terça-feira, 6 de setembro de 2016

IMMORTAL: Gostinho 28

Saudações Amantes da Irmandade! 

Desculpem só agora colocar aqui a tradução da nossa Nighshade. Mas o meu Gil, está muito doente e eu ando tão desanimada e sem cabeça que acabei por não vir aqui mais cedo.
Contudo o meu principe negro já comeu, embora tenha vomitado ao final do dia, mas já comeu mais do que aquilo que andava a comer.

Só desejo que os anjinhos dos felinos sejam misericordiosos e não levem o meu Gil tão cedo. Mas pronto, vamos ao que interessa ou desato a chorar de novo.

Obrigada Nighshade por mais um capitulo. Beijão amantes da Irmandade.

*Nasan



Immortal 6

Capítulo 28

Adrian não pode saber que vou sair, pensou Sissy ao descer suavemente as escadas que chiavam, indo para os cantos onde as cabeças dos pregos cortavam o barulho.
No rés-do-chão, ela moveu-se nas sombras silenciosamente, ziguezagueando para a cozinha. Era fisicamente penoso ver a mesa com as quatro cadeiras e passar pelo balcão que Jim tinha limpo para ela. Mas as chaves, oh sim, as chaves do Ford Explorer estavam mesmo ali onde Ad as havia deixado quando ele esvaziou os seus bolsos e a sua carteira, o recibo do Home Depot, e o seu telefone.
Ela esgueirou-se para fora e fechou a porta cuidadosamente. Quando chega ao relvado ela olha para cima, bem para cima, para o sótão. Nenhuma luz a brilhar. Ad tinha que estar a dormir.
E ele precisava de continuar assim.
Isto era algo que ela tinha que fazer sozinha. Porque se ela fosse para aquele hotel e apanhasse Jim a fazer-se àquele demónio? Ela não ia responsabilizar-se pelo que lhe poderia fazer. Se isso fosse o que ele estava a fazer, então ele era puro mal. Que mais se poderia pensar de um homem que lhe disse o que disse, que fez o que lhe fez… e depois sair para ir para a cama de outra mulher. Uma cama qualquer do demónio.
O SUV estava estacionado virado para a estrada para que pudessem descarregar o contraplacado, e felizmente, Ad não havia trancado a coisa, por isso ela não tinha de se preocupar com o chilrear da desactivação do alarme. Uma vez ao volante, puxou o assento para a frente para chegar aos pedais… e rezou a Deus que o barulho do motor ao ser ligado não perturbasse o anjo.
As luzes acenderam-se automaticamente, mas o motor era relativamente silencioso, especialmente quando percorreu para a rua, virando suavemente e acelerando cuidadosamente. No espelho retrovisor ela verificou o sótão mais uma vez.
Ainda sem luz. E Ad não era nenhum vampiro que pudesse ver no escuro.
Graças a Deus.
À medida que avançava, ela sabia para onde ia. O hotel onde Devina estava era o super-luxuoso na baixa onde o baile de finalistas se havia realizado. O problema é que ela não tinha a certeza qual a saída a utilizar na auto-estrada. Existiam, tipo, uma dúzia que iam ter aos densos blocos da cidade cheios de arranha-céus.
Mas ela descobriria a coisa.
Fora do bairro. Na estrada onde ia dar à Northway. E depois já acelerava em direcção às pontes gémeas de Caldwell.
Cravando as mãos no volante, a cabeça dela jogava ténis sozinha, batendo contradições para a frente e para trás: a maneira como ele lhe tocou; o que Devina disse. O olhar dele quando fizeram sexo; o que Devina disse. A sensação de pertença quando estavam juntos; o que Devina disse.
Era como ter as irmãs Williams no seu campo mental, nos lados opostos a bater bolas para frente e para trás, nenhuma a ceder um centímetro. A um nível, ela não acreditava que ia fazer isto, ir até à baixa no meio da guerra do futuro da humanidade, só para ver se o seu «namorado» ou «companheiro de foda» ou o que diabo que eram um para o outro, estava a enganá-la com outra pessoa.
Mas também, ela queria normal, e era isto; este drama em particular acontecia a pessoas regulares que não fizeram o sacrifício virginal para acabarem no Inferno e serem salvas só para assistir ao próprio funeral. Havia milhões de mulheres que tinham que lidar com este drama.
Só que… pelo amor de Deus… porque é que o «normal» para ela não podia ser um bom pedaço de carne de vaca ao jantar, ou uma noite onde, em vez de se preocupar com a vida e a morte ou malditos portais para o Purgatório, ver reposições do The Big Bang Theory e comer gelado de Oreos da embalagem?
Ela saiu demasiado cedo, na saída I-87 e começou a ficar presa no labirinto dos sentidos únicos. No entanto, algumas voltas mais tarde, e já estava a estacionar frente ao hotel. As três bandeiras esvoaçavam acima da entrada: uma americana, a outra do Estado de Nova Iorque e a terceira com o logótipo do lugar em tons castanhos e dourados.
Não haviam arrumadores de carros na frente, mas porque era uma e dezasseis da manhã… havia um espaço medido, directamente em frente das portas giratórias.
Ela sai e tranca o Explorer, compõe as roupas. Vá lá, como se a camisola e as calças de yoga se iriam tornar menos aborrecidas. Ou aproximarem-se da cota de malha com que ela desejaria estar vestida. Como se ela fosse para a guerra ou algo assim.
Atravessando a rua de quatro faixas, ela foi pelas escadas com a carpete vermelha de dois em dois degraus e disparou para o vestíbulo de mármore. A primeira coisa que viu foi o maior arranjo de flores do planeta. A coisa tinha quase a altura de um andar e não era feito de ceda: os lírios e as rosas libertavam uma fragrância delicada que a faziam lembrar Eddie.
- É a menina Barten?
A sapatilha dela chiou no chão quando se virou em direcção dos balcões com topo de mármore onde os hóspedes faziam o check-in. Lá encontrava-se um homem de fato preto atrás de um dos computadores, o seu cabelo penteado para trás da testa, a sua camisa cegamente branca.
- Sim.
- Por favor, siga para cima. - Ele sorriu-lhe como se fosse muito, mas muito mais velho que ela… apesar de estar apenas nos seus vinte e poucos anos. - Os elevadores estão do lado esquerdo. Pode escolher qualquer um deles.
- Obrigada.
A viagem até à Penthouse demorou algum tempo e ela podia ter passado bem sem as quatro paredes de espelhos. A última coisa que queria ver era a sua cara e ponderou se Jim também teria evitado olhar para o seu reflexo quando foi para ali. Ou não terá consciência? Bem, o que quer que seja, ela certamente não estava a gostar do que via: ela só podia ter sofrido de alguma forma de ilusão quando conseguiu sair de casa, aparentemente sem acordar Ad; ter chegado ali bem e pensar que estava em controlo da situação. Quando na verdade, com a sua visão periférica, viu que os seus olhos pareciam loucos na sua cara pálida, e as suas mãos tremiam tanto, que as mangas da camisola vibravam.
Ding!
As portas deslizaram e abriram e ela saiu para a carpete exuberante. Castiçais embutidos nas paredes lançavam uma luz amarelo-manteiga sobre as paredes que possuíam um brilho de riqueza, e pinturas verdadeiras foram penduradas com intervalos iguais em ambas as direcções.
Havia um par de portas por onde escolher, e ela ao aproximar-se leu uma das placas: SALA COMUM FRAMINGHAM. Noutra lia-se: APENAS STAFF.
Ela descobriu a que dizia PENTHOUSE no fim do corredor.
Havia um pequeno botão da campainha por baixo da placa, mas antes de carregar, a porta abriu-se sozinha, como se uma corrente de ar ou uma mão invisível o tivesse feito.
E ali estava.
Exactamente o que veio ver, mas esperava que não.
No centro do quarto com muitas janelas de vidro, numa cadeira que enfrentava a vista, Devina encontrava-se nua, o seu longo cabelo castanho a derramar quase até ao chão… porque a cabeça encontrava-se atirada para trás em êxtase.
Banhado com a luz das velas, Jim inclinava-se sobre ela, o seu corpo nu equilibrado sobre os seus braços dobrados ao beijá-la.
Sissy deve ter feito um barulho. Dito uma maldição. Algo, porque de repente ele olhou para ela. Instantaneamente, a paixão incandescente no seu rosto foi substituída por choque e, de seguida por pânico.
- Sissy! - Ele gritou. Depois teve o descaramento colossal de saltar para trás da mulher, demónio, o que fosse, como se ele não tivesse sido apanhado em flagrante.
Ele estava totalmente excitado.
Num piscar de olhos, a raiva dentro dela saltou livre e já não a controlou mais.
Ao caminhar pela entrada, Jim estendeu as mãos como se quisesse impedi-la de avançar. Depois andou à procura das roupas dele. O tempo todo, ele falava com ela, a sua boca a mexer.
Ela não ouvia nada.
Mas a sua visão funcionava muito bem: ela viu tudo sobre ele e tudo sobre Devina, também. Por sua vez, o demónio deixou-se estar sentado naquela cadeira baixa, as suas mãos sobre os braços da cadeira, os seus olhos toldados a seguirem cada movimento que Sissy fazia.
Realmente, o que havia para dizer, de verdade?
Havia, no entanto, uma faca. Na mesa de café ao lado da cadeira. Com uma lâmina de oito polegadas. Distraidamente, ela reparou que era como a de brincar que o seu pai tinha lhe oferecido há dois anos pelo Natal, como se fosse uma obra de arte. Engraçado, a Henckels estava totalmente fora do lugar na sala, como se fosse algo que tinha sido deixada para trás por um fornecedor.
Ela foi até à faca sem que soubesse o que estava a fazer.
Movimentando a lâmina para cima, ela sentiu o seu peso na mão direita, e virou-se para Jim.
- … vestir algumas roupas, okay? - Dizia ele. - Sissy? Estás a ouvir? Deixa-me só vestir, está bem?
Ele rodopiava como se procurasse um par de calças.
Algo registou-se no fundo da sua mente, mas ela não lhe deu nem uma célula de cérebro de pensamento. Não havia nenhuma que sobrasse. Aquela raiva havia tomado tudo nela e à volta dela.
- Não acredito que tenhas mentido - disse ela. - Seu desgraçado.
Jim colocou as mãos para a frente e recuou mais, até que houve um tipo de acidente, como se uma lâmpada se tivesse partido, mas ela não prestou muita atenção.
- Sissy, percebeste mal…
- Seu filho da puta.
Surgiu tudo de uma vez, tudo o que tinha acontecido com ela desde a ida ao supermercado Hannaford. À medida que perseguia Jim, todas as injustiças de cada horror que tinham sucedido, manifestaram-se. A dor e o terror da morte. A sensação de séculos que sofreu na parede de Devina. O luto cru da sua família e a sua vida perdida.
Era a tempestade perfeita que criava a super-onda no oceano.
E a onda ia desabar sobre Jim Heron.
Agora mesmo.
Como se o destino concordasse com ela, ele deu um último passo atrás e foi contra o bar. Ele ainda falava com ela, e virava-se na tentativa de saber para que lado podia ir para dar a volta.
A tatuagem da Ceifeira foi outro lembrete do porquê que ele precisava de morrer. A raiva fez com que levantasse o braço, a lâmina a faiscar com a luz das velas.
Ela ia matá-lo. Apesar de ele ser maior e mais forte. Ela sabia que se fizesse algum movimento com a faca… ia ser o fim do jogo.
A sua fúria era enorme.

1 comentários:

Um dos capítulos decisivos... depois disso é que a Sissy fez uma descoberta importante para o "destino" do jogo, salvo erro. ;)

Admito que não tenho estado a ler por andar exausta e sem cabeça pra ler tudo, por isso peço desculpa, mas acredito que estejas a fazer um óptimo trabalho e apanhando bocadinhos consigo situar-me +/- na história!

Sunshine ;)