segunda-feira, 22 de abril de 2013

A HISTÓRIA DO FILHO - Parte 7



Alegrem-se!
Hoje é dia de mais um capítulo!




CAPÍTULO 7

Quando uma hora depois vislumbrou a mansão de Mick Rhodes, Claire perguntou-se se estava a fazer bem ao envolver o amigo mesmo que indiretamente.
Depois de tudo, estava a bater à porta dele com um vampiro fugitivo que tinha um caso grave de fobia justificada. E que também enjoava quando viajava de carro.
Quando estacionou, Michael estava verde.
— Estamos a salvo.
Ele engoliu em seco.
— E não estamos a mexer. Isso é bom.
As luzes exteriores da casa acenderam-se e Mick saiu.
 Claire abriu a porta e saiu do carro enquanto Michael fazia o mesmo.
— Mick é um velho amigo. Podemos confiar nele.
Michael farejou o ar.
— E foi teu amante, não foi? — perguntou em voz baixa—. Ele recorda-se disso com uma certa... necessidade.
Jesus.
— Isso foi há muito tempo.
— De facto. — Tinha desaparecido o medo e o enjoo  Michael estava terrivelmente sério. E olhava para Mick como se o outro homem fosse o inimigo.
Era evidente que os vampiros eram territoriais em relação às suas mulheres.
Mick saudou-os com um aceno e gritou:
— Fico feliz por teres vindo. E quem é o teu amigo?
— Ele vai-nos ajudar, Michael —disse, dando a volta ao carro para lhe dar a mão—. Vamos.
 Os olhos de Michael desviaram-se para ela.
— Se ele te tocar de forma inapropriada, vou mordê-lo. Só digo isto para que não haja dúvidas. — Michael voltou a olhar para o amigo—. Não sou um animal e não me comportarei como um. Mas tu és minha e é bem que ele respeite isso.




Era evidente que os vampiros eram muito territoriais em relação às suas mulheres.
— Ele vai respeitar. Juro.
  Mick trocou o peso de um pé para o outro com impaciência.
— Vêm ou não?
— Vamos — murmurou ela enquanto começava a caminhar. Quando chegaram a casa, disse— Este é Michael.
— Muito prazer em conhecê-lo, Michael.
Michael olhou para a mão que lhe ofereciam. Quando inclinou levemente a cabeça em vez de a apertar, ela questionou-se se ele não confiava em si próprio para tocar no Mick nem sequer de uma forma educada.
— Como está? — perguntou.
— Estou muito bem. — Mick voltou a pôr a mão no bolso com um encolher de ombros, depois franziu o sobrolho—. Correntes… é isso o que tens no braço?
Claire suspirou.
— Eu disse que precisava de grandes favores.
Houve um momento de hesitação. De seguida Mick abanou a cabeça e indicou a porta aberta.
— Entrem os dois, e começaremos por abrir esses ferros, amigo. A menos que os carregues por estar na moda. Tenho uma serra de metais. — Olhou para Claire—. E talvez tu me queiras contar que diabo está a acontecer.
Uma hora mais tarde, Claire bebia uma chávena de café na biblioteca, e olhava por cima do rebordo para Michael, que estava livre das correntes e que, depois das náuseas da viagem desaparecerem completamente, aparentava sentir-se muito mais dono de si. Pensou que vestido com aquele robe, estava em perfeita harmonia com o espaço. Com o ar formal e antigo da biblioteca, parecia saído de uma novela vitoriana… talvez daquela que ele tinha entre as mãos. Estava a adorar todos os livros de Mick, a examinar-lhes as lombadas, tirando-os, folheando-os.
— Onde é que o encontraste? — perguntou Mick em voz baixa por trás dela.
— É uma longa história.
— É… fora do comum, não é?
 Cristo, não tens nem ideia, pensou, bebendo outro gole da chávena.
— Michael é diferente de qualquer outro homem que tenha conhecido.
— E é a razão pela qual estás a abandonar o escritório, não é verdade? — Ao não obter resposta, o amigo murmurou—: Então, como posso ajudar?
— Para começar, arranjando-me um lugar para passar a noite. — Olhou fixamente para o café—. E quero comprar-lhe uma nova identidade. Certidão de nascimento, número de segurança social, histórico bancário, pagamento de impostos e carta de condução. Sei que conheces gente que se pode encarregar disso, Mick, e o que conseguires com o meu dinheiro tem de ser à prova de fogo. Tem de superar o escrutínio de um tribunal. Porque pode ser que acabemos num.
 O que não ia ser nada divertido.
— Merda… em que confusão te meteste?
— Em nenhuma. — Era muito, muito pior do que isso.
— Mentirosa. Apareces aqui com um tipo coberto de correntes… que fala como uma personagem da época vitoriana mas com o ar de quem alegremente me podia comer vivo… cabelo comprido até ao rabo e que se veste em seda vermelha especial à Hugh Hefner. E que cheira a… bom, realmente cheira muito bem. Que tipo de perfume é que ele usa? Acho que gostava de comprar um igual.
— Não podes comprá-lo. E Mick, francamente, quanto menos souberes, melhor. — Porque estava prestes a transformar-se numa criminosa—. Também quero usar o computador. Ah, e temos de dormir na cave.
Michael virou-se e quando os viu tão juntos franziu o sobrolho, e atravessou a sala para pôr a mão no ombro dela. Mick teve a prudência de se afastar.
— Então, vais-nos ajudar? — perguntou ela.
Mick esfregou a cara.
— Eu compro a identidade que precisas. O homem que conheço é muito suscetível e não aceita o pagamento de outro que não eu. Depois reembolsas-me de alguma maneira. E estás a falar a sério? Queres dormir na cave? Quer dizer, tenho seis quartos de hóspedes e esta é uma casa velha. Lá em baixo não é muito agradável.
— Não, em baixo é melhor.
— Devemos dormir numa cama apropriada —anunciou Michael—. Ficaremos lá em cima.
Ela olhou-o por cima do ombro.
— Mas…
Ele deu-lhe um pequeno aperto com a mão.
— Não permitirei que durmas em aposentos que não sejam dignos de uma dama.
— Michael…
— Talvez o amável cav alheiro nos pudesse conduzir ao nosso quarto?
Bom, evidentemente quando o seu homem decidia algo, assim se fazia.
Mick franziu o sobrolho.
— Ah… sim. Claro, amigo…
Michael voltou-se bruscamente a olhar para uma das janelas. E emitiu, sem dúvida, um rosnado.
— Fica aqui dentro — ordenou. E desapareceu no ar.
Mick ladrou um palavrão, mas Claire não tinha tempo para se preocupar com ele. Correu para a janela e à luz da lua, observou como Michael se materializava no jardim lateral.
O mordomo tinha voltado. Fletcher estava ali de pé e parecia saído de um pesadelo, brilhava como um fantasma embora o corpo fosse sólido.
 O primeiro pensamento foi que provavelmente tinham posto algum dispositivo GPS no carro. Isso explicava como os tinha encontrado. Mas depressa se deu conta de que ele não era humano. Assim, só Deus sabia que tipo de merdas tinha ao dispor.
— Quem é ele?! — exclamou Mick nas suas costas—. Ou… Cristo, Claire, a pergunta devia ser: o que é ele?
 O que aconteceu a seguir foi repugnante e horrendo e representava a única alternativa que tinham. Michael e o mordomo envolviam-se numa luta de morte.
A de Fletcher.
 Claire não quis olhar, mas Mick sim e ela observava as expressões dele enquanto presenciava a matança.
— O Michael está…
— Está… — Mick deu um coice— Sim, não vai restar muito do outro tipo para enterrar.
Soube que tinha terminado quando Mick respirou fundo e esfregou a cara.
— Fica aqui. Vou ver como está… o teu homem?
— Sim —respondeu— É meu.
Mick saiu em direção à porta principal, e ela ouviu os homens a falar em voz baixa do outro lado da porta.
— Claire? — disse Michael, sem entrar na sala—. Estou bem, mas vou-me lavar, está bem?
Não era uma pergunta embora a expressasse dessa forma. Sabia que tinha ficado lá fora porque não queria que o visse, mas…  merda para isso.
Atravessou a biblioteca e passou a…
Está bem, aquilo era muito sangue. Mas não parecia ser dele porque estava nas mãos e na… boca. Como se tivesse mordido o Fletcher. Várias vezes.
— Ó, Deus.
  Mas então olhou-lhe nos olhos. Tinha uma expressão implacável, séria e decidida, como se tivesse cumprido o dever e não houvesse mais que dizer. Mas também havia sombras nele, como se temesse que ela fosse considerá-lo um monstro.
  Ela obrigou-se a acalmar e foi até ele.
  — Vou-te ajudar a lavar.
  Depois de lavar Michael, conseguiu-lhe alguma roupa. Que eram uma anedota. Embora Mick fosse um tipo grande, a única coisa que servia, embora remotamente, ao homem era um par de calças de pijama de flanela e uma camisa… e ainda assim, ficava tudo apertado e via-se grande parte dos tornozelos e dos pulsos.
  Mas estava bem, tinha o cabelo húmido que ao secar frisava nas pontas e recuperava as tonalidades vermelhas e negras.
  Mick levou-os para um quarto encantador que, graças a Deus, só tinha duas janelas com cortinas grossas. Com sorte, seria resguardo suficiente.
  Foi Mick quem fechou as cortinas.
  — Se precisares de alguma coisa, já sabes onde é que eu durmo —ofereceu. Quando chegou à porta hesitou, mas fechou-a logo.
Claire respirou fundo.
— Michael…
Ele interrompeu-a.
— Disseste que enquanto estivesses grávida podias fazer tudo, não foi?
 Quando anuiu, ele olhou em direção à cama como se a imaginasse sobre ela.
— Incluindo…?
Teve de sorrir.
— Sim, isso também. Mas primeiro, temos de conversar…
Num piscar de olhos, estava sobre ela, a pressionar-lhe as costas contra a porta, a pôr-lhe bruscamente uma mão de cada lado da cintura.
— Nada de conversar —rosnou—. Primeiro, vou-te ter.
A boca dele aprisionou a dela, introduziu-lhe a língua profundamente, e ouviu-se o som de qualquer coisa a rasgar… estava a arrancar-lhe a blusa. Ó, Deus, sim… beijou-a até ficar atordoada e desta vez a gravidez não era o motivo e algures no meio do assalto, ergueu-a e estendeu-a sobre a cama. Com suave coordenação, como se tivesse planeado os movimentos, baixou as calças do pijama, levantou-lhe a saia, cortou-lhe um lado das cuecas, e num instante…
Estava lá dentro.
 O corpo arqueou-se contra o dele e abraçou-o com força enquanto ofegava. Estava muito apertada porque só estava meio preparada para o receber, mas no mesmo instante em que a penetrou, acompanhou-o. Penetrou-a com força e profundamente, mas com cuidado, a cama antiga gemia sob a força dos impulsos do corpo a penetrá-la.
O glorioso aroma invadiu-lhe o nariz e percebeu do que se tratava. Era ele a proclamar o seu direito sobre ela bem como o seu amor. Estava a ser reclamada de forma diferente de um homem humano e ela estava totalmente de acordo.
Michael ejaculou com um grande espasmo do corpo e um rugido que quebrou o silêncio da casa. Dada a potência do rugido, era impossível que o anfitrião não o tivesse ouvido, o que era bom, ela não se preocupou em sentir-se envergonhada quando o seu próprio orgasmo a percorreu.
Depois de terminaram, permaneceram unidos, entrelaçados, e a respiração continuou acelerada durante um longo momento.
Depois ele disse:
— Desculpa… meu amor. — afastou-se um pouco e acariciou lhe a maçã do rosto enquanto a beijava delicadamente nos lábios— Temo ser um tanto ou quanto… possessivo no que te diz respeito.
Ela riu-se.
— Podes ser tão possessivo quanto quiseres. Vindo de ti, eu gosto.
— Claire… o que vamos fazer em relação ao futuro?
— Tenho tudo planeado. Sou uma ótima estratega—. Colocou os dedos entre os compridos e luxuriosos cabelos dele, as madeixas vermelhas e negras frisavam à volta do pulso dela e do braço—. Vou arranjar as coisas de maneira a que a tua mãe te deixe tudo.
— Como?
— Em vida, eu fazia-lhe um novo rascunho do testamento aproximadamente a cada quatro meses. Amanhã pela manhã, no escritório que Mick tem lá em baixo vou fazê-lo uma última vez.
 Sim, estava a violar o código de ética profissional que tinha jurado honrar ao prestar juramento como advogada. Sim, podia ser banida da ordem. Sim, estava a infringir as suas regras pessoais. Iria cometer-se uma grave ofensa pelo que aparentemente ninguém sentia remorsos, mas às vezes para se corrigir uma coisa, tinha de se sujar as mãos. Não havia mais Leeds vivos, assim não havia herdeiros que pudessem impugnar o testamento. E as obras de caridade seriam incluídas, recebendo de qualquer forma milhões e milhões.
O crime que ia cometer era necessário para conseguir fazer o que estava certo.
E o facto de Fletcher estar morto? Só simplificava as coisas.
— Deve-te isso —disse Claire—. A tua mãe… a tua mãe devia ter tomado conta do filho e eu vou-me assegurar de que o faz.
— És a minha heroína. — O amor que brilhava nos olhos de Michael era uma bênção como nenhuma outra.
— E tu és o meu sol —respondeu.
Quando se beijaram novamente, teve o estranho pressentimento de que tudo ia ficar bem, embora nada disso fizesse sentido: uma mulher humana que nunca pensou em casar nem constituir família por ser muito dura para esse tipo de coisas. Um vampiro macho que era em simultâneo dócil e feroz… e que durante cinquenta anos não saiu de uma masmorra.
Mas estava bem. Eram um para o outro.
Embora só Deus soubesse o que lhes guardava o futuro.



Depois de amanhã acaba a “História do Filho”.
Falta pouquinho, pouquinho…

2 comentários:

Que fofo! Adorei o capítulo e mal posso esperar para o último. ;P

Tenho mesmo que ver como acaba isto! *O*
Até amanha!!!´
Beijinhos