segunda-feira, 7 de abril de 2014

THE KING – EXCERTO




Excelente segunda-feira!

Ora cá estou eu como prometido. Andei a sondar algumas pessoas, para saber o que excerto queriam ver traduzido e, por isso, trago um que ninguém pediu xD Ai, que má que eu sou…
Tinha de começar por algum lado, não é?

Continuam a surgir dúvidas relativas à gravidez de Beth, mas na sessão de autógrafos da senhora humana escritora, ficou tudo mais ou menos esclarecido. A Beth não engravida depois da Layla. Ela já estava grávida, antes da necessidade da Autumn, só que ninguém sabia. Como a gravidez, para além de começar primeiro, é só de nove meses, é claro que o vai ter muito antes da Layla. A Tamara está escandalizada com Layla por se oferecer a Xcor e destruir o que construiu com Qhuinn. Em primeiro lugar, ela construiu uma amizade com Qhuinn e ela não é posta em causa. Vai-se oferecer a Xcor, para ele deixar de atacar Wrath, ou seja, quis defender o seu Rei. Para além disso, se fosse eu, já me tinha atirado a ele há muuuuuito, muuuuito tempo.

Queria agradecer, não só à Tamara, mas também à Vânia, à Ana, Viviana, MissyLi, Nicon S2, Anónimo, Rute, Sílvia, Nancy, Kátia, Gisele e Amalya pelos comentários que deixaram. E um beijo bom para aqueles que me mandaram uma palavrinha para o e-mail!

Espero que gostem!


Boas leituras.
Beijos bons.

SPOILERS – THE KING



Fechando os olhos, desmaterializou-se e re-formou-se num relvado coberto de neve que era tão grande como o parque de uma cidade e igualmente bem cuidado. Afinal, o seu pai odiava coisas fora do sítio: plantas, relva, obras de arte, móveis… filhos. A grande casa à sua frente tinha uns quatro mil e quinhentos metros quadrados de área, as várias alas construídas ao longo do tempo por gerações de humanos. Olhando para cima através da noite de inverno, Saxton relembrou o verdadeiro motivo que levou o seu pai a adquirir a propriedade quando um graduado a deixou à Union College – era o País Antigo no Novo Mundo, o lar longe da mãe pátria.
O seu pai, um tradicionalista, cultivava o regresso às origens. Não que ele alguma vez as tivesse deixado.
Aproximando-se da grande entrada principal, as lanternas a gás tremeluziram de cada um dos lados da gigantesca porta, lançando uma luz antiga nas gravuras da pedra feitas no século XIX num revivalismo do estilo gótico. Ao parar, pensou que talvez não devesse tocar à campainha porque o pessoal da casa estava a aguardá-lo. Eles, tal como o pai, estavam sempre com pressa de o fazer entrar ou sair da casa, como se fosse um documento para dar despacho ou um jantar para servir e arrumar a louça rapidamente.
No entanto, ninguém abriu a porta.
Inclinando-se, puxou uma corrente de ferro recoberta a veludo para fazer soar a campainha.
Não obteve resposta.
Franzindo a testa, deu um passo atrás e espreitou para o lado, mas isso não o levou a lado nenhum. Havia demasiados arbustos aparados para se poder espreitar pelas janelas de vidro reforçado em forma de diamante.
Ficar trancado fora de casa era um retrato do seu relacionamento com o pai, não era? O macho pede para ele vir no seu aniversário e depois deixa-o ao frio à porta.
Na realidade, Saxton já decidira que a sua vida era um vai-te foder para o pai. Pelo que sabia, Tyhm sempre quisera uma cria – um filho especificamente. Rezou à Virgem Escrivã por um. E o seu desejo foi realizado.
Infelizmente, acabou por se revelar um mau negócio.
Quando estava a ponderar se devia tocar outra vez, a porta foi aberta pelo mordomo. A cara do doggen impávida como sempre, mas o facto de não fazer uma vénia ao primogénito e filho único do seu amo tinha, na sua opinião, muito que dizer acerca de quem ele ia deixar entrar.
Não fora sempre assim. Mas a mãe morreu e o seu segredo foi descoberto…
- O seu pai está ocupado. – Tal e qual. Nada de dá-me-o-seu-casaco?, Como vai?, ou mesmo Realmente, a noite está fria.
Nem uma conversa sobre o tempo lhe podia ser dispensada.
Quando o mordomo se afastou para o lado e fitou a parede forrada a seda do lado oposto dele, passar por aquele olhar fixo era como ser picado por uma vedação eletrificada – pelo menos, Saxton estava habituado. E sabia para onde devia ir.
A sala das damas era à esquerda e, ao entrar na sala afetada, pôs as mãos nos bolsos do casaco. As paredes lavanda e o tapete amarelo-limão eram brilhantes e alegres e a verdade era que, embora colocá-lo ali fosse para ser tomado como um insulto, ele preferia-a bem mais que a sala equivalente para os cavalheiros com paneis de madeira do outro lado da entrada.
A mãe morrera há três anos, mas isto não era um templo de saudade. De facto, nem se apercebera do pai ter dado pela falta da fêmea.
Tyhm sempre se interessou mais pela lei do que por… assuntos da glymera.

(…)

[Saxton ouve uma conversa através das paredes. Intrigado, sai e descobre que o pai estava a estudar as leis da sucessão, regressou a tempo de ser chamado pelo mordomo para ir ter com o pai.]

- O teu primo vai emparelhar.
Ao ser conduzido pelas portas do estúdio do seu pai, foi este o cumprimento que recebeu.
Lá vamos nós, pensou. E a próxima vez que conversarem, de certeza que seria acerca do dito primo que teria um filho saudável e que iria crescer normal. Acho que este era o seu “presente” de aniversário – um relatório de um familiar qualquer a ter o estilo correto de vida, o que quer dizer que ele é uma vergonha para a linhagem de sangue e um desperdício de ADN do seu pai.
De facto, as alegres atualizações começaram pouco depois do seu pai saber que ele era gay e ele lembrava-se de todas as declarações, que dispôs como feios bibelôs na prateleira da mente. A que mais odiou? A notícia de há uns meses atrás acerca de um macho gay ter saído com outro macho gay da espécie e terem acabado espancados num beco por humanos.
O pai não fazia ideia de que estava a falar do seu próprio filho.
O crime de ódio foi a tónica do seu primeiro encontro com Blay e quase morreu dos ferimentos. Não teve ajuda médica – Havers, o único médico da raça, era um tradicionalista devoto e estava a recusar tratamento a todos os homossexuais. Ir a um médico humano nem pensar. Sim, havia na cidade clínicas abertas vinte e quatro horas, mas consumiu toda a energia que tinha para se arrastar até casa – e estava demasiado envergonhado para pedir ajuda.
Mas Blay apareceu e tudo mudou para eles.
Por algum tempo, pelo menos.
- Ouviste o que eu disse? – Perguntou o pai.
- Que maravilhosos… qual dos primos?
- O filho de Enoch. Foi combinado. As famílias vão fazer uma festa de fim de semana para celebrar.
- Na propriedade deles aqui ou na Carolina do Sul?
- Aqui. Já é hora da raça restabelecer as devidas tradições em Caldwell. Sem tradição, não somos nada.
Entenda-se: És um inútil a menos que sigas as regras.
(…)
- Então, que tens feito? – Murmurou o pai enquanto tamborilava a mesa com os dedos.
Por cima da cabeça do macho, o quadro do seu pai tinha uma expressão de desagrado idêntica.
Ao ser preso por dois pares de olhos semicerrados, teve a quase irresistível vontade de responder honestamente: Saxton era, na realidade, o Primeiro Conselheiro do Rei. E mesmo nestes tempos em que não se via a monarquia com bons olhos, era impressionante.
Especialmente para quem reverenciava a lei como o seu pai.
Mas não, pensou Saxton. Não ia dizer nada.
- Estou onde estava, - murmurou.
- Obrigações e propriedades é um campo complicado. Estou surpreendido que o tivesse escolhido. Quem são os teus mais recentes clientes?
- Sabe que não posso divulgar.
O pai afastou o assunto.
- Também, de certeza, não haveria de conhecer ninguém.
Não, provavelmente não. – Saxton tentou sorrir um pouco. – E você?

(…)

[Toca o telefone, Saxton sai, vai fotografar os livros abertos, mas aparece o pai. Saxton consegue disfarçar e pergunta-lhe em que está a trabalhar.]

- Wrath não serve para Rei da raça. – Tyhm abana a cabeça. – Não aconteceu nada de bom desde que o seu pai foi morto. Isso é que era um governante. Eu era novo quanto fui à corte, mas lembro-me de Wrath e, visto que o filho não sabe fazer as coisas corretamente… o pai dele era um Rei exemplar, um macho sábio paciente e majestoso. Esta geração foi um fracasso tão grande.
Saxton olhou para o chão. Por um motivo absurdo, reparou que os seus sapatos estavam perfeitamente engraxados. Todos os seus sapatos estavam. Limpos e brilhantes, engraxados.
Achou difícil respirar.
- Eu pensei que a Irmandade estava… a tomar conta das coisas bastante bem. Depois dos ataques, acabaram com muitos matadores…
- O facto de usares a palavra depois para modificar ataques é a única coisa que interessa. Um comentário vergonhoso – Wrath não quis saber da governação até casar com aquela mestiça dele. Só aí, quando pretendeu contaminar o trono com os humanos genes bastardos dela é que ele tentou ser Rei. O pai dele havia de odiar isto – aquela humana a usar o anel da sua mãe? É uma desonra que não pode… - Teve de clarear a garganta. – Não pode simplesmente ser tolerado.
À medida que as implicações faziam luz em Saxton, ele sentiu o sangue a desaparecer da cabeça. Ó, Deus… como é que não previram aquilo?
Beth. Eles iam deitá-lo abaixo através dela.
O pai ergueu o queixo, a maçã-de-adão saliente como um punho na parte da frente do pescoço.
- E alguém tem de fazer alguma coisa. Alguém tem de… fazer alguma coisa quando se fazem más escolhas.
Como ser gay, Saxton completou por ele. E depois apercebeu-se…
Era quase como se o seu pai estivesse a juntar forças… só por causa de não poder fazer nada contra o fracasso do seu filho.
- Wrath será destituído do trono, - afirmou Tyhm com um renovar de forças. – E outro que não se tenha afastado dos valores fundamentais da raça será posto no seu lugar. É a consequência adequada para quem não faz as coisas como deve ser.
(…)
- Odeia-me? – Irrompeu Saxton.
Os olhos do pai ergueram-se dos livros que pavimentariam o caminho da abdicação. Ao cruzarem os olhos no desenho da destruição de Wrath, Saxton ficou reduzido à criança que apenas queria ser amada e valorizada pelo único elemento da família que tinha.
- Sim, - disse o pai. – Odeio-te.

 (The King, excertos dos Capítulos 26 e 27)

Porque é que comecei por aqui?
1 – Saxton está a revelar-se bem melhor do que pensei e foi absolutamente incansável a ajudar o Rei.
2 – Para terem noção do tipo de gente que é a glymera… como se não soubessem, do que vão argumentar contra o Rei e o que pensam do papá do Wrath.


De resto, mim dava colo e mimis ao Saxton!



Amanhã há mais!

2 comentários:

Morte à glymera! :P
Coitado do Sax, ele e o Qhuinn têm muita coisa em comum, para além dos laços familiares, o Qhuinn devia começar a tratá-lo melhor...

Por acaso para mim o Saxton era uma personagem assim sem salinho nehum... Mas tou a gostar!!! Daqui por uns dias já começo a ler o King. Agora ando para tras e para a frente com o meu Quihn e Blay... Ai ai *mtos suspiros*

Beijinhos