domingo, 26 de maio de 2013

Mais um dia com Wrath!

Pois é, eu sei que ontem não publiquei nada e por isso peço desculpa.
Não estava com condições mentais para usar o computador.
Mas hoje voltei.
Continuação da parte da história do Wrath em "Na Sombra da Vingança".

============================== Spoilers (ou não) ==============================

Capitulo 12 (2ª parte)

- Responde-me apenas a uma coisa. – disse ela. – Uma única coisa. É melhor que me digas a verdade, ou que Deus me ajude, vou… - levou a mão à boca, prendendo um leve soluço com a mão débil. – Honestamente, Wrath… Sinceramente, pensas que eu te impediria? No fundo do teu coração, acreditaste verdadeiramente que eu o fizesse?
            Ele engoliu em seco enquanto ela pronunciava as palavras numa voz estrangulada.
            Wrath respirou fundo. No decurso da sua vida, tinha sido ferido muitas, muitas vezes. Mas nada, nenhuma ferida alguma vez infligida à sua pessoa lhe tinha doído tanto como a dor que sentiu ao responder-lhe.
            - Não. – Voltou a respirar fundo. – Não, não acredito… que fosses impedir-me.
            - Quem falou contigo esta noite? Quem foi que te convenceu a contares-me?
            - Vishous.
            - Eu devia ter adivinhado. Ele é, provavelmente, a única pessoa, tirando Tohr, que poderia faze-lo… - Beth cruzou os braços, abraçando-se a si própria, e ele seria capaz de dar a mão com que empunhava a adaga para ser ele a abraçá-la. – Andares aí por fora a lutar assusta-me como a merda, mas esqueces-te de algo… Acasalei-me contigo sem saber que não era suposto que o Rei estivesse no campo de batalha. Estava preparada para te apoiar ainda que isso me aterrorizasse… Porque lutar nesta guerra está na tua natureza e no teu sangue. Idiota… - a voz dela quebrou-se. – Idiota, ter-te-ia deixado fazê-lo. Mas em troca…
            - Beth…
            Ela interrompeu-o.
            - Lembras-te da noite em que saíste, no princípio do verão? Quando intervieste para salvar Z e depois ficaste no centro da cidade a lutar com os outros?
            Seguro como o diabo que a recordava, sim. Quando tinha voltado para casa , tinha-a perseguido pelas escadas e fizeram sexo sobre o tapete da salinha do segundo andar. Várias vezes. Conservava na lembrança os calções de ganga que lhe arrancou das ancas.
            Jesus… Agora que pensava… Essa tinha sido a última vez que estiveram juntos.
            - Disseste-me que era somente por uma noite. – disse ela. – Uma noite. Somente. Juraste, e eu confiei em ti.
            - Merda, sinto muito.
            - Quatro meses. – Ela abanou a cabeça, e o seu magnífico cabelo negro balançou sobre os ombros, captando a luz de uma maneira tão formosa que até os seus olhos inúteis registaram o seu esplendor. – Sabes o que mais me dói? Que os Irmãos soubessem e eu não. Sem aceitei esse assunto da sociedade secreta, entendi que há coisas que não posso saber…
            - Eles também não sabiam. – Bem, Butch sabia, as não havia razão para o expor. – V soube esta noite.
            Ela cambaleou e encostou-se contra uma das paredes azul pálido.
            - Saíste sozinho?
            - Sim. – Estendeu a mão para lhe tocar no braço, mas ela afastou-o.
            - Beth…
            Abriu a porta de rompante.
            Não me toques…
            A porta fechou-se de um só golpe atrás dela.
            A raiva contra si próprio fez com que Wrath se voltasse e ficasse de frente para o seu escritório e, no instante em que viu todos os documentos, todas as solicitações, todas as queixas, todos os problemas, foi como se alguém tivesse ligado dois cabos elétricos cortados às suas omoplatas e lhe dessem uma descarga.
            Lançou-se para a frente, varreu com os braços a superfície da secretária e fez voar toda aquela merda pela sala.
            Enquanto os papéis voavam em todas as direções, caindo como neve, ele tirou os óculos de sol e esfregou os olhos. – a dor de cabeça trespassava-lhe o lóbulo frontal. Ficou sem folego, cambaleou, encontrou a sua cadeira pelo tato e atirou-se sobre a maldita coisa. Com um áspero grunhido, deixou que a cabeça caísse para trás. Ultimamente, aquelas enxaquecas por causa do stresse estavam a converter-se num acontecimento diário, aniquilando-o e prolongando-se como uma gripe que se recusa a ser erradicada.
            Beth. A sua Beth…
            Quando ouviu bater à porta, deixou escapar da boca a palavra F.
            A pancada voltou a fazer-se ouvir.
            - O que é? – Ladrou.
            A cabeça de Rhage apareceu através de uma fresta e depois ficou imóvel.
            - Ah…
            - O que é?
            - Sim, bem… Ah, a avaliar pelo bater da porta, caramba, o forte vento que evidentemente acabou de passar pelo teu escritório. Continuas a querer reunir-te connosco?
            Oh Deus… Como seria capaz de manter outra daquelas conversas. Mas, por outro lado, talvez devesse ter pensado nisso antes de decidir mentir aos seres mais próximos e mais queridos.
            - Meu senhor? – A voz de Rhage adquiriu um tom gentil. – Desejas ver a Irmandade?
            «Não.» - Sim.
            - Queres o Phury em alta voz ao telefone?
            - Sim. Escuta, não quero os rapazes nesta reunião. Blay, John e Qhuinn… Não estão convidados.
            Já calculava. E que tal se eu te ajudar a limpar?
Wrath olhou para o tapete coberto de papéis.
            - Eu encarrego-me disso.
            Hollywood provou a sua inteligência ao não voltar a oferecer-se, nem tão-pouco sair com um «tens a certeza?». Simplesmente saiu e fechou a porta.
            Do outro lado, o relógio de pé que estava a um canto deu as badaladas. Era outro som familiar que geralmente Wrath não ouvia, mas que agora, enquanto permanecia sentado sozinho no escritório, fazia soar as badaladas como se fossem emitidas através de altifalantes de concerto.
            Deixou as mãos pousarem sobre os braços da frágil cadeira giratória, mas estas caíram para os lados. A peça de mobiliário era mais do estilo de algo que uma fêmea usaria ao final da noite para apoiar o pé e tirar as meias. Não era um trono. Era por essa razão que ele a usava. Não quis aceitar a coroa por muitos motivos, tinha sido Rei por direito de nascimento, não por inclinação, e em trezentos anos não o tinha assumido. Mas, logo que Beth chegou, as coisas mudaram e finalmente tinha ido ver a Virgem Escrivã.
            Isso acontecera há dois anos atrás. Duas primaveras, dois verões. Dois outonos e dois invernos.
            Naquele tempo tinha grandes planos, no início. Geniais e maravilhosos planos para unir a Irmandade, para que todos estivessem sob o mesmo teto, consolidando forças, escorando-se contra a Sociedade dos Minguantes. Triunfando. Salvando. Reclamando.            
            Em vez disso, a glymera fora chacinada. Havia mais civis mortos. E havia ainda menos Irmãos. Não tinham progredido. Tinham perdido terreno.
            A cabeça de Rhage apareceu outra vez.
            - Ainda estamos aqui fora.
            - Maldito sejas, eu disse que precisava de algum…
            O relógio de pé voltou a soar e, enquanto Wrath escutava a quantidade de badaladas, deu-se conta que já havia passado uma hora desde que se sentara sozinho. Esfregou os olhos doridos.
            - Dá-me outro minuto.
            - Tudo o que o meu Senhos necessitar. Leva o tempo que entenderes.
(…)


Continuação de um bom domingo.

2 comentários:

Coitadinho do rei... É uma personagem extraordinária, mas o que eu acho mais piada é a forma como os outros baixam a bolinha com ele. Depois das shellan, só mesmo Wrath para os pôr na linha!
E sim, o meu domingo melhorou bastante depois disto :)

Mais uma vez me vem à cabeça a música "Breathe easy" dos Blue...
ai ai...*suspiro...
*.*