ficasse apenas a quatro ou cinco portas a mais no corredor, eles tinham sido muito ganaciosos e impacientes para fazerem a viagem.
Engraçado, tinha havido uma satisfação nova e diferente em deixá-lo enrolado naqueles lençóis, o seu corpo de combate todo saciado devido ao tanto que ele queria. Antes de ter saído ela tinha estado a observá-lo, inclinando-se e até a tocar com cuidado a pomba dourada dela que ele usava ao pescoço. Ele mexeu-se naquele ponto e foi por isso que saiu.
Por alguma razão, ela não conseguia sacudir a sensação de que algo muito mau ia acontecer.
- Portanto, sim - murmurou ao sentar-se na mesa e dar a primeira dentada.
Oh Deus, era fantástico: Todas as endorfinas no corpo dela com todos aqueles orgasmos e agora mais o bolo de chocolate e a cobertura de baunilha falsa? Euforia a mil à hora, mesmo com aquela picada de medo no centro do seu peito.
Havia uma cópia do Caldwell Courier Journal no outro lado da mesa e ela alcança-o só para os seus olhos terem o que fazer. O topo do jornal era só sobre notícias internacionais. Em baixo havia uma fotografia de uma propriedade de um magnata que aparentemente tinha decidido vender todas as suas posses e estava a causar um confusão na cidade.
Sissy franziu a testa e inclinou-se mais de perto para a fotografia a preto e branco. Depois decidiu que estava a ver coisas. Só que... não, o homem tinha um halo: Mesmo com a grainha natural da imagem, ela conseguia ver um círculo desvanecido por cima da cabeça do homem.
Vincent diPietro. E a foto tinha sido tirada no dia anterior, com ele a caminhar para o escritório do seu advogado com papéis para serem assinados.
Estranho, que ele também tivesse um. Mas considerando tudo o que tem acontecido ultimamente? Não era algo que ela ia dar muita importância.
Depois de ter acabado o seu lanche da meia-noite, ela coloca a loiça no lava-loiças. Depois dirigiu-se para as escadas, pronta para se enroscar em Jim... porque só Deus sabia o que a manhã podia trazer.
Só que ela nem fez o primeiro patamar da escada.
Ela acabou no salão destruído.
O contraplacado nas janelas faziam um bom trabalho a evitar que a chuva entrasse, mas não isolavam, portanto a devisão estava mais fria e húmida que o resto da casa. E mesmo com as correntes de ar, o cheiro a pinho do contraplacado recém-cortado permanecia no ar, como se alguém tivesse colado difusidores com cheiro a pinhal por todos os apliques.
Enquanto os seus pés descalços passavam silenciosamente sobre o soalho frio e nu, não havia nenhuma lâmpada para acender, porque todas haviam sido sugadas juntamente com as mesas e sofás em que eles se sentavam. Havia, no entanto, alguma iluminação que dava para ver: Graças aos dispositivos eléctricos que tinham sido montados no exterior da casa, a luz artificial sangrava através das folgas que o contraplacado fazia nas aberturas das janelas, como se lhe dessem portas de passagem para outro plano de existência.
Ela descobriu o que queria no parapeito de mármore da lareira. O livro de Devina mal cabia ali, a sua capa de couro esfarrapada a pender quase ao ponto de cair. Ela achou que Adrian o tivesse colocado ali enquanto trabalhava na sala. Ou talvez a coisa tivesse escalado e repousado ali.
Ela odiava o peso do volume nas suas mãos, e a sensação da pele de homem velho da capa. Odiava estar perto daquilo. Antes, não tinha sido mais nada do que um livro qualquer; agora parecia que transportava um braço cortado para a luz.
Teve de suspirar duas vezes antes de conseguir abrir a coisa. E mais duas vezes antes de olhar e...
- Mas que porra?
Franzindo a testa, ela folheou por entre as páginas e... nada, ela não reconhecia nada. Agora, a escrita parecia-lhe estrangeira, uma mistura de símbolos e letras estranhas que eral ilegíveis, tanto quanto sabia.
Fechando o volume, ela devolveu-o ao lugar onde estava na lareira.
O alívio era tão grande, que ela ficou tonta.
Subindo as escadas, estava a meio quando algo que Jim tinha dito lhe surgiu. Tinha sido quando eles tiveram sentados lá fora e ela lhe havia perguntado «O que acontece agora?».
«Contigo? Nada.».
Naquela altura, ela falava sobre a guerra, não no futuro dela, mas a resposta dele tinha sido para ela e só para ela.
Assumindo que ele ganhava a guerra, e ela tinha que acreditar que sim, porque a alternativa de tudo e todos se tornarem posses de Devina era horrífica demais para contemplar. Então, e depois? Ela tinha que pensar que se fosse bem-vinda ao Céu, já tinha ido lá parar depois do ritual naquela banheira. Mas não, ainda estava ali.
Parece que a eternidade numa nuvem não estava no futuro dela.
Então, onde é que isso a deixava? Anos intermináveis a vaguear na Terra como um fantasma? Porque, auréolas à parte, era o que ela era, para todos os efeitos.
Continuando a subir, ela foi para o quarto de Jim, entrou de mansinho e despiu-se antes de ficar entre os lençóis. Quando braços fortes a puxaram para um abraço apertado, ela precisou do calor e de estar de pés assentes no chão.
Eles descobririam, disse ela a si mesma. Se conseguiam tirar Devina de dentro dela, eles eram capazes de fazer alguma coisa que resultasse.
Enquanto ela e Jim estiverem juntos, o Céu é onde eles se encontram.
***
Jim esperou até que a respiração de Sissy fosse lenta e regular, e depois ele ficou mais vinte minutos na cama. Quando ele finalmente decidiu virá-la de costas e retirar os braços, ela murmurou qualquer coisa, mas continuava a dormir.
Levantar-se e vestir-se sem fazer barulho não era um problema. Colocar o coldre da sua adaga à volta da sua cintura e enfiar a faca de cristal na coisa às escuras, fácil. Pegar na convencional SIG Sauer e enfiá-la atrás das costas, de olhos fechados.
Deixá-la é que era difícil.
Quando ele parou com a mão na maçaneta da porta, olhou para a cama. Não havia muita luz no quarto, mas ele sabia onde ela estava, ouvia a respiração dela contra as almofadas, imaginou-a a esfregar a cara a dormir. Em vez de hesitar para reconsiderar, ele forçou a sua determinação.
No entanto, antes de sair, ele teve um impulso no que dizia respeito à sua segurança, e ele cedeu ao impulso rápido e eficientemente. Depois saiu para a noite, passando pelo vidro da janela circular que dava para a área de estar. Angel Airlines a levá-lo pelo ar. Não foi até ele estar bastante longe de casa que desceu e começou a convocação.
Por uma vez, foi respondida imediatamente. Como se o demónio estivesse à espera dele.
Prosseguindo para o centro da cidade, ele não perdeu tempo com o caralhinho que estava atrás da recepção do hotel. Ele apenas aterrou no terraço da Penthouse e caminhou para as portas francesas. Quando tentou as maçanetas de bronze, estas estavam trancadas.
É claro que ela ia fazê-lo bater à porta.
Enquanto enrolava um punho e colocava os nós das mãos no vidro, ele manteve a calma. A única coisa que importava era entrar no espaço do demónio. O que tivesse de dizer ou fazer para isso acontecer? Ele estava disposto a qualquer merda.
Devina demorou o seu belo tempo. Com o vento frio a soprar tão alto, ele bem que podia ter ficado gelado até aos ossos, mas ele estava irritado demais para se importar se estava ou não no maldito Ártico.
Devina, finalmente apareceu na sala de estar, pousando no bar como se tivesse a tirar uma foto para a Vogue, ou talvez para a Hustler. Ela estava de cuecas e sutiã que eram mais renda preta que cetim, um robe fino a cair dos ombros até ao chão. O cabelo estava solto e ondulado, e a maquilhagem era de um filme noir, olhos escuros e lábios vermelho-sangue. E para acabar? Os saltos-altos cor de pele tinham a altura de um andar, e eram feitos com alguma coisa que pareciam diamantes. Oh, e havia algum tipo de liga envolvida.
Para ele, ela era tão sexualmente atraente como uma mulher de noventa anos desdentada.
Mas era óbvio que ela não sabia disso. Aparentemente, decidiu que ele já tinha visto o suficiente, ela andou para a frente, as coxas a abanarem, o cabelo a balançar com aqueles duplos D dela, a língua a lamber os lábios. Quando ela abriu as portas e ele entrou, ela passou as mãos pelo peito e ombros dele.
E ele deixou-a fazer isso.
- Em que posso ajudar-te - disse ela a arrastar as palavras enquanto os trancava lá dentro.
Ele manteve a sua voz casual enquanto examinava a sala, catalogando objectos.
- Precisamos de conversar.
- Finalmente - ela murmurou ao caminhar e sentar-se numa das suas poltronas. - Pensava que nunca mais vinhas.
Jim andou à volta, pondo as mãos para fora e deixando-as suspensas por cima da mesa lateral, atrás de outra poltrona, num candeeiro.
- Estive a pensar numa coisa.
- Sim?
Ele podia ouvir a esperança na voz dela.
- E decidi que estavas certa.
- Sim...?
Okay, agora ela estava praticamente sem fôlego. Ele parou de andar e virou-se para ela:
- Sim. Eu acho que devíamos de desistir.

Até breve... 

*Nasan