quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Lover Reborn: A Cerimónia do Fade 3




Chegou o dito cujo dia… Tcham-tcham-tcham-tcham…

Ok, no final chamem-me os nomes que quiserem… mas que caiu uma lagrimita, caiu… ou duas… Não estava bem…


Mim permanece muito murcheca. A voz sexy desapareceu de vez, mas a garganta continua a doer e ainda não me separei definitivamente dos lenços. Não sei muito bem para que servem as bolas que me mandaram engolir com água. Disseram-me que era para melhorar depressa. Não vejo velocidade. Acho que fui enganada por mais um mentiroso que se diz veterinário. Não se pode confiar em ninguém…
 A minha cria fez-me a vida negra e não sossegava pendurada no galho. Doi-me a cabeça. Doi-me a alma. Acho que até os pelinhos me doem...Ai, vou-me morrer-me!...

Alguns de vocês já viram que tenciono meter férias. Pois é. Vou acabar com as traduções do Lover Reborn na sexta. E não sei se tenho vontade de retomar outras coisas. A ver vamos.

Só para descansar a minha Alex: não há cenas manhosas do Qhuinn e da Layla. Nem podia haver. A Layla só tem Xcor na cabeça. O Qhuinn só vê Blay à frente. Aquilo foi só para procriação.

O spoiler de hoje é dedicado à Rute Porem que já tem os lenços prontos desde segunda-feira. :D



SPOILERS PARA ALGUNS
Lover Reborn




Todos os elementos da mansão estavam de pé em volta do grande espaço, os doggen, as shellans, os convidados, todos vestidos de branco, de acordo com a tradição. A Irmandade estava numa linha reta no meio com Phury à cabeça, seria ele a fazer o ofício, depois John, que fazia parte da cerimónia. Wrath vinha a seguir. Depois V, Zsadist, Butch e Rhage no fim.
Wellsie estava no centro de tudo, na sua bela caixa de prata, numa pequena mesa coberta em seda.
Tanto branco, pensou. Como se a neve do exterior tivesse entrado às escondidas e se multiplicasse, apesar do calor.
Fazia sentido: a cor era para os acasalamentos. Para a cerimónia do Fade, era tudo ao contrário, a palete monocromática simbolizava tanto a luz eterna a que os mortos iriam fazer parte, quanto a intenção da comunidade de um dia se juntar a eles nesse lugar sagrado.
Tohr deu um passo, depois outro, e um terceiro…
Ao descer, olhou para os rostos desolados. Esta era a sua gente e tinham sido também a de Wellsie. Esta era a comunidade com quem permaneceria e a que ela deixou.
Mesmo na tristeza, era difícil não se sentir abençoado.
Havia tantos a apoiá-lo, até Rehvenge, que agora era parte da casa.
Mas Autumn não estava entre eles; pelo menos não a conseguia detetar.
No final, colocou-se numa postura rígida perante a urna, as mãos cruzadas à frente, cabeça baixa. Assim que assumiu a posição, John juntou-se, tomando a mesma posição, apesar de estar pálido e de as mãos não pararem de tremer.
Tohr tocou no braço de John.
- Está tudo bem, filho. Vamos ultrapassar isto juntos.
Instantaneamente, os tremores pararam e o rapaz acenou com a cabeça, como se se tivesse acalmado um pouco.
Nos segundos seguintes, Tohr pensou vagamente que era extraordinário como uma multidão daquelas dimensões podia estar tão calada. Só conseguia ouvir o estalar da madeira nas lareiras do outro lado da entrada.
À esquerda, Phury clareou a garganta e debruçou-se sobre uma mesa coberta por seda branca. Com um gesto gracioso, levantou-a para exibir uma enorme taça de prata com sal, um jarro de prata com água e um livro antigo.
Pegando no volume, abriu-o e dirigiu-se a todos na Língua Antiga. “Esta noite, estamos aqui para marcar a passagem de Wellesandra, companheira do Irmão da Adaga Negra Tohrment, filho de Hharm; filha de sangue de Relix; mãe adotiva do soldado Tehrror, filho de Darius. Esta noite, viemos aqui para marcar a passagem do gerado Tohrment, filho do Irmão da Adaga Negra Tohrment, filho de Hharm; filho de sangue da amada falecida Wellesandra; irmão adotivo do soldado Tehrror, filho de Darius.”
Phury virou a página, o pergaminho pesado a emitir um som suave. “De acordo com a tradição, e esperando ser agradável aos ouvidos da Mãe da raça, e consolo à família enlutada, peço a todos que orem comigo para que aqueles que passaram para o Fade tenham uma viagem segura. …”

(…)
O anjo brilhava da cabeça aos pés, as argolas de ouro a refletir a luz de fora e de dentro e multiplicando-a.
Por algum motivo, não parecia feliz. Tinha as sobrancelhas espremidas como se estivesse a fazer contas de cabeça e não gostasse do resultado…
“Chamo agora a Irmandade para apresentar as suas condolências, começando por Sua Majestade Wrath, filho de Wrath.”
Tohr achou que estava a ver coisas e concentrou-se nos Irmãos. Assim que Phury se afastou da mesinha, Wrath foi discretamente conduzido por V até ficar em frente da taça do sal. Puxou a manga da túnica para trás, tirou uma das suas adagas negras e passou a lâmina no antebraço. Mal o sangue vermelho veio à superfície, o macho estendeu o braço e deixou cair algumas gotas.
Cada um dos Irmãos fez o mesmo, olhos presos nos de Tohr enquanto reafirmavam sem palavras o luto que partilhavam por tudo o que ele tinha perdido.
Phury foi o último, Z segurou-lhe o livro para completar o ritual. De seguida, o Primale pegou no jarro e disse palavras sagradas enquanto despejava água, tornando o sal manchado numa pasta.
“Peço agora ao hellren de Wellesandra para se despir.”
Tohr teve o cuidado de tirar a impressão de Nalla antes de desatar a fita das Escolhidas e pôs ambas em cima da túnica quando a tirou.
“Peço agora ao hellren de Wellesandra que se ajoelhe diante dela pela última vez.”
Tohr fez como lhe disseram, caindo de joelhos em frente da urna. Com a visão periférica, viu Phury ir até à lareira de mármore à direita. Das chamas, o irmão retirou um ferro antigo, um que tinha sido trazido do Velho País há muito tempo, um que tinha sido feito por mãos desconhecidas, muito antes de a raça ter uma memória coletiva.
A parte inferior tinha cerca de quinze centímetros de comprimento e pelo menos dois e meio de largura, e a linha de símbolos na Língua Antiga estava tão quente que brilhava amarela, não vermelha.
Tohr assumiu a posição apropriada, fechando as mãos em punhos e inclinando-se para a frente de modo a ficar com os nós dos dedos firmes na manta branca que tinham colocado no chão. Por uma fração de segundo, só conseguiu pensar no desenho no mosaico da macieira que estava por baixo dele, aquele símbolo de renascimento que começava a associar apenas à morte.
Tinha enterrado Autumn aos pés de uma.
E agora estava a despedir-se de Wellsie em cima de uma.
Quando Phury parou à sua beira, a respiração de Tohr começou a acelerar, as costelas a comprimir e a expandirem.
Quando acasalaste, e tiveste o nome da tua shellan gravado nas costas, era suposto aguentar a dor em silêncio para provares que eras digno tanto do seu amor como do acasalamento.
Respira. Respira. Respira…
Não é assim na cerimónia do Fade.
Respira-respira-respira…
Na cerimónia do Fade, é suposto…
Respirarespirarespira…
- Qual é o nome do teu morto? – Exigiu Phury.
Aí, Tohr inspirou uma grande quantidade de oxigénio.
Quando o ferro lhe foi colocado sobre o nome gravado há tantos anos, Tohr gritou o seu nome, toda a dor do seu coração, na sua cabeça, na sua alma saíram como um, o som a estilhaçar-se através da entrada.
O grito foi o seu último adeus, o seu pedido de a encontrar no além, o seu amor a manifestar-se pela última vez.
Durou uma eternidade.
Ruiu completamente, a testa no chão, enquanto o topo dos ombros ardia como se estivesse em brasa.
Mas isto era apenas o início.
Tentou erguer-se sozinho, mas o filho teve de o ajudar, porque tinha perdido a força: com a ajuda de John, retomou a posição.
A respiração ritmada a restaurar-lhe a energia naquela forma ofegante.
A voz de Phury estava áspera ao ponto da rouquidão.
- “Qual é o nome do teu morto?”
Tohr agarrou num hectare de oxigénio e preparou-se para repetir.
Desta vez, o nome que gritou era o seu, a dor de perder o seu filho a cortá-lo tão profundamente que sentiu como se o peito sangrasse.
Gritou mais tempo desta segunda vez.
E colapsou, o corpo exaurido apesar de ainda não ter terminado.
Graças a Deus por estar lá o John, pensou, ao sentir-se recolocado em posição.
De cima, Phury disse:
- “Para selar na tua pele para sempre, e para juntar o nosso sangue ao teu, completaremos o ritual pelos teus amados.”
Nada de ofegar desta vez. Não tinha energia.
O sal doeu tanto que perdeu a visão e o corpo entrou em convulsões, os membros a tremer descontroladamente até que caiu para o lado, apesar de John o estar a tentar manter direito.
De facto, só conseguia ficar assim, ali deitado à frente daquela gente toda, muitos choravam abertamente, a dor dele era a sua. Olhando para os rostos, queria reconfortá-las de alguma forma, poupá-los do que ele tinha passado, acalmar-lhes o sofrimento…


Sem comentários.
Mim saber, mim ser totó.



1 comentários:

Tadinho, nunca percebi bem para quê tanta mutilação, mas vai-se lá perceber a vampirada. XD